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Brasília

Dia do Trabalho, Dia sem Trabalho: contradições marcam o 1º de Maio do DF

Arquivo Geral

01/05/2018 9h02

Myke Sena

joão paulo mariano
redacao@grupojbr.com

Com 307 mil pessoas desempregadas, em um universo de cerca de 3 milhões de pessoas, Brasília comemora este Dia do Trabalhador com o desafio de levar ocupação a quem não tem. Até porque o brasiliense demonstra não ter preguiça de trabalhar. Segundo o IBGE, aqui, 36 mil pessoas têm dois ou mais empregos, o equivalente a 2,5% da população.

Já uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, em todo o território nacional, mostra que 63% das pessoas com carteira assinada trabalham mais hoje do que há dez anos. Para piorar a sensação de aumento de jornada, apenas um terço dos empregados afirma estar satisfeito com o que faz. Apenas 25% deles estão tomando alguma atitude para mudar essa situação, mesmo que 56% tenham o desejo de mudar.

O descontentamento, às vezes, chega a ser tão grande que 35% deles acreditam que ficarão apenas mais um ano em suas atuais empresas, e 33% devem permanecer pelo dobro ou quádruplo desse tempo. Mas não é só o salário que será revisto nesse período de possibilidades de trocas. De acordo com a pesquisa, na hora de buscar um novo emprego, seis em cada dez brasileiros consideram importante avaliar outros aspectos na hora de escolher nova vaga.

Vida corrida

Em vez de mudar de profissão, Vanessa Rodrigues, 37, preferiu juntar duas paixões: as vendas e o jornalismo. Assim, ela é uma das muitas que, como diz a pesquisa, trabalham mais hoje em dia que há dez anos. Como isso ocorreu? Ela não tem dúvidas: “É por uma questão de necessidade. Há dez anos eu não tinha filhos”. Agora, o Mateus, 10, e o João, 7, tomam bastante tempo e energia da mãe.

Devido às duas jornadas, o dia a dia é intenso. Começa às 6h, em Águas Claras, quando ela arruma as crianças para a escola. Em seguida, sai de casa e começa no primeiro trabalho, em Ceilândia. Como gerente de vendas, ela comanda 30 pessoas e, indiretamente, outras 2,5 mil. Isso vai até as 19h.

Ao chegar em casa, além de cuidar das crianças, ela precisa começar o segundo trabalho, em regime home office, em uma assessoria e em um jornal da cidade onde mora. Ela não abandona essas atribuições, pois é quando pode exercer a formação escolhida na juventude. Dessa forma, desempenha as duas atribuições que faz melhor.

Guerreiras

Já para a cuidadora Ana Martins, 40 anos, a necessidade de acumular duas ocupações é para viabilizar uma boa educação para os filhos. Mas, até assim, a situação não está tão fácil. “Atualmente, eu trabalho em dois locais e mal dá para o meu sustento e de minha família. Eu penso até em trabalhar mais”, afirma a cuidadora, que zela de idosos em um horário e de crianças em outro.

Ela espera que, com o tempo, consiga amenizar as dificuldades financeiras. Ser cuidadora, para Ana, é fazer aquilo que gosta e que faz com carinho e amor. “Até porque, em geral, quem precisa de cuidado está em uma situação delicada”, complementa a profissional.

Mulher acima da média

No DF, as mulheres trabalham em média 38,4 horas por semana, em todos os empregos. O índice ficou acima da média nacional, que é de 36,9 horas. Porém, para os homens, isso não ocorre: no Brasil, a média é de 41,5 horas, enquanto, no DF, é de 40,9 horas. Ao todo, aqui, são 142 mil pessoas, 10%, que trabalham 49 horas ou mais por semana. A maior parte dos brasilienses, 852 mil, tem jornadas semanais de 40 a 44 horas. O que equivale a 59,8% do total.

Apesar de tanta gente trabalhando muito, há 307 mil brasilienses em busca de uma chance. O GDF garante que enfrenta a questão e até comemora um aumento de 29 mil pessoas empregadas no DF, de março de 2017 a março deste ano, segundo Pesquisa Emprego e Desemprego, divulgada pela Secretaria Adjunta do Trabalho.

Os setores de serviços, do comércio e da construção civil foram os que mais apresentaram aumento. Respectivamente, 16 mil a mais, sete mil e sete mil. Apesar dos resultados positivos no período de um ano, o desemprego cresceu 0,7% – foi de 18,2% para 18,9% – de fevereiro para março deste ano. (Colaborou Ana Clara Arantes)

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