Por Elisa Costa
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Comemorado todo 31 de maio, o Dia Mundial Sem Tabaco se torna importante para alertar sobre os perigos do produto e incentivar a população a parar com o hábito de fumar. No Brasil e no DF, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo acontece simultaneamente, a fim de auxiliar no processo de cessação. O programa promove ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, além de ações legislativas e econômicas de prevenção ao tabagismo.
Para muitos, a decisão de parar de fumar pode ser difícil diante do estresse gerado pela pandemia, mas nunca é tarde. Para aqueles que desejam procurar ajuda e largar o vício, dá para recorrer à rede pública de saúde. O cidadão que procura o tratamento pode se inscrever em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) do DF, para ser encaminhado a um dos centros de referência distribuídos pela capital federal.
Primeiro, é feita uma abordagem cognitivo-comportamental, com quatro encontros semanais (individuais ou em grupo) acompanhados por um médico, e se necessário, é passado o tratamento com medicamento. Segundo a gerente de Vigilância das Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção à Saúde do DF, Márcia Vieira, a oferta do tratamento deve ser contínua, pois só após a terceira ou quarta tentativa é que os usuários realmente conseguem deixar o vício.
Segundo a Secretaria de Saúde do DF, (SES-DF), a rede pública de saúde local atendeu 875 usuários, onde 385 fizeram o tratamento completo e 283 pararam de fumar. Segundo Nancilene Melo, da equipe técnica de Controle do Tabagismo, são realizadas ações educativas ao longo de todo o ano, mas principalmente em datas pontuais como 31 de maio. “Realizamos também a capacitação de profissionais da Educação, a fim de trabalhar o tema com os jovens e a capacitação de profissionais da Saúde, para a abordagem dos fumantes de forma adequada”, adicionou.
A pasta também promove eventos, palestras, seminários em instituições públicas e privadas para disseminar informação e disponibiliza um canal de atendimento para usuários, o Disque Saúde 136. “Os interessados podem procurar a unidade mais próxima do seu domicílio ou trabalho, onde serão acolhidos e receberão todas as informações necessárias”, finalizou Nancilene.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, é responsável por orientar os órgãos estaduais e municipais sobre o tema, e trabalha constantemente com a conscientização da sociedade acerca do tabagismo. “O tabaco causa diferentes tipos de inflamação e prejudica os mecanismos de defesa do organismo. […] Ao deixar de fumar, os benefícios à saúde são imediatos, pois após 12 a 24 horas os pulmões dos fumantes já funcionam melhor”, explicou em nota.
Por esse motivo, o instituto divulga regularmente alguns conselhos para quem quer parar com o hábito desde já. Confira:
- Marque uma data para deixar de fumar;
- Enquanto o dia que você marcou não chega, reduza o número de cigarros diariamente, começando pelo adiamento do primeiro cigarro do dia;
- Não fume depois do café da manhã, almoço, lanche e jantar;
- Quando der vontade de fumar, tente se distrair: ligue a TV, tome um banho, coma uma fruta, faça um exercício, etc;
- Lembre-se que a vontade de fumar diminui com o passar do tempo.
Entenda
O tabagismo é uma doença crônica causada pela dependência da nicotina, substância presente no tabaco e está relacionada ao desenvolvimento de cerca de 50 enfermidades. Entre elas, o câncer, doenças do aparelho respiratório, infarto cardíaco, angina, hipertensão e acidente vascular cerebral. Além disso, pode desencadear impotência sexual, osteoporose, catarata, menopausa precoce e complicações na gravidez.
O Dia Mundial Sem Tabaco foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objetivo de informar sobre as consequências do uso. Segundo a organização, o tabaco mata cerca de 7 milhões de pessoas por ano pelo uso direto, enquanto 1,2 milhão morre pelo fumo passivo. A condição é considerada a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que em 2019, 12% da população do Distrito Federal era fumante, correspondente a mais de 280 mil pessoas. Os números de 2020 e 2021 não foram calculados devido a pandemia, mas a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) afirmou que foi observado um aumento da carga tabágena entre os fumantes nesse período.
Em média, o percentual de desistência dos que procuram tratamento é de 50%, mas em 2020, depois da chegada da pandemia, o percentual chegou a 64,3%, fenômeno que pode ser explicado pelo aumento dos estresses emocionais. A quantidade de pacientes que utilizam medicação para a cessação também aumentou e registrou 97,5% no terceiro quadrimestre daquele ano.
Fator de risco para a covid!
Segundo o INCA, fumar aumenta o risco de infecções por vírus, bactérias e fungos. Os dados da OMS constatam que os fumantes têm risco de duas a quatro vezes maior de contrair doença pneumocócica invasiva, associada à alta mortalidade, e duas vezes mais risco de contrair a tuberculose.
Um estudo feio na China indicou que entre os fumantes, os homens têm maior probabilidade de morrer pelo vírus do que as mulheres, que também pode ser justificado pelo maior número de usuários de tabaco do sexo masculino. Entre os pacientes com covid, as chances de progressão da doença foram 14 vezes maior entre aquelas com históricos de tabagismo.
Operação investiga contrabando de cigarros eletrônicos
Nessa segunda-feira (30), a Polícia Federal deflagrou a Operação Tabaco Trend, que atua contra o contrabando de cigarros eletrônicos no Distrito Federal. Isso porque de acordo com a Âgencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a venda do produto ainda é ilegal no território brasileiro, contudo, os dispositivos são encontrados facilmente em lojas, tabacarias, distribuidoras e feiras.
Só nessa segunda, as forças policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão em bancas da Feira dos Importados de Brasília (FIB). As investigações encontraram indícios de delito de contrabando que não descartam a prática associada ou vinda de uma organização criminosa. O material apreendido será encaminhado à Receita Federal. A operação conta com o apoio da Polícia Civil e Polícia Militar e deve visitar diversos outros pontos da cidade.
Chamados de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), os aparelhos alimentados por uma bateria de lítio é composto por um cartucho com nicotina líquida e um atomizador que aquece e vaporiza a nicotina. O usuário traga a substância junto à água, aromatizantes e outros aditivos. Com o aumento da temperatura no dispositivo, ocorrem reações químicas e mudanças físicas que formam outras substâncias potencialmente tóxicas.
Em um estudo feito pelo Instituto Nacional do Câncer, é destacado que o uso de cigarro eletrônico aumenta em mais de três vezes o risco de uso do cigarro convencional. O motivo é a presença da nicotina e os comportamentos semelhantes ao do uso do cigarro, como o movimento de levar algo na boca, inalação e expiração. O uso de DEFs pode causar envenenamento, convulsões, dependência, traumas, queimaduras causadas por explosões e doenças respiratórias.