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Brasília

Doação de sangue para manter a esperança

Arquivo Geral

23/03/2015 6h30

Elizabeth Lenzi Corrêa jamais poderia imaginar que uma simples dor no estômago viria acompanhada de um diagnóstico tão inesperado: Leucemia Promielocítica Aguda (LPA). Aos 38 anos, a administradora descobriu a doença na primeira semana de março e, desde então, luta para conseguir doações de sangue e, consequentemente, de plaquetas. A batalha dela é a mesma de muitos outros pacientes que também dependem de doações para continuar o tratamento. 

 No caso de Elizabeth, por exemplo, atualmente, ela precisa de uma bolsa de plaquetas por dia, mas a necessidade já foi ainda maior, segundo seu marido, o economista Rodrigo Pereira Corrêa, 37. De acordo com ele, assim que começaram as sessões de quimioterapia, a previsão era de que a administradora fosse precisar de duas bolsas diárias durante um mês. “Portanto, isso significa que a Beth tinha que conseguir 18 doações diárias, tendo em  vista que cada bolsa corresponde a nove doações. Logo, em 30 dias, seriam 540 no total”, explica ele, ressaltando que, em função de uma melhora no quadro, a demanda de plaquetas diminuiu, porém, ainda é considerável e fundamental para a recuperação.

Descoberta 

 “Foi uma paulada na família inteira”, desabafa Rodrigo ao contar como o casal, pais de Felipe, de dois anos, descobriu o problema. O economista explica que levou a mulher ao hospital na noite de um sábado por causa de fortes dores na região abdominal. No mesmo dia, ela já ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), depois do resultado do exame de sangue. “Ela apresentou um quadro hematológico muito baixo, mas os médicos ainda não apostavam em câncer. Chegaram até a considerar dengue, mas também foi descartado. Só após examinarem uma parte da medula chegaram ao diagnóstico final. Foi um susto para todo mundo”, completa. 

 Ele acrescenta que a LPA é mais leve que os outros tipos de leucemia, mas que os médicos ressaltaram uma característica grave da doença. “A LPA costuma causar sangramento em qualquer parte do corpo, eliminando as plaquetas do organismo, o que deixa a paciente mais fraca e sem defesa. Por isso, a necessidade de doações”, diz. Para isso, Rodrigo conta que a família e amigos de Elizabeth se mobilizaram nas redes sociais. “Inclusive, recebemos doações de 135 recrutas e 15 soldados do Exército”, comemora, enfatizando que as doações estão salvando a vida de Elizabeth e de várias outras pessoas.

Susto e o esperado retorno para casa

Diagnosticado com Leucemia Mieloide Aguda (LMA), o promotor de vendas Charles Lustosa Neto, de 31 anos, também conta com o apoio de doações de sangue para superar a doença. Ele afirma que uma campanha entre os amigos mais próximos e nas redes sociais tem sido fundamental. “Há dois anos passei muito mal e fui parar na UTI. A primeira suspeita era a gripe H1N1, mas, depois, finalmente descobriram a LMA. Encaro a doença com muita fé e esperança de que tudo se torne apenas uma linda história de superação”, comenta o paciente.

Charles fez um transplante de cordão umbilical há sete meses e, agora, aguarda com paciência o retorno para casa. “Em tese, estou curado, mas ainda preciso ganhar peso para ter alta médica do hospital”, conclui.

Perseverança

Por falar em superação, a história da servidora pública Fabiana Ikeda de Oliveira, 37 anos, diagnosticada com Leucemia Linfóide Aguda (LLA) no ano passado, é um excelente  exemplo. Após receber a medula óssea do filho  Gabriel, de 15 anos, depois de passar meses em busca de um doador com ascendência japonesa, assim como ela, para fazer o transplante, Fabiana finalmente saiu do hospital. “Ela está muito feliz de ter saído do hospital, mas ainda está fazendo o acompanhamento médico duas vezes por semana aqui em São Paulo. Além disso, está tomando 27 comprimidos diários para evitar possíveis rejeições e infecções. Estamos na fase final” comemora o marido, o assessor Daniel Gonçalves de Oliveira, de 39 anos.

Já Fabiana ressalta a falta que está sentindo da família. “Ainda estou me adaptando aos remédios, fora isso, estou ótima e morrendo de saudade de Brasília, da minha casa, dos meus amigos e da minha família”, conta a servidora. 

Atualmente, Fabiana aguarda o resultado de exames que vão informar a porcentagem que ela eliminou da doença e, consequentemente, quanto de medula nova existe no organismo. 

A leucemia, suas causas e  sintomas
 
A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos) de origem não conhecida, na maioria das vezes. Ela tem como principal característica o acúmulo de células jovens (blásticas) anormais na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais. A medula é o local de formação das células sanguíneas, ocupa a cavidade dos ossos e é conhecida popularmente por tutano. Nela são encontradas as células mães ou precursoras, que originam os elementos do sangue: glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.
 
Os principais sintomas da leucemia decorrem do acúmulo dessas células na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção dos glóbulos vermelhos (causando anemia), dos glóbulos brancos (causando infecções) e das plaquetas (causando hemorragias). Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação da leucemia.
 
Diagnóstico

As manifestações clínicas da leucemia aguda são secundárias à proliferação excessiva de células imaturas da medula óssea, que infiltram os tecidos do organismo, tais como: amígdalas, linfonodos (ínguas), pele, baço, rins, sistema nervoso central (SNC) e outros. A fadiga, palpitação e anemia aparecem pela redução da produção dos eritrócitos pela medula óssea. Infecções que podem levar ao óbito são causadas pela redução dos leucócitos normais – responsáveis pela defesa do organismo.
 
Outros sintomas da doença são dores nos ossos e nas articulações, dor de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação.
 
Estoques sempre cheios
 
A necessidade de doações é constante, mesmo quando os bancos de sangue estão com os estoques cheios, alerta o médico e gerente do ciclo do doador da Fundação Hemocentro de Brasília, Rodolfo Duarte. Ele garante que, atualmente, a situação está tranquila e que a população tem comparecido com frequência. “A Hemoclínica agradece muito, mas também reforça o convite para novos doadores. Como o nosso fluxo é diário, os estoques precisam estar sempre cheios. Até porque alguns componentes, como as plaquetas, por exemplo, têm validade curta, de apenas cinco dias.
 
Convidamos, principalmente, as pessoas que possuem os tipos negativos, pois o uso é mais amplo, em especial o sangue O – que não necessita de teste de compatibilidade, o que facilita em casos de emergência. Doar sangue é salvar vidas”, informa o gerente da fundação, que atende os hospitais públicos, privados, federais, a rede Sarah e o Hospital da Criança. 
 
De acordo o coordenador de capitação do órgão, André Mesiano, o nível do estoque de sangue no Hemoclínica está seguro, mas a necessidade de doações é diária. 
 
 

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