Elizabeth Lenzi Corrêa jamais poderia imaginar que uma simples dor no estômago viria acompanhada de um diagnóstico tão inesperado: Leucemia Promielocítica Aguda (LPA). Aos 38 anos, a administradora descobriu a doença na primeira semana de março e, desde então, luta para conseguir doações de sangue e, consequentemente, de plaquetas. A batalha dela é a mesma de muitos outros pacientes que também dependem de doações para continuar o tratamento.
No caso de Elizabeth, por exemplo, atualmente, ela precisa de uma bolsa de plaquetas por dia, mas a necessidade já foi ainda maior, segundo seu marido, o economista Rodrigo Pereira Corrêa, 37. De acordo com ele, assim que começaram as sessões de quimioterapia, a previsão era de que a administradora fosse precisar de duas bolsas diárias durante um mês. “Portanto, isso significa que a Beth tinha que conseguir 18 doações diárias, tendo em vista que cada bolsa corresponde a nove doações. Logo, em 30 dias, seriam 540 no total”, explica ele, ressaltando que, em função de uma melhora no quadro, a demanda de plaquetas diminuiu, porém, ainda é considerável e fundamental para a recuperação.
Descoberta
“Foi uma paulada na família inteira”, desabafa Rodrigo ao contar como o casal, pais de Felipe, de dois anos, descobriu o problema. O economista explica que levou a mulher ao hospital na noite de um sábado por causa de fortes dores na região abdominal. No mesmo dia, ela já ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), depois do resultado do exame de sangue. “Ela apresentou um quadro hematológico muito baixo, mas os médicos ainda não apostavam em câncer. Chegaram até a considerar dengue, mas também foi descartado. Só após examinarem uma parte da medula chegaram ao diagnóstico final. Foi um susto para todo mundo”, completa.
Ele acrescenta que a LPA é mais leve que os outros tipos de leucemia, mas que os médicos ressaltaram uma característica grave da doença. “A LPA costuma causar sangramento em qualquer parte do corpo, eliminando as plaquetas do organismo, o que deixa a paciente mais fraca e sem defesa. Por isso, a necessidade de doações”, diz. Para isso, Rodrigo conta que a família e amigos de Elizabeth se mobilizaram nas redes sociais. “Inclusive, recebemos doações de 135 recrutas e 15 soldados do Exército”, comemora, enfatizando que as doações estão salvando a vida de Elizabeth e de várias outras pessoas.
Susto e o esperado retorno para casa
Diagnosticado com Leucemia Mieloide Aguda (LMA), o promotor de vendas Charles Lustosa Neto, de 31 anos, também conta com o apoio de doações de sangue para superar a doença. Ele afirma que uma campanha entre os amigos mais próximos e nas redes sociais tem sido fundamental. “Há dois anos passei muito mal e fui parar na UTI. A primeira suspeita era a gripe H1N1, mas, depois, finalmente descobriram a LMA. Encaro a doença com muita fé e esperança de que tudo se torne apenas uma linda história de superação”, comenta o paciente.
Charles fez um transplante de cordão umbilical há sete meses e, agora, aguarda com paciência o retorno para casa. “Em tese, estou curado, mas ainda preciso ganhar peso para ter alta médica do hospital”, conclui.
Perseverança
Por falar em superação, a história da servidora pública Fabiana Ikeda de Oliveira, 37 anos, diagnosticada com Leucemia Linfóide Aguda (LLA) no ano passado, é um excelente exemplo. Após receber a medula óssea do filho Gabriel, de 15 anos, depois de passar meses em busca de um doador com ascendência japonesa, assim como ela, para fazer o transplante, Fabiana finalmente saiu do hospital. “Ela está muito feliz de ter saído do hospital, mas ainda está fazendo o acompanhamento médico duas vezes por semana aqui em São Paulo. Além disso, está tomando 27 comprimidos diários para evitar possíveis rejeições e infecções. Estamos na fase final” comemora o marido, o assessor Daniel Gonçalves de Oliveira, de 39 anos.
Já Fabiana ressalta a falta que está sentindo da família. “Ainda estou me adaptando aos remédios, fora isso, estou ótima e morrendo de saudade de Brasília, da minha casa, dos meus amigos e da minha família”, conta a servidora.
Atualmente, Fabiana aguarda o resultado de exames que vão informar a porcentagem que ela eliminou da doença e, consequentemente, quanto de medula nova existe no organismo.