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Brasília

Dia dos Pais: O desafio da paternidade precoce

Arquivo Geral

12/08/2016 7h00

Myke Sena

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

Todos os dias, homens iniciam o processo de ser pai. Quando isso ocorre na adolescência ou início da juventude, os desafios são ainda maiores, já que é necessário aprender a lidar consigo mesmo e com outra pessoa que vai precisar dele pelo resto da vida.

Neste domingo, é dia do Felipe e também do Rafael. Os dois tiveram a certeza de que seriam pais depois de abrir o envelope de um exame de sangue. Ambos admitem que queriam ter filhos jovens e sempre tiveram jeito com crianças, mas ficaram assustados. Não é para menos, pois Felipe de Castro, 20, recebeu a notícia aos 18 anos, e Rafael Melo, 31, aos 17. Mesmo sem saber ainda o que queriam para a vida, eles precisaram correr atrás para se manter firmes e sustentar a criança que chegaria em alguns meses.

Felipe Castro e Sofia. Foto: Myke Sena

Felipe Castro e Sofia. Foto: Myke Sena

O consultor de vendas Felipe começou a namorar a também consultora Alessandra de Araújo, hoje com 22, em 2012. Eles se conheceram em um grupo de dança, em Taguatinga. Em 2014, depois de dois anos de namoro e alguns sustos, os dois descobriram que a linda Sofia, hoje com um 1 ano e 4 meses, iria nascer. “Deu um desespero total. Fiquei sem chão”, afirma Felipe.

O casal escondeu a gravidez por mais quatro meses por não saber o que fazer. Ele diz que só começou a ficar estável quando contou para os pais de ambos. Todos apoiaram.

Quando o publicitário Rafael descobriu a gestação da então namorada, cursava o Ensino Médio e estava desempregado. Em um início de janeiro, há 13 anos, pegou o exame de sangue sorrindo e ficou feliz. A companheira se desesperou. “Eu queria corrigir minhas carências de filho tendo um filho”, diz o publicitário ao admitir não ter uma relação tão aberta com o pai. Essa seria a chance. Assim que contou aos pais, teve todo o apoio.

Vivendo o desafio

A dança faz parte da vida de Felipe de Castro desde os 13 anos. Ele treinava ao menos três vezes por semana e dava aula. Mas decidiu mudar de emprego. Tornou-se consultor de vendas em uma empresa de cosméticos e perfumaria e não se arrepende. Sofia hoje é uma prioridade, e antes não seria possível dar atenção a ela e ter dinheiro suficiente para o seu sustento.

Mudança de postura

Felipe não sabe dizer quando percebeu que se tornou pai – ele considera que ainda é tudo muito recente. “Depois do parto, eu pensei ‘agora, não é mais um projeto. Isso depende de você’. Eu vivo isso todo dia. Ligo, pergunto, me importo”, assegura. Foram 22 horas de trabalho de parto, ele acompanhou de perto as últimas oito.

Ponto de vista

Para a psicóloga Fabiana Cassimiro, a questão cultural faz com que a mãe assuma a responsabilidade e não o homem. A profissional lembra que, na adolescência, é mais difícil ter a maturidade necessária para entender a mudança na vida. Fabiana ressalta que o pai parece ter mais escolha que a mãe, já que ela tem o papel de gerar a criança. “É importante que as famílias ajudem e cobrem do jovem o cuidado com o filho”, alerta. Fabiana entende ser importante que os pais tenham diálogo sobre tudo, inclusive sobre sexualidade, para que os jovens saibam lidar com os questionamentos da adolescência e possam escolher quando ter um filho.

“Eu era um moleque criando um moleque”, relata Rafael Melo ao lembrar que, sem a ajuda da mãe, não sabe como conseguiria criar Cauã, que hoje tem 13 anos. Rafael confessa que só se percebeu pai três anos após o nascimento do garoto. Nesse meio tempo, considera que a antiga companheira foi “pãe, pai e mãe”, e só depois ele se deu conta de que tinha que mudar.

Aos 21 anos, certo dia, Rafael chegou bêbado em casa e começou a brigar com a mãe de Cauã. Depois daquela madrugada, toda vez que começava uma discussão com alguém, a criança falava: “Se você não parar, eu vou chamar a polícia”.

O medo do filho o deixou horrorizado e foi o que precisava para mudar. Depois disso, Rafael é que virou “pãe” e não largou mais a criança. Segundo ele, atualmente, há um “elo inquebrável” entre os dois e é isso que ele tenta manter. O publicitário sempre pede ao adolescente não seguir as coisas ruins que fez, e parece ter dado certo.

Eles conversam sobre tudo, inclusive sobre sexo, e tentam manter “uma porta de diálogo aberta”. Para Cauã, é mais divertido ter um pai jovem. Ele diz que todos pensam que os dois são irmãos.

Para os que vão enfrentar ou já passam pela paternidade precoce, Rafael aconselha a encarar a experiência com firmeza: “É a melhor coisa, mesmo com as dificuldades. Meu filho é meu maior presente. Eu compartilho as dificuldades e problemas. Ele é meu brother”.

 

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