O Dia da Árvore, 21 de setembro, foi bastante comemorado na Universidade de Brasília (UnB). As comemorações contaram com a participação de artistas e professores e se prolongaram ao longo de todo o dia. “Essa data é importante por simbolizar o vinculo das pessoas com as árvores, seus produtos e recursos representados por ela”, comenta Carmen Regina Correa, professora de Engenharia Florestal.
As comemorações começaram às 8h da manhã, com uma caminhada guiada pelas árvores da UnB. Os participantes terminaram o passeio em frente ao Restaurante Universitário (RU), onde foram organizadas algumas intervenções artísticas e onde foi inaugurada a escultura “pata de vaca”, uma doação do escultor Luiz Ribeiro. A obra homenageia a professora Jeanine Felfili Fagg, que morreu recentemente.
“Eu utilizo a flora do bioma Cerrado como representação. No caso da escultura que foi inaugurada hoje, eu busquei reproduzir a forma da folha em decomposição da Bauhimia forficata, árvore conhecida pelo nome de pata-de-vaca” explica o escultor. A obra foi feita propositalmente de aço saq, material que enferruja com facilidade, provocando uma deterioração semelhante à das folhas.
Desejos
A árvore do desejo também chamou atenção da comunidade acadêmica. Idealizada pelas funcionárias do DEX Nuara Vincentim e Maria Garcia, foi uma das intervenções com maior participação dos transeuntes. Instalada próximo ao RU, os interessados penduravam nos galhos pedidos escritos em pequenos pedaços de papel. “É um ritual da cultura japonesa. A artista plástica Yoko Ono fez um trabalho inspirado nesse ritual. Nós buscamos reproduzir essa idéia nas comemorações de hoje”, comenta Nuara.
Na hora do almoço, o coro Canto do Campo se apresentou no RU. Uma das músicas escolhidas pelo grupo foi “é preciso saber viver” da banda paulista Titãs.
Ainda houve o “funeral da árvore”, uma performance do Green Art, grupo de atores que realizam intervenções ecológicas. Os artistas atravessaram o Instituto Central de Ciências (ICC) com uma árvore morta nas costas, simbolizando uma cruz.
“As pessoas enterram árvores diariamente sem tomar consciência disso”, afirma a atriz Aline Leão. Permacultora e engenheira ambiental, ela acredita que o setor da construção civil é um dos que mais precisa ter consciência da questão da preservação.
Cuidados
A remoção e a poda de árvores também foram discutidas. Para a professora Carmem Regina Corrêa a questão da poda é técnica e só deve ser realizada para proteger as árvores e a comunidade. “Tem que ter um profissional para fazer essa avaliação. Se há necessidade de remoção da árvore, ou se uma poda ou adubação de cobertura resolve a situação”, explica.
Ela também ressalta que as árvores plantadas no meio urbano devem ser escolhidas com cuidado. “Não se pode plantar árvores com raízes superficiais perto de lugares onde há trânsito de pessoas ou veículos”, comenta Carmem.