Menu
Brasília

Dor de cabeça na hora de comprar um carro novo

Arquivo Geral

03/04/2013 10h30

 

Muita gente recorre ao carro zero-quilômetro em busca de tranquilidade. Mas e quando a aquisição traz mais dores de cabeça do que  satisfação? Se não bastassem os transtornos trazidos pelo veículo novo que não funciona, o consumidor ainda precisa lidar com a lentidão e a burocracia da Justiça para, quem sabe, conseguir fazer valer seus direitos. No ano passado, das reclamações feitas ao Procon-DF contra fabricantes e concessionárias,   76%  não foram solucionadas.

 

O cheirinho de carro novo às vezes custa caro. Segundo o Procon-DF, no ano passado 247 consumidores procuraram o órgão de proteção ao consumidor para receber orientação sobre falhas relacionadas a veículos novos.  Muitos casos viraram processos judiciais.

 

 Nem mesmo após a vitória na Justiça, em setembro de 2012, um proprietário de uma Mitisubishi Pajero Full, ano 2008, viu os problemas acabarem. Desde 2010, a ação contra a concessionária Nara Veículos tramita na Justiça. O caso se arrastou para a segunda instância, no Tribunal de Justiça, que julgará o caso hoje. A Pajero não pôde ser vendida, já que é objeto de litígio judicial, o que causou mais um transtorno para o consumidor, que prefere não ser identificado.

 

Desgaste

 

Com apenas dez mil quilômetros rodados, o modelo de R$ 170 mil  apresentou desgaste prematuro dos pneus e nível elevado de ruído dentro da cabine. O dono tentou resolver o problema na loja, que chegou a trocar dos pneus, mas o defeito persistiu. Segundo ele, a situação poderia ter sido resolvida com a substituição de outras peças, mas a loja não fez esse tipo de manutenção. Em primeira instância, a Nara foi condenada a restituir o valor integral. A concessionária recorreu, e o caso se arrasta.

 

Como fazer uma boa compra

 

 

Investigue a loja:   Procure o Procon para saber se há muitas reclamações sobre o estabelecimento.
Acione o fabricante primeiro:  Em caso de defeito, especialistas recomendam acionar primeiro a montadora, em vez da loja, principalmente se a garantia estiver perto de expirar. Isso porque a solução pode demorar e a garantia pode terminar antes disso.
Atenção aos acessórios:  A garantia pode não valer mais a partir da instalação de componentes fora da loja.

 

 Evite compras por impulso. Nunca deixe de pesquisar analisar as ofertas do mercado, como condições de pagamento e de entrega; descontos e promoções; taxa de juros e acessórios.

 

 Se for financiar, atenção:  Não basta que a parcela caiba no bolso. Tenha em mente que além do financiamento, haverá custos com combustível,  manutenção, seguro e IPVA.

 

 Exija a nota fiscal de compra  e o manual de instruções em português.

 

Para o advogado Carlos Tadeu de Carvalho, as revendedoras precisam ser responsabilizadas, caso ocorra algum defeito no produto comprado novo. “O Código de Defesa do Consumidor trata também da responsabilidade por vício apresentado pelas mercadorias recém-compradas. Os problemas devem ser solucionados em até 30 dias a partir da reclamação”, conta.

“Existem alternativas para a resolução desse tipo de impasse: a substituição do produto por um igual, a manutenção nos mecanismos com defeito ou a devolução do dinheiro. A terceira opção é mais difícil, porque raramente os fabricantes e lojas aceitam devolver o valor pago”, explica o especialista em Direito do Consumidor, da Universidade de Brasília (UnB).

 
A solução amigável não acontece com muita frequência, segundo o jurista, e o consumidor precisa procurar a Justiça. “Até porque o carro, quando sai da concessionária, sofre uma desvalorização, e os lojistas não estão dispostos a bancar essa depreciação. O consumidor  pode, além de pedir ressarcimento, entrar com uma ação de perdas e danos, já que muitas vezes precisa deixar o carro parado ou perder tempo levando-o para manutenção”, diz.

 

Em nota, a Mitisubishi Motors do Brasil afirma que o desgaste do carro citado na reportagem foi causado pelo uso do veículo e que a reclamação foi isolada, diante de milhares de unidades vendidas. Além disso, a fabricante diz confiar na Justiça.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado