As proprietárias da Viação Planeta, doctor Auristela Constantino Alves e Cristiane Constantino Foresti, sick foram indiciadas por homicídio doloso – com intenção de matar –, pela morte de uma passageira e do motorista do ônibus que tombou, no dia 4 de fevereiro, próximo ao balão do Aeroporto JK. O inquérito foi concluído ontem à tarde. A delegada responsável pelo caso, Eneida Taquary, da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante) entendeu que houve omissão das donas da empresa por permitir que o condutor do veículo, Gilson Mariano de Oliveira, continuasse trabalhando, mesmo ultrapassando a pontuação máxima de infrações na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
“A empresa nunca se manifestou no sentido de mandá-lo embora ou exigir que o motorista mudasse sua conduta, ou até mesmo de colocá-lo em outra função, fora das ruas. Por essas omissões, as proprietárias responderão por homicídio na forma dolosa”, afirmou a delegada Eneida Taquary.
A reportagem do Jornal de Brasília entrou em contato com a assessoria de imprensa da Viação Planeta, mas ninguém quis se pronunciar sobre o caso. O inquérito deve ser encaminhado ao Tribunal do Júri na próxima semana. Se forem condenadas, Cristiane e Auristela Constantino podem pegar de seis a 20 anos de reclusão.
A perícia do Instituto de Criminalística (IC) comprovou o que os passageiros do ônibus já haviam denunciado: o motorista estava acima da velocidade. O laudo mostrou que ele dirigia a 80 km/h na hora do acidente, quando a via permite 60 Km/h. O veículo tombou na curva com 54 passageiros e vinha de Santa Maria. Fátima Ferreira Ramalho, de 50 anos, morreu na hora. Outras 22 pessoas ficaram feridas e foram levadas para vários hospitais próximos.
Gilson Mariano ficou internado em observação. Ele chegou a receber alta médica, mas retornou ao hospital por sentir muitas dores. Quatro dias após o acidente, o motorista de ônibus sofreu uma parada cardíaca e morreu.