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Dia de celebrar quem está à frente da educação

Nesse dia 15 de outubro, o Sinpro DF vai realizar uma live em homenagem aos professores e ao centenário de Paulo Freire

Amanda Karolyne
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A educação básica foi uma das áreas mais impactadas desde o começo da pandemia. Hoje é Dia dos Professores, um momento tanto de reflexão quanto de comemoração desses heróis. Representantes do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro) e do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares (Sinproep) refletem sobre os desafios enfrentados pela categoria. Nesse dia 15 de outubro, o Sinpro DF vai realizar uma live em homenagem aos professores e ao centenário de Paulo Freire nas redes sociais do sindicato. Paulo dizia que educar é impregnar de sentido a cada momento da vida, a cada ato cotidiano.

Ana Elisa Dumont, presidente do Sindicato das Escolas Particulares do DF, destaca que foram muitos os desafios enfrentados pela classe da educação desde o início da pandemia. “Para a escola como um todo, mas principalmente para os professores que estavam na ponta em contato direto com as famílias”, afirma. Os professores tiveram que desenvolver muitas habilidades em um curto período de tempo. “Temos essa noção, de que os professores foram os grandes heróis, atuavam num trabalho analógico e tiveram de ir para o digital muito rápido”, comenta.

Para ela, fica claro que o ensino presencial tem mais valia e é mais efetivo, e a carreira não vê a hora de poder atuar sem o medo da doença. As escolas particulares estão atuando em sistema híbrido no momento, com alternação de alunos entre o presencial e online. “Com isso, o valor do professor foi percebido de forma singular pelas famílias nesse momento, um dom que não é para qualquer um”, completa.

Ela acredita que os professores em geral já estão todos adaptados à nova realidade, mas ainda assim nada vai substituir o valor de uma sala de aula. Da interação entre aluno e professor presencialmente, e que os estudantes sentem falta disso. “As crianças sentem a necessidade de algo mais próximo com o professor, e com a pandemia teve esse afastamento”, comentou.

Mas apesar de tudo, ela afirma que surgiram muitas coisas legais e inovadoras com essa adaptação e mudanças na maneira de dar aulas. “Algo que veio na pandemia que fez a educação evoluir em questão de tecnologia, o que mostra que não tem como substituir os professores, e algumas coisas vieram nos ajudar nas métricas. Algumas coisas que vão ficar quando tudo isso passar, e coisas que vão embora”, complementa.

Ela cita como exemplo de coisas interessantes que surgiram nesse período, as plataformas adaptativas que dão ao professor a disponibilidade de acompanhar em tempo real o aluno. Ela também aponta que os professores desenvolveram técnicas para as aulas remotas, como aula invertida, debates e métodos para motivar os alunos e desenvolver a oratória de cada um, e trabalhar neles a criatividade com os meios tecnológicos. “Foram muitas as coisas que o professor desenvolveu para se aproximar do aluno, para tentar manter a interação e mediação entre professor e o aluno como protagonista”, destaca.

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A professora Letícia Montandon, 43, representante do Sindicato de Professores do DF, aponta que foi a primeira vez na história da educação básica que o atendimento teve de ser adaptado para a área remota. “Desafio para os professores que tiveram de contar com seus próprios recursos, com sua conexão de internet, para se reinventar e para ajudar os alunos pudessem ser atendidos mesmo com as condições mais difíceis que se possa imaginar”, comenta. Ela aponta que uma pesquisa realizada pelo sindicato antes da pandemia, apontou que 26,27% dos 460 mil estudantes da rede pública de ensino do DF não tinham condições materiais de assistirem e participarem de nenhum tipo de Educação a Distância (EaD). “Então os professores se desdobraram para conseguir doações para que os estudantes tivessem como estudar”, destaca.

Para ela, não dá para romantizar a atuação da classe de professores sem lembrar que todos eles lutaram para atender os alunos e se superaram na oferta da educação básica. “Tivemos todos os desafios com relação à vacina, e agora com a volta ainda tivemos perdas de três professores nesse retorno presencial”, desabafa. Para ela, esse Dia dos Professores marca o quanto eles lutam e vivem com medo da doença, mas ainda assim atuam. “A sensação é de um trabalho sem estrutura necessária para acontecer, mas continuamos resistindo e perseveramos”. “Hoje a educação pede cuidado e pede socorro, neste 15 de outubro é o momento de os governantes pensarem no que chega para a classe nesse cenário”, comenta.








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