Realizar sonhos que pareciam distantes para crianças que pertencem a famílias humildes, prescription proporcionando boas escolas, brinquedos, roupas novas e muita diversão. Essas eram as armas usadas por uma uma rede de pedofilia e exploração sexual infantil para atrair e abusar de meninos com idade entre 9 e 13 anos. A Polícia Civil desmantelou o esquema, que tinha integrantes em outros estados brasileiros e em pelo menos dois países. Dois homens já estão atrás das grades e outros estão sob investigação.
A operação Anjos do Céu foi deflagrada de forma sigilosa no último dia 3, com a prisão de um dos principais suspeitos de fazer parte da rede internacional de pedofilia. O funcionário terceirizado do Ministério da Saúde, Márcio Gabe, 38 anos, foi detido em sua casa no Guará. No local, a polícia apreendeu uma grande quantidade de material pornográfico, envolvendo crianças. De acordo com investigações conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o suspeito morava, há dois anos, com um menino de 13 anos. “Márcio conheceu esse menino na rua e o levou para dentro de casa. O garoto foi matriculado em uma escola particular e em uma escolinha de futebol, ambas pagas pelo suspeito”, explicou a delegada da DPCA, Gláucia Ésper, que investiga o caso.
Uma denúncia anônima fez com que a polícia investigasse a história. Esse foi o fio da meada que levou as autoridades a identificar a rede de pedofilia. Márcio está preso por força de um mandado de prisão temporária – que durará até 30 dias – desde o último dia 3. “A casa dele era decorada com um forte apelo infantil, com brinquedos e muitos jogos, tudo para atrair as crianças”, afirmou a delegada.
Márcio havia feito amizade com a mãe do menino, que mora na cidade de Céu Azul, no Entorno do DF. A mulher trabalhou durante os dois anos como faxineira na casa do suspeito. Ela contou na delegacia que não suspeitou que seu filho estava sendo abusado. “Todos os dias, esse garoto dormia na mesma cama que o suspeito e chegou a contar que Márcio pedia para que o tocasse”, disse a delegada.
Todo o material que foi apreendido durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, na casa do envolvido, está sendo analisado por peritos do Instituto de Criminalística (IC). O disco rígido de computadores está sendo vasculhado para identificar a troca de e-mails entre integrantes da rede. Dezenas de fotos de crianças nuas foram encontradas pela polícia. Se for julgado e condenado pelo crime de atentado violento ao pudor poderá cumprir pena que varia de seis a dez anos de prisão. O crime tem a mesma pena de casos que envolvem estupros.