No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas são portadoras do diabetes. No Distrito Federal, 200 mil pessoas convivem com a doença. Em Ceilândia, uma das regiões administrativas mais populosas da Capital, 75% dos 9 mil pacientes cadastrados, estão em acompanhamento nos grupos de diabetes dos centros de saúde local.
“O diabetes é um distúrbio do pâncreas, órgão que secreta a insulina, hormônio responsável pelo metabolismo da glicose que ingerimos. Nesta doença há uma resistência na ação desse hormônio, que leva em última instância, a deficiência na sua secreção, o que caracteriza o diabetes na elevação da glicemia”, esclarece o endocrinologista e coordenador do Programa de Educação Continuada do Diabetes de Ceilândia, Ronaldo Gomes da Silva.
Segundo Ronaldo Gomes, o pé diabético constitui uma das complicações mais devastadoras do diabetes e pode levar a amputação. “É necessário avaliação dos pés do paciente para identificar algum problema para que sejam tomadas as medidas adequadas de prevenção de ulceração”.
Em Ceilândia, no centro de referências, ao lado do HRC, há um ambulatório específico para tratar o pé diabético.
O Programa do Diabetes na rede pública do DF tem como porta de entrada as unidades básicas de saúde, onde o paciente, ao ser diagnosticado pelo clínico, deverá ser cadastrado e receberá todas as orientações e marcações de consultas com a equipe multidisciplinar composta de endocrinologistas, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, educadores físicos e nos casos mais complexos (complicações da doença) é necessário a intervenção dos oftalmologistas e nefrologistas.
Para o especialista, “é importante ressaltar que a obesidade e a síndrome metabólica atuam como pano de fundo da resistência a insulina e são considerados os principais causadores da doença”.
Sintomas da doença
O diabetes tipo 2 (adulto) é pouco sintomático. O paciente muitas vezes convive alguns anos com a doença sem o diagnóstico e descobre em uma consulta de rotina com o clínico. Em geral os sintomas são: excesso de urina e sede, perda ou ganho de peso e infecções de repetição principalmente na pele.
O diabetes é uma doença silenciosa que constituem grandes mazelas que podem levar a retinopatia diabética (cegueira), a nefropatia diabética (perda da função renal) principal causa de diálise, neuropatia diabética em que o paciente tem um grande espectro de complicações que vão de uma dor intensa e perda da sensibilidade que leva ao pé diabético a amputação ou ulceração, além das doenças cardiovasculares e arteriais dos membros inferiores e acidente vascular cerebral (AVC).
Medicação
O diabetes constitui uma das áreas da medicina com maior número de novos medicamentos pesquisados. Atualmente existem várias classes novas já aprovadas com enfoque na melhoria da glicemia com destaque na diminuição dos episodios de hipoglicemia e outros que levam a discreta redução de peso.
De acordo com o especialista devido o alto custo de algumas medicações, ainda, não estão disponíveis na rede devido a estudos adicionais. Talvez os grandes avanços tenham sido na síntese de análogo de insulina com menor variabilidade diária e menor índices de hipoglicemia disponíveis na Secretaria de Saúde do DF, informa.
Ronaldo Gomes informa que a SES dispõe de uma gama efetiva de medicamentos para o tratamento da doença como, metformina, sulfoniluréias que são a gliclazida e a glibenclamida e nos casos mais avançados dispomos de insulinas: (nph), regular, análogo, de ação prolongada e análoga de insulina ultra-rápida.
A SES também oferece vários insumos como seringas de insulina, lancetadores profissionais, agulhas para caneta de insulina.