Eles se conheceram em locais improváveis: em um voo, na delegacia, na internet. Desafiando a razão, esses casais são a prova de que não há hora nem lugar para achar a tampa da panela, afinal, como já dizia Renato Russo, “não existe razão para as coisas feitas pelo coração”.
A empresária Luciana Etcheverry, 42 anos, e o piloto Juliano Etcheverry, 45, eram adolescentes quando se conheceram em um voo fretado, do Rio de Janeiro para Brasília. “Cheguei atrasada e a única poltrona disponível era ao lado dele. Estava apreensiva porque tenho medo de avião. Para me acalmar, ele veio contando piadas do Rio até aqui. Viramos amigos. Até o dia em que ele arrumou uma namorada”, conta a empresária.
Eles se reencontraram seis anos depois. “Eu o vi na porta de um banco. Sabia que o conhecia, mas não lembrava de onde. Já estava quase entrando no carro quando ele me chamou pelo nome. Conversamos um tempo, mas eu ainda não o reconhecia. Até que ele me chamou pelo antigo apelido, Lulu. Eu, literalmente, pulei no colo dele. Abracei, beijei”, conta.
Com Juliano morando no DF, o casal prometeu não perder contato. “Dias depois, ele me ligou e fomos a uma festa. Só no fim da noite ele me beijou. Desde então, não nos desgrudamos”. Após dois anos de namoro, eles se casaram. Juntos há 17 anos, têm dois filhos, Gustavo, 11, e João Pedro, 13.
“Amnésia”
Já a fisioterapeuta Mirely Calixto, 23 anos, e o comerciante Jean Felipe, 21, se conheceram por intermédio de uma amiga, em uma festa. Até aí, tudo normal, não fosse pelo fato de ela não se lembrar de nada no dia seguinte porque bebeu um pouco além da conta.
“Uma semana depois, ele conseguiu meu endereço e foi à minha casa sem dizer nada. Achei estranho, uma pessoa que eu tinha visto uma vez e nem lembrava direito, mas ele foi muito gentil e me encantei”, diz ela.
Jean diz que a beleza de Mirely chamou sua atenção. “Moro no Gama e fui ao Núcleo Bandeirante porque queria conhecê-la melhor. Fomos lanchar e, antes de ir embora, lhe roubei um beijo. Foi incrível a forma como as coisas aconteceram. Ela me faz muito feliz”, afirma ele.
Também existe amor na delegacia
Simone Aguiar, 45 anos, e Ronaldo Batista, 36, se conheceram em um lugar onde o clima é pesado: a delegacia. Os dois são agentes da Polícia Civil e se esbarraram após ele ser transferido para a unidade. “Assim que o Ronaldo chegou, minhas colegas comentaram que ele estava me paquerando. De fato, ele fazia de tudo para me agradar. Mas eu já havia sido casada, tinha filhos, e ficava criando barreiras”, conta.
Até que, em uma confraternização, Simone não teve escapatória. “A única cadeira livre era ao lado dele. No final, ele me chamou para sair. Expliquei minha situação, disse que estava há anos sem namorar, mas ele quis mesmo assim. Foi a primeira vez que ficamos”, explica.
Eles evitaram contar para os colegas até o dia em que um fato curioso ocorreu. “Um rapaz estava registrando ocorrência na mesa de Ronaldo quando eu passei. Ele perguntou o meu nome. Ronaldo ficou quieto, mas o cara insistiu e chegou a levar chocolates. Foi aí que eu disse que era comprometida e que meu namorado era o policial que havia o atendido. O rapaz levou numa boa. Mas, depois disso, decidimos que era hora de tornar o relacionamento público”, diverte-se.
Ronaldo diz que se interessou pelo jeito de Simone. “Casamos, tivemos um filho, e ganhei mais três crianças, as dela”, orgulha-se.
Tinder, shows, curso de idiomas
Jéssica Lília, caixa, 22 anos, e Ramonn Cabral, gerente de loja, 25, se conheceram no Tinder no ano passado. Apoiados por uns e desencorajados por outros, eles foram morar juntos após meses de namoro. Ela deixou o estágio e a universidade. A decisão, conta, não teve influência de Ramonn e foi tomada para deixar para trás tudo o que não a fazia feliz.
O relacionamento começou dois dias após se conhecerem. “Desde então, não teve um dia que a gente ficou sem se ver. Foi rápido e isso assustou as pessoas. Para nós, foi natural. A gente se gostava e queria estar perto”, diz ela. Ramonn diz que conhecer Jéssica foi a melhor coisa que lhe aconteceu. “Penso que vamos olhar para trás e nos emocionar com a nossa trajetória”, acredita ele.
Comprometido
Luana Póvoa, jornalista, 30 anos e Eduardo Santin, empresário, 34, se encontraram pela primeira vez em uma festa em Cristalina (GO), há 12 anos. “Eu estava em um show sozinho e a achei muito linda. Trocamos olhares, mas, como tinha namorada, fiquei sem graça. Ela perguntou se não conversaríamos e nos beijamos. Não tive coragem de dizer que era comprometido e marcamos de ir à pecuária. Nos encontramos e apresentei minha namorada a ela. A Luana saiu de perto bem brava”, admite.
Algum tempo depois, Eduardo terminou o namoro. “No ano seguinte, fui à pecuária, vi uma loirinha e a surpresa: era Luana. Ela se lembrou de mim e não quis papo. No ano seguinte, de novo. Depois, morei fora do Brasil e, quando voltei, ela me adicionou no Facebook. Fui à casa dela no mesmo dia, pedi desculpa e tenho mostrado que mudei”, afirma ele. Luana diz que, apesar de ter ficado uma década sem notícias de Eduardo, hoje percebe que foi melhor assim. “Estamos noivos e vamos nos casar em janeiro”, alegra-se.
Em um curso
Cecília Benedeti, servidora pública, 30 anos, encontrou seu amor em um curso de inglês. Ela funcionária, ele aluno. “Quando ele foi fazer a matrícula, trocamos olhares. Pouco depois, ele ligou na escola atrás de mim. Saímos um mês depois de nos conhecermos. No mesmo dia, ele foi lá em casa, falou com meu pai e me pediu em namoro sem nem me beijar”, comenta Cecília. Ela e Marcos Antônio, analista de sistemas, 38 anos, estão casados há dez anos e têm dois filhos.
Um recado para a sociedade? Siga seu coração. “Toda forma de amor é válida. A sociedade adora impor regras pra tudo, mas, no amor, não há fórmulas, não há um manual”, avisa Ramonn Cabral.