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Brasília

Dia em que a Terra deveria parar

Arquivo Geral

21/12/2012 7h50

Soraya Sobreira
soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br

 

A notícia de que a existência humana termina hoje tem levado algumas pessoas a pensar em como aproveitar o último dia na Terra.  Os mais descontraídos pretendem lotar os bares da cidade. A promessa é comemorar em alto estilo, no embalo de uma boa música e regado a muita cerveja.  Há os que querem aproveitar os últimos minutos para pedir perdão dos pecados e assim conseguir um bom lugar no pós-morte.  Também existem os céticos que não aguentam mais a história de fim do mundo, que se repete de tempos e tempos.

 

De uma forma ou de outra, a teoria nada científica de que os maias teriam marcado em seu calendário que a data 21/12/2012 seria o fim dos ciclos tem sido alvo de debates nas ruas, trabalho e redes sociais.

 

Pior para a vendedora Nete da Costa, que faz 48 anos hoje e teme não ter como aproveitar o dia. “O que intriga é que tudo se encaixa quando vemos tantas coisas ruins acontecendo. Eu tenho medo”, confessa. Ela diz que a única saída é esperar para ver. “Eu não concordo e nem discordo. Vai que todo mundo fica achando que não vai acabar e é pego de surpresa?”, questiona  a vendedora.

 

Mesmo assim, ela pretende seguir normalmente para o trabalho. “Só porque tem que ir mesmo, mas se eu observar que as coisas não estão normais, vou tentar chegar o mais rápido possível em casa para morrer com minha família”, revela. Ela também diz que vai pedir perdão pelos pecados. “ Quero fazer uma oração a Deus para ver se vou para um lugar melhor que este”, espera. Se tudo ocorrer bem, o marido e filhos comemorarão seu aniversário à noite.

 

Bom churrasco

O comerciante Éder Monteiro, 29 anos, abriu sua casa para os que querem terminar os dias comendo um bom churrasco. “Acho que tem que comer e beber bem. Uma cerveja gelada é boa até para quem não quer nem ver o mundo acabar”, diz.  Para confirmar que em catástrofes todo mundo fica solidário, ele pretende distribuir todas as suas mercadorias. “Ninguém vai poder levar nada mesmo”, sorri afirmando que não tem medo da morte e sim da vida.

 

No que depender do digitador Luís Conceição, 30 anos, os bares estarão lotados e com os freezers vazios. “Quer coisa melhor terminar dançando um pagode no bar bebendo todas?”, indaga, dizendo que também faz questão de uma boa companhia. “Uma mulher bem bonita para terminar bem na fita, amando muito”, afirma Luís.

 

Os bares de Brasília, aliás, estão apostando na oportunidade. Os interessados podem dar uma passada no Líbanus, na Asa Sul. “Vamos estar preparados para acolher as pessoas”, afirma a gerente Hévila Marinho. O bar estará aberto a partir das 11h.

 

O Beirute da Asa Norte aguarda um público médio para hoje de 280 pessoas. “Todo dia, imaginamos que o mundo vai acabar com tanto movimento”, brinca o gerente Lincoln Carlos. Ele diz estar preparando um superestoque de cerveja gelada para celebrar a data.

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