Menu
Brasília

Dificuldades no caminho do Núcleo Rural

Arquivo Geral

26/03/2014 7h10

Apesar da proximidade com  o Lago Sul, a realidade no Núcleo Rural Boqueirão, comunidade que vive às margens do Lago Paranoá, é outra. Após quilômetros de estrada de terra batida misturada ao cascalho, é possível ver, no pé do morro, uma sequência de casas simples, onde vivem poucas famílias. O local foi habitado inicialmente por trabalhadores que vieram para as obras da Barragem do Paranoá, em 1957, e ficaram por aqui após a inauguração de Brasília.

Hoje, as famílias vivem da agricultura, comércio e, boa parte, trabalha no Paranoá ou em Brasília. A escola mais próxima fica no Paranoá e, segundo os moradores, só dois ônibus escolares descem para buscar os alunos. As famílias não têm acesso à água encanada e saneamento básico. Pagam somente pelo uso da energia elétrica. Como se não bastassem todas essas dificuldades, na última segunda-feira a área ficou inundada  após a Companhia Energética de Brasília (CEB) abrir três comportas na barragem do Lago Paranoá devido à quantidade de chuvas dos últimos dias. 

Ilhados

A ação foi necessária, já que o lago atingiu o limite considerado seguro. Na manhã de domingo, o primeiro compartimento de 40 centímetros foi aberto. Com o aumento das chuvas na segunda-feira, foi necessária a abertura das  outras duas barreiras de contenção. As três comportas estão abertas em 60 centímetros. Com isso, a água chegou à porta dos moradores e os deixou praticamente ilhados.

Desprevenidos

A decisão, no entanto, pegou os moradores desprevenidos. Eles negam ter recebido o aviso três dias antes, como afirmou a Defesa Civil, e dizem não ter ouvido sequer as sirenes soando no momento da liberação da água. “Todo ano, nessa época, o nível da água sobe, mas recebemos os alertas antes. Esse ano não foi assim. A água chegou na porta do meu bar, nos deixou ilhados e atrapalhou muito o movimento. Tive prejuízo”, lamenta o comerciante Durval Souza, 47 anos. 

A força da água inundou estradas, arrancou árvores e arrastou lixo e animais silvestres, como cobras e peixes, para a área próxima às casas. 

Abertura das comportas

Esta é a primeira abertura das comportas neste ano. Em 2013 houve o mesmo procedimento em fevereiro. A CEB explicou que a abertura é normal e acontece quando o volume de chuva aumenta muito e a usina não pode absorver toda água. Caso o volume de chuva caia, os compartimentos poderão fechados nos próximos dias. 

Administração garante: não há riscos
Com a água alta e, por isso, sem ter como sair ou chegar ao Boqueirão pelas pistas de terra, moradores subiam até o único ponto de ônibus da região ou até o Paranoá, a cerca de 2km, a pé, pelo meio do mato e dos barrancos. 
De acordo com os moradores, só no final da tarde de segunda-feira a Defesa Civil compareceu ao local com uma equipe dos bombeiros. “Eles verificaram a situação e nos aconselharam a deixar nossas casas temporariamente”, lembra o comerciante Durval.  
A dona de casa Alzenira Maria lembra dos momentos difíceis pelos quais passou. “Estava em casa com meu filho e água começou a subir. Moramos há 15 anos aqui e já estamos acostumados, mas dessa vez foi muito rápido. Meu esposo precisou atravessar a água com a nossa filha no colo para ela poder ir para escola”, lembra.
Área arborizada
Francisco Magalhães, do Núcleo de Topografia da Administração Regional do Paranoá, garante, porém, que apesar do acesso ao Boqueirão ser difícil, as famílias que vivem na área não estão em situação de risco. “Tem muito cascalho misturado à terra e é uma área arborizada. A enorme quantidade de árvores próximo ao lago, ajuda a firmar os barrancos e evita deslizamentos de terra”, afirma.
 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado