A deputada distrital Doutora Jane destacou durante seminário sobre igualdade política os desafios que mulheres, especialmente negras, enfrentam para conquistar espaço na política e em outras posições de poder. Ela afirmou ser a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 30 anos de existência da Casa.
Para a parlamentar, esse dado demonstra a dimensão da sub-representação política das mulheres negras no país. Doutora Jane ressaltou que as desigualdades de gênero são agravadas pelo racismo e defendeu maior participação feminina nas instâncias de decisão.
Professora e delegada de polícia, Doutora Jane recorreu à sua trajetória profissional para mostrar como estereótipos raciais ainda interferem no reconhecimento das mulheres negras em posições de autoridade. Ela trabalhou cerca de dez anos como professora da rede pública antes de ingressar na segurança pública.
A deputada relatou um episódio ocorrido quando era delegada-chefe de uma unidade policial. Doutora Jane acolheu uma mulher vítima de violência doméstica cujo filho havia sido preso após matar o companheiro da mãe ao tentar defendê-la de uma agressão. A delegada acompanhou a mulher durante um dia para ajudá-la com documentos relacionados à prisão do filho e ao sepultamento do companheiro.
Posteriormente, em uma audiência judicial, a mulher afirmou que não havia sido atendida por uma delegada. Ao descobrir que Doutora Jane era a delegada-chefe que havia prestado o atendimento, esperou pela policial na saída da audiência para pedir desculpas. Para a parlamentar, o episódio demonstra como o racismo e os estereótipos sociais influenciam a percepção sobre quem pode ocupar cargos de autoridade.
Doutora Jane criticou também manifestações racistas tratadas como brincadeiras. Ela mencionou o caso de uma professora negra e idosa que recebeu de estudantes um pacote de palha de aço durante celebração do Dia Internacional da Mulher. “A gente precisa gritar que racismo não é brincadeira, não é gracejo”, afirmou a deputada.
Na discussão sobre participação feminina na política, a parlamentar recorreu à ideia do “teto de vidro” para representar as barreiras que dificultam a ascensão das mulheres. Segundo ela, esses obstáculos se tornam ainda maiores quando se considera a realidade das mulheres negras.
Doutora Jane defendeu que as mulheres avancem na busca pela igualdade de representação política sem limitar a reivindicação a uma participação de 30%. “Nós precisamos exigir 50%, porque nós somos maioria da população brasileira”, declarou. A parlamentar reforçou que as mulheres não podem ser tímidas na disputa por espaços de decisão e que a presença feminina nesses ambientes deve ser compreendida como um direito.