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Brasília

Dona de supermercado é assaltada na Estrutural e polícia se recusa a iniciar investigação

Colaborador JBr

03/08/2016 20h06

Foto: Kleber Lima

Rosana Jesus
rosana.jesus@jornaldebrasilia.com.br

A Polícia Civil se recusou a dar início às investigações após a dona de um supermercado denunciar assalto em seu estabelecimento, na madrugada desta quarta-feira (3), na Estrutural. Benta Pereira Lima, de 49 anos, e sua família foram mantidos reféns por quatro assaltantes durante quatro horas. O crime ocorreu entre 2h e 6h, na residência da proprietária, localizada em cima do comércio.

De acordo com Benta, os criminosos entraram pelos fundos da casa do filho, que mora ao lado do supermercado. “Quando eles acordaram, os bandidos já estavam dentro do quarto. Eles pediam dinheiro e falavam que alguém avisou que a gente guardava R$ 20 mil aqui”, relata. A empresária acrescenta que um dos suspeitos amarrou seu filho e sua neta de um ano e cinco meses, enquanto os demais seguiram para o escritório do mercado com a nora, Tatiane.

Em seguida, os três suspeitos conduziram Tatiane até a residência, localizada em cima do comércio. “Entraram na minha casa, amarraram meu marido na sala e minha nora e eu no banheiro. Não tínhamos o valor que eles pediam, mas conseguiram levar cerca de R$ 10 mil, além de três televisores, quatro celulares, roupas, relógios, notebooks, perfumes, dois pares de alianças e dois maços de cigarros”, lembra Benta.

A proprietária do supermercado informa que os suspeitos não chegaram a entrar no estabelecimento e agiam calmamente: “Não tinham pressa. Desmontavam os aparelhos com tranquilidade e ainda sentaram para fumar e lanchar”. O grupo ainda solicitou a chave do carro da família, mas não chegou a levar o veículo.

Os suspeitos, que usavam luvas e cobriam o rosto com uma touca, levaram o aparelho que armazenava as imagens captadas pelas 16 câmeras de segurança do local. “Todos estavam armados. Eles diziam que eram menores de idade e que, se tentássemos pedir socorro, matariam um de nós e ‘não daria em nada’. Também não tínhamos como avisar a ninguém, porque ficamos sem telefone”, conta Tatiane de Souza Matos, de 28 anos.

Ela ainda conta que os suspeitos avisaram para a família tomar cuidado com o que falariam para a polícia: “Nos ameaçavam dizendo que poderiam voltar, pois sabem onde moramos e que a gente não vai mudar daqui”.

A nora de Benta ainda completou que o grupo foi embora próximo às 6h, quando o padeiro chegou ao local e estranhou a movimentação. “Pela manhã, fomos à 8ª Delegacia (SIA), por volta das 7h. Nós registramos a ocorrência, mas a polícia disse que no momento não podia fazer nada, pois (os policiais) estavam em assembleia”, diz Tatiane. “Por volta das 13h, voltamos lá com informações que poderiam levar aos criminosos e mesmo assim os agentes se recusaram a agir”, concluiu.

Outros assaltos

O supermercado Vende Mais havia sido assaltado na última terça (26) por três menores. O crime foi realizado durante o dia e o grupo portava uma arma calibre 12. No mesmo dia, uma residência vizinha também foi alvo dos criminosos.

De acordo com Benta, o estabelecimento foi roubado três vezes nos últimos dois meses. “Em 16 anos de comércio, perdi as contas do total de vezes que passei por isso. Da primeira vez não registramos ocorrência por que achamos que eles parariam, mas não adiantou.”

Benta ainda afirma que, em um dos assaltos, foi abusada sexualmente. “Eu só quero uma solução para tanta violência, trabalhamos honestamente, ajudamos pessoas oferecendo emprego e é isso que recebemos em troca: o desdém das autoridades”, desabafa a comerciante.

Até o fechamento desta reportagem a polícia ainda não havia comparecido ao local para realizar perícia.

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