Para o aluno que faz parte de um programa de estágio, os últimos semestres da faculdade podem significar um período de incertezas. Além da pressão para a tão sonhada formatura, o acadêmico se vê diante de um grande dilema: a efetivação. Embora nem sempre as empresas tenham vagas disponíveis no momento em que o estagiário deve se desligar, estatísticas locais podem animar o jovem brasiliense nesta quarta-feira que antecede o Dia do Trabalho: em média, dois em cada três estagiários permanecem nas empresas.
Os dados são do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), que revelam que a taxa de efetivação de estagiários no Distrito Federal é de 64%. Já os menores aprendizes (por lei, maior de 14 anos e menor de 24 anos) têm um percentual de efetivação ainda maior: 70%. De acordo com o Ciee, o Distrito Federal conta hoje com 19 mil estagiários e 3,1 mil menores aprendizes.
Dedicação
Especialistas lembram que o início de uma carreira, no entanto, não depende só da empresa. É imprescindível que o estagiário demonstre interesse, dedicação, pontualidade e, acima de tudo, procure sempre surpreender o chefe. Por outro lado, a falta de experiência e a chance de a empresa poder “lapidar” este funcionário são fatores que pesam na hora da contratação. Se o estagiário demonstra interesse pelo cargo e carrega consigo o perfil da empresa, o início de uma carreira profissional pode estar próximo.
Oportunidade
Na época com 20 anos, a estudante do 7º semestre de direito Natasha Lira de Abreu, 22, viu a oportunidade de começar um estágio que seria determinante para o seu futuro: trabalhar e aprender macetes da profissão na Justiça Federal. “Minha amiga decidiu trabalhar em outro lugar e me indicou. Levei meu currículo, o pessoal gostou e logo comecei a estagiar. Na época nem pensava que poderia ser efetivada. Apenas pensei que seria algo que ia me ajudar naquele momento e contribuir para a minha carreira”, confessou.
Depois de estagiar por dois anos, o contrato chegou ao fim. Mas o aperto no peito durou menos de um mês, quando ela recebeu uma ligação do seu chefe. “Ele já tinha dito que possivelmente eu não ficaria, pois as vagas estavam todas preenchidas. Mas, por outro lado, disse que me chamaria quando aparecesse uma chance. Em menos de um mês abriu uma vaga e eu fui contratada”, contou.
Oportunidade de aprender na prática
Atualmente, a estudante de direito Natasha Lira, agora contratada, auxilia no atendimento de advogados, distribui processos e dá todo suporte na turma recursal da Justiça Federal, e se orgulha do que faz. “Valeu muito a pena ter estagiado, aprendi muita coisa ali dentro”, reconhece.
Mas, para chegar onde chegou, ela afirma ter se esforçado muito a cada dia. “Sempre fui elogiada, pois tenho facilidade para aprender e tentava resolver as coisas sem ter que levar o problema ao meu chefe. Isso ajudou”, considera.
Conselho de quem passou pelo estágio e hoje está efetivada, Natasha diz que acatar as decisões do chefe e corresponder às expectativas são primordiais. “O estagiário pode ser rápido e eficaz ao mesmo tempo, e isso chama a atenção”.
Currículo pode fazera diferença
Há um mês estagiando em uma empresa de assessoria de comunicação, a estudante do 6º semestre de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) Taise Borges, 21 anos, já tem uma meta para o seu futuro. Ela começou cedo a trabalhar e seus primeiros passos dentro da área começaram em uma empresa júnior.
“Trabalhei um ano na empresa júnior de jornalismo da UnB. Além disso, também faço parte da Federação das Empresas Juniores do DF. Isso foi um diferencial na hora de ser chamada para estagiar na empresa em que estou atualmente. Acredito que meu currículo se destacou dos demais”, argumentou.
Apesar do pouco tempo na empresa, ela tem planos de crescer. “O ambiente da empresa é muito bom, eles foram muito receptivos e já percebi muita confiança. Isso motiva e faz com que sempre tentamos ser melhor naquilo que fazemos. Estou na profissão que amo e quero continuar atuando em assessoria”.
O presidente do Instituto Fecomércio-DF, Adelmir Santana, exaltou a pulverização de estagiários em diversos setores profissionais. “No passado, os estagiários eram destinados apenas às grandes empresas e bancos. Hoje, essa concepção mudou e muitos empresários já sentiram os pontos positivos de recebê-los. Eles têm dado retornos significativos”.
Santana disse que a integração é importante para que o acadêmico se sinta cada vez mais à vontade para desempenhar sua função. “O estagiário é alguém com ideias novas, uma pessoa capaz de renovar o ambiente e que vai dar tudo de si para colaborar com a empresa.”
Empresas moldam colaboradores