Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br
Fim de ano, época de confraternizações, presentes e família toda reunida. Em meio a tanta alegria tem espaço para desentendimentos, saia-justa e gafes. Tem sempre o tio que faz a piada do pavê ou do peru, tem aquela tia que dá os piores presentes, gente embriagada que age como não devia, além das pessoas que só reclamam. Se dentro das famílias tais deslizes são aceitáveis e, às vezes, folclóricos e prazerosos, esses problemas podem ter implicações sérias se acontecerem nas festinhas do escritório. A questão é: como impedir que esses casos se repitam?

A professora Raab Simões, especialista em cerimonial, protocolo e etiqueta, acredita que toda regra se resume em duas simples de serem seguidas: ter amor ao próximo e ter bom senso. “Antes de fazer qualquer coisa você se pergunta: o que eu vou fazer vai incomodar o próximo? Se for incomodar, não faça”, ensina.
Raab considera o amigo oculto uma tradição necessária, principalmente no âmbito profissional, porque é uma forma de conhecer melhor as pessoas e se divertir. Mas se preocupa com a necessidade que muitas pessoas têm em receber presentes caros e acha que esse não é o objetivo da brincadeira. “Quando se fala em presente, as pessoas pensam no valor. Tem que se ater a lembrancinhas, até porque quando você dá um presente caro você obriga a pessoa a retribuir na mesma altura. Até acho legal estipular valor mínimo e máximo”, explica.
Descontração
Eventos empresariais de descontração são muito importantes. São oportunidades que as pessoas têm de conhecer melhor seus colegas de trabalho e também de reforçar o networking profissional. Por esses motivos, não vale a pena ficar faltando a esses eventos por motivos banais, inclusive é falta de respeito não comparecer. “A pessoa pode até querer não ir ao evento por vários motivos, às vezes por motivos pessoais sérios. Nesse caso, a pessoa deve avisar que não poderá ir e, se possível, dar uma explicação”.
Já nos eventos familiares as regras são semelhantes, apesar de que a intimidade acaba permitindo flexibilizar um pouco. Em geral, estas festas são agradáveis, mas sempre podem surgir situações que colocam os presentes em várias saias justas. A fofoca é um dos principais problemas. Mesmo as mais inocentes podem resultar em grandes polêmicas e até em desavenças. Além disso, tem sempre as confusões provocadas pelo excesso de álcool. O importante, neste casos, é manter a tranquilidade e procurar contornar a situação, explicando a todos que aquele não é o momento e nem o local para maiores discussões.
Saiba mais
Para organizar uma boa festa é preciso ter algumas preocupações. Defina com antecedência o que será servido e contrate bons fornecedores. Escolha um local de fácil acesso e boa localização para que todos possam participar.
Calcule a quantidade de comes e bebes. Uma garrafa de pró-seco ou de vinho, por exemplo, serve três pessoas e uma de uísque serve 20. Calcule uma garrafa de cerveja de 600 ml por pessoa. Quanto à comida, reserve pelo menos 15 salgadinhos para cada um. Cada prato quente deve ter no mínimo 300 gramas para servir bem os convidados.

Ester já teve que proteger uma estagiária das investidas do chefe
Álcool é combustível
Graça Yoda, dona de uma casa de festas e bufê no Park Way, está sempre ocupada nessa época do ano. O espaço La Fiesta abriga até duas festas de confraternização por dia. Apesar de nunca ter presenciado algum caso muito desagradável, explica que nessa época de fim de ano as pessoas bebem ainda mais que o normal: “Todo mundo age como se fosse o último dia da sua vida. Então, é claro que a gente vê pessoa caída no chão e pagando mico. Já encontramos um homem dormindo, e ninguém sabia como fazer para levá-lo para casa”, explica.
Se a organização da festa não tem como controlar as ações do álcool, cabe aos convidados terem consciência de seus atos e saberem seus limites. De acordo com uma funcionária pública federal que trabalha na área jurídica há mais de 20 anos, a bebida sempre agrava as situações. Ela conta que um de seus colegas, que ocupava um cargo alto dentro do tribunal, bebeu muito e começou a criticar a administração de outro órgão.
A informação logo foi repassada para a instituição em questão que decidiu assinar a exoneração do funcionário pela conduta inadequada. “Ele só não foi exonerado porque a autoridade máxima do tribunal que organizou a festa percebeu que ele tinha bebido demais. As pessoas têm que entender que apesar de ser uma festa de confraternização, não deixa de ser um ambiente de trabalho”, ensina.
No trabalho
Álcool: Se você conhece o seu limite pode beber e se divertir dentro do adequado. Se não tem essa confiança beba um copo de álcool intercalado com dois copos de água, ou, na pior das hipóteses, não beba. “A relação de trabalho vai continuar o ano todo, é inadequado encher a cara.”
Traje: As mulheres devem evitar decotes muito profundos e saias muito curtas. Para os homens não tem muito segredo.
Horário: Ser pontual, já que o objetivo é integrar todos as pessoas devem chegar no mesmo horário. Atrasar mais que meia hora é falta de respeito com os organizadores da festa e os outros convidados. Também não deve ser o último a sair da festa.
Assunto: Tem sempre aquela pessoa que só fala de trabalho, no final da festa ninguém vai querer sentar do lado dele mais. Isso acontece muito com pessoas que não se conhecem muito e acham que o trabalho é o único assunto em comum. Aproveitar da situação para falar com o presidente ou diretor e pedir alguma coisa é inadmissível.
Acompanhante: Já que o objetivo é de integração, os convidados devem ser exclusivamente funcionários, afinal de contas o evento serve para comemorar as conquistas da equipe. Só vale levar acompanhante se estiver explícito no convite.
Comida: Na hora de servir o jantar não avance, não fure fila e não encha o prato, pense que tem muita gente para se servir.
Dança: Na pista de dança tente evitar descer até o chão e fazer coreografia muito sensual.
Paquera: Namorar no trabalho já é complicado, então mantenha a discrição. Caso não dê certo, vai ficar chato para todo mundo e vocês vão virar assunto de fofocas.
Em família
Fofoca: Evite temas polêmicos entre os familiares. Caso ocorra, sugira aos envolvidos discutir a situação em outra ocasião. Se isso não resolver, a pessoa mais velha da família deve ser firme e interromper a discussão.
Dinheiro: Após alguns goles a mais, as pessoas ficam mais corajosas e pode ocorrer de lembrar que alguém naquele círculo familiar lhe deve algum dinheiro. A cobrança pode descambar para uma confusão. É hora, então, de explicar ao credor que aquele não é o momento ideal para tentar reaver seu dinheiro.
Crianças: Em festas familiares costuma ter muita criança e sempre tem alguém que se incomoda com a algazarra. Neste caso, deve-se manter a paciência e entender que crianças são assim mesmo. Se ocorrer de alguma delas quebrar ou destruir alguma coisa aja com tranquilidade. Se for seu filho, peça desculpas à dona da casa e se comprometa a repor o objeto. O anfitrião, por sua vez, deve entender que isso acontece e relevar o ocorrido.
Na mesa: As refeições também podem ser motivo de conflito. Crianças e idosos costumam comer mais cedo. Os demais, muitas vezes, preferem prolongar um pouco mais a conversa antes da alimentação. A sugestão, então, é servir uma pré-ceia no horário em que os mais jovens e os mais velhos costumam fazer a refeição.
Lembrancinhas: É recomendável levar algo para os anfitriões, mas não há obrigação de presentear a todos. Se levar mimos só para alguns, faça a entrega em locais mais reservados para não criar constrangimentos com os demais.
Cantadas: Galanteadores sempre surgem nestes eventos e podem atacar a mulher de alguém. Neste caso, explique à pessoa a situação real de sua paquera e mostre que a investida não está sendo bem aceita. É importante que alguém tome a iniciativa de fazer o alerta.
Repercussão nos corredores
Quem organiza os eventos também tem que ficar sempre atento às possíveis saia-justa. Ester Maciel, gerente de Relações Humanas, tem mais de 20 anos de experiência na área e sempre que vai organizar os eventos da empresa deve levar em consideração o excesso do álcool e da repercussão que os casos picantes das festas têm nos corredores da empresa.
“Teve uma vez que uma mulher casada resolveu se pegar com um colega também casado dentro do banheiro. Alguém viu a cena e resolveu filmar pelo celular. Não dava para ver direito quem era, mas todo mundo sabia, e a empresa inteira assistiu ao vídeo. Como RH eu tive que tentar abafar o caso, mas foi muito constrangedor. Eles andavam pela empresa e todo mundo ficava rindo”, conta ela.
Assédios
Casos como esse não têm grandes consequências no âmbito empresarial, explica Ester, o problema é quando acontecem os assédios, que são comuns. “Geralmente, os homens, de cargo mais alto, se aproveitam da situação para extravasar a paixão platônica por mulheres mais jovens. Teve uma vez que um funcionário de uma empresa resolveu fazer investidas em uma estagiária durante a festa. A diferença de idade era muito grande e ela não estava nem um pouco interessada. Tive que ajudar a menina a fugir e se esconder durante a festa. Ela ficou sentada atrás de mim para eu criar uma barreira física entre os dois durante todo o tempo”, relata.