O Cine Brasília recebeu neste domingo (10), o longa-metragem “No Céu da Pátria Nesse Instante”, da diretora Sandra Kogut. O documentário foi exibido na Mostra Competitiva no segundo dia do 56° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB). Com uma trama em forma de debate, Kogut transita pelos períodos turbulentos no Brasil das eleições de 2022 até o momento da invasão das sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro de 2023.
“Um filme é um olhar de alguém sobre alguma coisa, mas eu tinha uma curiosidade muito grande, de como pensavam pessoas muito diferentes de mim e sempre deixei claro que não estavam fazendo isso para mudar a cabeça de ninguém em nada”, disse a diretora em entrevista exclusiva ao JBr.
O documentário acompanha as vivências de alguns personagens que são entrevistados durante o período eleitoral. A produção destaca as expectativas, a tensão, o medo e a convicção das duas realidades distintas. Um recorte sobre um dos momentos mais relevantes para a história da política na última década.
“Foi um longo processo, eu comecei a sonhar com o filme no final de 2021, eu pensava assim vamos registar o ano eleitoral de 2022, através de uma rede de personagens que estejam em lugares diferentes. Ao longo do processo foi preciso repensar a forma de fazer o próprio filme várias vezes era um momento que a gente não tinha ideia do que ia acontecer”, conta Kogut.
A exibição do documentário foi o ponto alto da noite, com sentimentos aflorados por parte dos espectadores, momentos para protestos, palavras de ordem, palmas, muitas palmas. Uma sensação plural dentro da sala de cinema foi amplamente conectada entre todos.
“Às vezes eu pensava assim, eu tenho pena dos futuros professores de história que vão ter que explicar esse momento, porque era muito difícil de saber, parecia que estávamos vivendo um eterno presente, a crise dessa semana já apagava a crise da última semana. Então a ideia era fazer uma espécie de arquivo do presente”, comenta Kogut.
Mostra Curtas
Além do documntário, “No Céu da Pátria Nesse Instante”, a segunda noite do festival também contou com a exibição de dois curtas-metragens. “Cidade by Motoboy” de Mariana Vita que aborda o dia a dia de um motoboy e todos os desafios que a categoria passa durante um dia pesado de trabalho, o curta ainda fala sobre acolhimento do apoio no caso representado pelo namorado do protagonista. “A ideia desse filme é mostrar essa mecanização do trabalho, esse estresse pelo qual os motoboys passam, que é comum em vários trabalhos, mas, além desse estresse, essa raiva é também trazer um pouco de acolhimento, porque o personagem tem o seu local de paz”, disse Vita em entrevista ao JBr.
Já o curta “Pastrana” dos diretores Gabriel e Melissa Brogni, retrata a perda e como superar o luto. Melissa que também está presente na produção, faz um homenagem ao amigo Pastrana em forma de imagens revisadas com declarações de amigos e familiares. Skatista de downhill a jovem destaca o amor do esporte pelo amigo que não está mais presente.
“Esse curta surgiu da promessa de fazer um vídeo do meu amigo, e eu acabei lidando com a frustração do tempo. Ele conta a história de uma pessoa que foi muito importante pra mim e pro esporte. Ele me ensinou a filosofar muito sobre o tempo e, então, eu quis eternizar esse legado deixado pelo meu amigo”, declara Melissa Brogni.
E ainda tem mais!
A 56ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro vai até o próximo dia sábado (16/12), com mostras competitivas nacionais e do DF, o Festivalzinho e a Mostra Paralela — Outros Olhares.