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Brasília

Dia do Trabalho: estágio, a porta para o início de uma carreira

Arquivo Geral

30/04/2014 7h00

Para o aluno que faz parte de um programa de estágio, os últimos semestres da faculdade  podem significar um período de incertezas. Além da pressão  para a tão sonhada formatura, o acadêmico se vê diante de um grande dilema: a efetivação. Embora nem sempre as empresas tenham vagas disponíveis no momento em que o estagiário deve se desligar, estatísticas locais podem animar o jovem brasiliense nesta quarta-feira que antecede o Dia do Trabalho: em média, dois em cada três estagiários permanecem nas empresas.

Os dados são do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), que  revelam que a taxa de efetivação de estagiários no Distrito Federal é de 64%.   Já os menores aprendizes (por lei, maior de 14 anos e menor de 24 anos) têm um percentual de efetivação ainda maior: 70%. De acordo com o Ciee, o Distrito Federal conta hoje com 19 mil estagiários e 3,1 mil menores aprendizes.

Dedicação

Especialistas lembram que o início de uma carreira, no entanto, não depende só da empresa. É imprescindível que o estagiário demonstre interesse, dedicação, pontualidade e, acima de tudo, procure sempre surpreender o chefe. Por outro lado, a falta de experiência   e a chance de a empresa poder “lapidar” este   funcionário são fatores que pesam na hora da contratação. Se o estagiário   demonstra interesse pelo cargo e carrega consigo o perfil da empresa, o início de uma carreira profissional pode estar   próximo.

 

Oportunidade

Na época com 20 anos, a estudante do 7º semestre de direito Natasha Lira de Abreu, 22, viu a oportunidade de começar um estágio que seria determinante para o seu futuro: trabalhar e aprender macetes da profissão na Justiça Federal. “Minha amiga  decidiu  trabalhar em outro lugar e me indicou. Levei meu currículo, o pessoal gostou e logo comecei a estagiar. Na época nem pensava que poderia ser efetivada. Apenas pensei que seria algo que ia me ajudar naquele momento e contribuir para a minha carreira”, confessou.

Depois de estagiar por dois anos, o contrato chegou ao fim. Mas o aperto no peito durou menos de um mês, quando ela recebeu uma ligação do seu chefe. “Ele já tinha dito que possivelmente eu não ficaria, pois as vagas estavam todas preenchidas. Mas, por outro lado, disse que me chamaria quando aparecesse uma chance. Em menos de um mês     abriu uma vaga e eu fui contratada”, contou.

 

Oportunidade de aprender na prática

Atualmente,  a estudante de direito Natasha Lira, agora contratada, auxilia no atendimento de advogados, distribui processos e dá todo suporte na turma recursal da Justiça Federal, e se orgulha do que faz. “Valeu muito a pena ter estagiado, aprendi muita coisa ali dentro”, reconhece. 

Mas, para chegar onde chegou, ela afirma ter se esforçado muito a cada dia. “Sempre fui elogiada, pois tenho facilidade para aprender e tentava resolver as coisas sem ter que levar o problema ao meu chefe. Isso ajudou”, considera.

Conselho de quem passou pelo  estágio e hoje está efetivada, Natasha diz que acatar as decisões do chefe e corresponder às expectativas são primordiais. “O estagiário pode ser rápido e eficaz ao mesmo tempo, e isso chama a atenção”.

 

Currículo pode fazera diferença


Há um mês estagiando em uma empresa de assessoria de comunicação, a estudante do 6º semestre de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB)  Taise Borges,   21 anos, já tem uma meta para o seu futuro. Ela  começou   cedo a trabalhar e seus primeiros passos dentro da área começaram em uma empresa júnior.

“Trabalhei um ano na empresa júnior de jornalismo da UnB. Além disso, também faço parte da Federação das Empresas Juniores do DF. Isso foi um diferencial na hora de ser chamada para estagiar na empresa em que estou atualmente. Acredito que meu currículo se destacou dos demais”, argumentou.

Apesar do pouco tempo na empresa, ela tem planos de crescer. “O ambiente da empresa é muito bom, eles foram muito receptivos e já percebi muita confiança. Isso motiva e faz com que sempre tentamos ser melhor naquilo que fazemos. Estou na profissão que amo e quero continuar atuando em assessoria”.

O presidente do Instituto Fecomércio-DF, Adelmir Santana, exaltou a pulverização de estagiários em diversos setores profissionais. “No passado, os estagiários eram destinados apenas às grandes empresas e bancos. Hoje, essa concepção mudou e muitos empresários já sentiram os pontos positivos de recebê-los. Eles  têm dado retornos significativos”.

Santana disse que a integração   é importante para que o acadêmico se sinta cada vez mais à vontade para desempenhar sua função. “O estagiário é alguém com ideias novas, uma pessoa capaz de renovar o ambiente   e que vai dar tudo de si para colaborar com a empresa.”

 
O que diz a lei
A chamada nova lei do estágio (11.788/08), em vigor há cinco anos, regulamentou e fez algumas alterações para quem quer iniciar uma carreira profissional por meio do estágio.  Entre elas, estabeleceu o limite da jornada de trabalho de seis horas por dia e 30 horas semanais (o estagiário não trabalha aos sábados, domingos e feriados). 
 
O limite de duração do contrato deve ter no máximo dois anos e a empresa deve oferecer bolsa-auxílio,  vale-transporte – exceto casos de estágios obrigatórios – e recesso remunerado de 30 dias, desde que o contrato tenha duração igual ou superior a 12 meses.
 
Produção além da expectativa
Desde que era estagiário, o auxiliar contábil Rodrigo Montalvão, 24, nunca abriu mão do estilo social e da gravata. Mas a aparência e a vestimenta foram apenas fatores que contribuíram para o seu sucesso na revendedora de combustíveis Cascol. Hoje no 7º semestre de ciências contábeis da Faculdade Projeção, em Taguatinga, a história dele foi bem diferente.
“Comecei a estagiar em julho de 2012, na época no 4º semestre de faculdade. Em outubro de 2013 tirei férias e fiquei uns dias fora da empresa. Meu chefe me ligou e disse que tinha aberto uma vaga e que era para eu ir até a empresa assinar meu contrato de efetivação”, contou  Rodrigo.
Aprender na prática a teoria ensinada na faculdade, para ele, foi o grande diferencial. “O meu dia a dia é totalmente diferente do que é ensinado na universidade. Cresci muito aqui, e mesmo na época em que estagiava procurei ter o mesmo desempenho de quem já era efetivado. Agora estou começando a colher os frutos da minha determinação”, analisou.
 
Empresas moldam colaboradores
Diretor da revendedora de combustíveis Cascol, empresa em que Rodrigo trabalha, Antônio Matias disse ter em seu quadro de funcionários ao menos 80 estagiários entre a rede de postos e a parte de administração. “Na empresa, temos 70% de aproveitamento desses estudantes que se revelam, contribuem e se tornam a cara do nosso segmento. Na verdade, muitos chegam aqui ‘crus’, mas passam por um processo de molde e se adaptam muito bem. Temos hoje gerentes que começaram como estagiários”, destacou.
 
Próprio exemplo
Proprietária da Contabilidade Capital, Roseni Caldas Frota se inspirou na sua própria trajetória profissional para aderir à contratação de estagiários. “Eu participei de  estágios por três anos e sei bem o que eles esperam e até que ponto podemos exigir deles. Tive um estagiário   que ficou um mês e já quis contratá-lo, pois se deu muito bem na empresa e desempenhava um papel importantíssimo”, comentou.
Com oito anos de atuação, ela diz que ao menos seis empresas para as quais presta serviços já adotaram o estágio. “Eu aconselho sempre que as pessoas deem chances aos estagiários. Tem muita gente boa que só precisa de uma oportunidade. Para o estagiário se dar bem, ele precisa ser pontual, interessado, comprometido com o trabalho, rápido e ter educação”, opinou.
 
 
 
 
 
 

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