Amanda Karolyne
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Uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, hábitos que todo ser humano deve priorizar para ter qualidade de vida, também reduzem os riscos de câncer de mama. Outros aliados, os exames radiológicos e o consequente diagnóstico precoce podem colaborar para reduzir taxa de mortalidade em 40%.
Por falta de acesso e de informação, ou por medo, muitas mulheres não fazem a mamografia para detectar possíveis lesões na mama. Segundo o Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% de brasileiras não têm alcance ao exame. A médica radiologista Janice Lamas aponta que, infelizmente, só são atendidas na rede pública mulheres em situações mais graves, devido às limitações do atendimento. “Mas a finalidade do diagnóstico precoce é justamente evitar que o tumor evolua”, destaca.
A radiologista enumera ainda outras doenças que podem se manifestar na mama, como lúpus, e as que afetam sistema imunológico, como a Aids. “Tumores como leucemia, linfoma e da hipófise podem muitas vezes surgir como uma manifestação inicial nas mamas”, diz.
Ela cita que muitas mulheres se sentem desconfortáveis com a compressão da mama, mas o exame é muito necessário. “E é até cultural”, argumenta. Por esse conjunto de questões, como o medo da dor e do diagnóstico, de ser estigmatizada e por conta do custo, muitas não o fazem.
A funcionária pública Sirlene Otaviano Campelo, 54, sabe a importância da prevenção. Ela faz a mamografia todo ano e, ainda assim, em 2009, descobriu o câncer de mama. “Estava sentindo muito calor e resolvi procurar minha ginecologista de novo. Foi quando ela percebeu um nódulo bem pequeno na mama esquerda”, relata.
Sirlene fez cirurgia e passou por quimioterapia oral por cinco anos. Ano passado, numa das consultas de acompanhamento, foi informada de que poderia haver reincidência. Sem plano de saúde, ela se apegou à fé e contou com a campanha Outubro Rosa como aliada. Logo foi encaminhada para a retirada e reconstrução dos seios.
“Não é todo mundo que consegue que se retire e se reconstrua de uma vez. Como estava no hospital público, vi muita gente que não chegou ao fim do tratamento, porque nesses hospitais eles fazem o mínimo”, confessa.
Por conta de complicações na operação, a radioterapia queimou parte da mama esquerda. Mas Sirlene nunca se abalou. Aliás, desde quando soube que estava com câncer, quem sofreu mais foram os parentes. “Dei mais força para eles, porque eu já não precisava”, assegura. Ela mostrou seu lado emocional bem controlado a todo momento, até por confiar na equipe médica que a acolheu e se sentir abençoada. Até hoje, a paciente fala com gratidão da equipe do Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
Mamografia a partir dos 40 anos
A médica Janice Lamas explica que o diagnóstico precoce, pela mamografia, pode detectar o tumor antes de ele ser palpável. No entanto, esse procedimento é recomendado para mulheres acima de 40 anos. Antes disso, realiza-se a ecografia mamária.
O câncer de mama atinge principalmente mulheres de 45 a 69 anos. “Mas existem casos entre pacientes mais jovens, principalmente devido à genética”, adverte Janice. Ela explica que são situações mais raras, pois 80% dos casos envolvem outros fatores.
Apontando uma mudança com essas gerações mais novas, Janice Lamas fala que os casos de lesões mamárias benignas em mamas jovens têm crescido porque as moças estão indo atrás de perceber as mudanças no corpo mais cedo. Ela afirma que a maioria das lesões abaixo dos 35 anos é benigna, mas é recomendado manter um acompanhamento. Ainda assim, tranquiliza sobre o risco.
Frisando que o segredo de uma prevenção assegurada está na alimentação, a médica lembra que é preciso evitar carne, refrigerante e alimentos marrons. Indica uma alimentação mais natural possível, com alimentos ricos em selênio, que é anticancerígeno, como as castanhas.