Menu
Brasília

Distrito Federal tem maior inflação do país

Arquivo Geral

15/12/2017 7h00

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

A inflação de Brasília é quase o dobro da média nacional. Com a maior variação entre as capitais nos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Distrito Federal chegou a 4,31% ante os 2,80% registrados no País. Os principais vilões foram os valores de combustíveis, e gás de cozinha. Com a quinta maior alta do Brasil em novembro, impulsionada pelo grupo de Alimentação e Bebidas, o Distrito Federal passa a ter maior aceleração.

Em 12 meses, o resultado que se sobressai para o crescimento da inflação brasiliense é o grupo de transportes, com 8,31% de variação. Entre os motivos, a Codeplan aponta o aumento do preço da gasolina — resultado da nova política de preços da Petrobras e da elevação da carga tributária sobre o produto — e aumento das tarifas de ônibus, no início do ano. Em seguida, há pressão dos grupos de cuidados pessoais, pressionados pelos reajustes em planos de saúde e salário mínimo, que interfere na despesa do empregado doméstico.

Apesar da variação elevada, o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, Bruno de Oliveira Cruz, valoriza a pequena distância da meta do Banco Central, de 4,5%. “Estamos abaixo da meta, o que mostra uma inflação em nível social melhor do que em anos anteriores, quando chegou a cerca de 10%”, afirma.

Considerando apenas o mês de novembro, a inflação aumentou 0,46%, também acima da média nacional de 0,28%. Alimentação e bebidas representam o maior gasto das famílias brasilienses e foi o único a ter trajetória contrária à média nacional. Enquanto no Brasil o registro foi de queda de 0,8%, aqui, os preços aumentaram 0,76% de outubro para novembro. O mesmo acontece quando analisado os últimos 12 meses: a curva da capital é positiva em 0,27% contra redução de 2,32% na média nacional.

Conforme análise Codeplan, o resultado foi impulsionado pela variação na alimentação fora de domicílio que, em 2017, apresenta seguidas altas diferentemente do resto do país. Em todos os períodos de análise (mensal, anual e dos últimos 12 meses), o café da manhã se apresenta como vilão dos preços, seguido por lanche e refeição.

Comer fora esvazia bolso

Racionamento de água, alta do preço do gás de cozinha e da tarifa de energia elétrica, além dos custos de produção, tornaram exceção a rotina de comer fora de casa. De janeiro a novembro, a alimentação em restaurantes acumulou alta de 4,9%, enquanto comer em casa caiu 3,4% no mesmo período. Com preços em alta, brasilienses esquentam a barriga no fogão e andam com marmita a tiracolo.

O ouvidor Edjekson da Silva, de 40 anos, percebe as variações de preços na rotina. Com costume de “marmitar”, ele fez o teste de almoçar em comércios por um mês. Como resultado, percebeu um gasto médio de R$ 300, o que corresponde a um terço da compra mensal feita no supermercado para casa. “Pesou muito financeiramente. Existe a questão principal de economia, mas também considero a saúde e qualidade da refeição. Fazendo, sei o que tem, como foi feito e posso confiar”, acredita.

Produção

Para estudiosos, a justificativa para o aumento nas refeições externas tem a ver com os custos de produção. “Não é só o alimento. Há gastos com energia elétrica e água, a crise hídrica que mudou rotina, o aumento de gasolina, diesel e gás de cozinha, o aumento do salário mínimo. Também pode ter interferência de possíveis tentativas de recomposição de preço dentro de uma situação de queda de demanda”, explica a gerente de Cotas e Estudos Setoriais da Codeplan, Clarissa Jahns Schlabitz.

Para o economista Fernando Nogueira Cabral dos Santos, é preciso levar em consideração o perfil da produção do DF e Região Metropolitana, rico em frutas, verduras e legumes, que se concentram em pequenos e médios produtores que são impactados pelo clima.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado