Maiara Marinho
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O Distrito Federal tem a terceira menor taxa de homicídios do Brasil. Outros crimes também apresentaram redução, como o de feminicídio. Por outro lado, as forças de segurança enfrentam um grande desafio com o aumento da população em situação de rua. Os dados são de 2024 e foram divulgados na manhã desta terça-feira (25) pela Secretaria de Segurança Pública do DF, no Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB).
Em uma sala de conferência, com a presença de autoridades da pasta, representantes das polícias Civil e Militar e jornalistas, o secretário de Segurança, Sandro Torres Avelar, e o subsecretário de Gestão da Informação, George Estefani de Souza, apresentaram os dados de segurança de 2024 em uma tela grande, localizada no centro da sala.
“Nós estamos, desde 2013, reduzindo os chamados crimes violentos letais intencionais. Também conseguimos, de maneira geral, diminuir bastante os roubos e furtos”, comentou o secretário em sua fala inicial.
De acordo com ele, isso é reflexo da criação das Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs), um programa do DF instituído em 2012 para facilitar a atuação dos órgãos de segurança pública.
“Nós dividimos o Distrito Federal em quatro áreas integradas de segurança, onde cada uma delas tem um coordenador da Polícia Civil, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do Detran. Isso permite análises comparativas entre as áreas. Quando uma apresenta bons resultados e outra não, fazemos um monitoramento para entender o que está acontecendo e melhorar o trabalho”, explicou o secretário. O impacto dessas ações pode ser percebido nos números.
Queda progressiva nos homicídios
Entre os estados brasileiros, o Distrito Federal é o único que, nos últimos 10 anos, apresentou uma queda progressiva nos índices de homicídios. De 2012 a 2024, a redução foi de 75%, e, em comparação a 2023, a queda foi de 12%.
Em 2024, o DF registrou a menor taxa da série histórica, contabilizada desde 1977, ocupando o terceiro lugar no ranking nacional de homicídios, atrás apenas de São Paulo (4,7%) e Santa Catarina (6,2%). Atualmente, a taxa de homicídios no DF é de 6,9%.
No ano passado, sete regiões administrativas não tiveram registros deste tipo de crime: Arniqueira, Candangolândia, Cruzeiro, Jardim Botânico, Riacho Fundo, Sudoeste/Octogonal e Varjão.
Homens são as principais vítimas
Entre as vítimas de homicídios, 95% são homens e 5% são mulheres. A maior parte desses crimes ocorreu em vias públicas (48%) e foi cometida, principalmente, com arma de fogo (41%) ou arma branca (40%).
Embora o uso de armas de fogo ainda seja predominante nesses crimes, o subsecretário destacou que esse número vem diminuindo devido às apreensões realizadas pelas forças policiais. Em 2023, foram apreendidas 1.848 armas; em 2024, foram 1.729.
Feminicídio reduz, mas índices oscilam
O feminicídio teve uma redução de 30% entre 2019 e 2024. Em comparação a 2023, a queda foi de 26%. No entanto, diferentemente dos homicídios, os índices de feminicídio apresentam oscilações anuais, com momentos de alta e baixa.
Latrocínios atingem menor número da série histórica
Nos casos de latrocínio — roubo seguido de morte —, 2024 registrou o menor número da série histórica, com apenas oito ocorrências. Em 2023, foram 18 casos. Comparando com 2021, a redução foi de 90%.
Por outro lado, o número de lesões corporais seguidas de morte teve um aumento expressivo. Embora tenham sido registrados apenas 12 casos em 2024, esse foi o maior número da série histórica. Em 2023, haviam sido três casos, o que representa um crescimento de 1.100%.
Redução de mortes por intervenção policial
O Distrito Federal tem a segunda menor taxa do país em mortes por intervenção legal de agentes do Estado, com uma redução de 41% entre 2023 e 2024. Segundo o subsecretário George Estefani de Souza, essa queda reflete um aumento na confiança da população nas forças policiais, reduzindo conflitos durante as abordagens.
Roubos caem, mas furtos aumentam
Em 2024, foram registrados 15.232 roubos, uma redução de 18% em relação a 2023, quando ocorreram 18.585 casos. Desde 2016, a queda acumulada desse crime foi de 72%.
Entre os tipos de roubo, a redução de 2023 para 2024 foi de 17% nos roubos a transeuntes, 21% em transporte coletivo, 18% em comércios e 29% em residências.
Por outro lado, alguns crimes apresentaram alta. O furto mediante fraude cresceu 24%, a violência doméstica e familiar aumentou 4%, e os casos de importunação sexual subiram 6% em 2024.
O subsecretário George lembrou que a importunação sexual só passou a ser tipificada como crime em 2018, pela Lei 13.718/2018, o que pode resultar em subnotificação.
Já o crescimento dos furtos mediante fraude está diretamente relacionado ao avanço tecnológico. “Nos últimos 10 anos, tivemos um rearranjo da sociedade e da própria criminalidade”, explicou George. Ele destacou que novas modalidades criminosas surgiram, especialmente com o Pix, que, apesar de prático, facilitou novos golpes. “A criminalidade migra para métodos em que a fiscalização se torna mais difícil”, comentou.
DF sobe no ranking de segurança pública
No ranking das unidades da federação, o Distrito Federal se destaca nos seguintes indicadores: 2º lugar em redução de mortes por agentes do Estado, 3º lugar em homicídios, 7º lugar em latrocínios, 18º lugar em feminicídios e lesões corporais seguidas de morte.
No ranking geral de segurança pública, o DF ocupa a 2ª posição, atrás apenas de Santa Catarina. Em 2020, estava na 20ª colocação.
Desafios para o futuro
O principal desafio das autoridades é manter a redução dos índices criminais e combater aqueles que ainda apresentam oscilações ou crescimento. O secretário e o subsecretário ressaltaram a importância da atuação conjunta dos órgãos de controle, fiscalização e políticas públicas promovidas por outras pastas, além da participação da sociedade civil e da imprensa. Segundo o secretário Sandro Avelar, “a imprensa tem autonomia e voz para fomentar o debate, assim como a população”.
Outro grande desafio é o crescimento da população em situação de rua, que aumentou 8% de 2023 para 2024, e a dificuldade de abordagem policial nesses casos. “A gente tem dificuldades de atuar porque a Polícia Militar não pode chegar no local e retirar a população e isso faz que com que as pessoas não têm boa fé, que a grande maioria tem, e se infiltram no meio da população em situação de rua com facas, com o propósito de fazer pequenos furtos ou roubos, além do uso de violência”, comentou o secretário Sandro Avelar.
Investimento em tecnologia e transparência
Durante a apresentação, o subsecretário de Gestão da Informação anunciou a primeira edição do Anuário da Segurança Pública do Distrito Federal, que será divulgada em abril. Além disso, será lançado um painel de dados acessível a qualquer cidadão, reforçando a transparência das informações de segurança pública.