“Ser mãe é aprender a deixar de lado o egoísmo e a vaidade para amar um ser que não tem nada para te oferecer. É ter vontade de chorar só de olhar para um ser puro. É o amor mais louco que já conheci na vida e nem consigo explicar. É o maior de todos. Não é exagero”. A descrição é de uma mãe que sonha com a maternidade desde a infância, teve um aborto espontâneo, perdeu a primeira filha com uma semana de vida, sofreu, superou, se reergueu e está prestes a segurar Letícia no colo.
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A jornalista Lorena Castro, 34 anos, está no oitavo mês de uma gestação que, tal qual uma fênix, a reergueu. Desde muito antes de criar uma família, já tinha decidido o nome da filha. Seria Larissa, como o de uma amiga de infância. Namorou, noivou, casou e oito anos depois eles souberam que era hora de serem pais. A mulher teve um aborto e engravidou novamente em março de 2014.
“No quatro mês, a doutora disse que era uma menina. Festejamos muito. Era o que eu esperava”, lembra.
A carga de emoção foi abafada por um balde de água fria. O coração da bebê estava inchado. Era uma cardiopatia grave chamada Anomalia de Ebstein, que fazia com que o coração ocupasse 90% da caixa torácica. “Era o maior coração do mundo, uma bombinha-relógio. A gente acompanhava com fé, mas o médico deixou claros os riscos e as cirurgias necessárias ao longo da vida”, conta.
O choro do nascimento
O quarto e o enxoval ficaram prontos à espera de Larissa. A cada semana, uma comemoração. Passo a passo, a pequena lutava. “Com 38 semanas de gestação, ela nasceu. Saiu chorando do meu ventre, contrariando o que os médicos diziam. Com cinco minutos de vida, teve a primeira parada cardíaca”, recorda Lorena. Foi quando ela teve de ser entubada.
“Ela era linda. Uma bonequinha. Partiu meu coração vê-la no quarto gelado e cheio de equipamentos”, lamentou a mãe. Com um dia de vida, teve de passar por uma “cirurgia de salvamento”. “Ao abrirem o peito dela, descobriram três doenças raras. Ela não tinha uma válvula que ligava o coração ao pulmão. Os médicos não entenderam como ela tinha sobrevivido tanto tempo. Era um milagre”.
O descanso de Larissa
Larissa viveu por sete dias. “A pior dor que uma mãe pode ter é enterrar um filho. Mas, ao mesmo tempo que estava triste, me deu paz vê-la sem tubos, longe das máquinas. Parecia dormir”, ponderou a mãe.
Para Lorena, seria egoísmo querer tê-la com limitações. “Devolvemos Larissa para Deus com o coração em paz”, garante. A experiência fortaleceu a fé e o relacionamento com o marido.
Foram dez meses de luto até o resultado positivo de um novo teste de gravidez. “Foi assim que me senti preparada, engravidei logo na primeira tentativa. É outra menina. Letícia nasce em junho, está saudável e perfeita. O exame mais emocionante foi o ecocardiograma com a mesma médica que identificou o problema de Larissa”.
Lorena passou por um turbilhão de situações envolvendo a maternidade, mas garante que não tentar novamente nunca passou por sua cabeça. Às vésperas de segurar Letícia no colo, ela diz que sonhos não foram feitos para desistir.
“Eu sei que tem muitas que não conseguem engravidar e que passam por situações horríveis, mas às vezes Deus permite que a gente passe por situações para evitar outras. Para nós, foi uma prova de fogo e de fé, e saímos com louvor. Fomos restituídos da forma mais linda. Tem que ir até o fim”, recomenda.