Gabriela Coelho
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Os sequestros relâmpago continuam a fazer vítimas pelo DF. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), até ontem houve 260 roubos com restrição de liberdade neste ano na capital. Somente em abril, ocorreram 47 casos. A 12ª Delegacia de Polícia, localizada no centro de Taguatinga, foi a DP que registrou mais casos neste mês – foram oito. Ontem, duas abordagens foram feitas na Asa Norte e no Gama.
Em uma das ocorrências desta terça-feira, dois homens foram levados de um estacionamento na 609 Norte, perto de uma faculdade, para o Setor de Chácaras do Paranoá. Segundo o delegado da 6ª DP, Miguel Lucena, a dupla, com idades de 23 e 57 anos, conversava do lado de fora do veículo.
”Uma das vítimas é estudante da Universidade de Brasília (UnB) e o outro é um engenheiro de Paracatu (MG). Os dois ficaram cerca de uma hora com os criminosos”, afirma o delegado. Segundo ele, os homens roubaram vários pertences das vítimas. “Celulares, notebooks, roupas e cartões foram roubados. Durante todo o tempo de viagem, foram ameaçados”, completa.
Ainda de acordo com o delegado, as vítimas contaram que os criminosos conversavam o tempo todo. “Eles diziam que só queriam o carro para fugir da polícia e que iriam para Ceilândia ou alguma cidade de Goiás”, relata. “Os policiais estão investigando. Uma hora ou outra, eles irão abandonar o carro. Como as vítimas foram deixadas por aqui, eles devem ser da região”, conclui o delegado responsável pelas investigações.
No Gama, um outro sequestro foi registrado na área da 14ª DP, mas a polícia não quis fornecer detalhes sobre o caso. “A ocorrência ainda está em andamento”, resumiu o delegado-chefe Edson Viana.
De acordo com o delegado Miguel Lucena, a polícia entende que os roubos com restrição de liberdade são um delito de oportunidade. “Os criminosos procuram pessoas que estão distraídas. Qualquer um com esse perfil pode ser alvo de sequestro”, alerta.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança do Distrito Federal (Sindesp-DF), Irenaldo Pereira, o crescimento do número de ocorrências para esse tipo de crime é espantoso, principalmente pela dificuldade de se combater a prática. “As pessoas precisam ficar atentas antes de parar o carro para entrar na garagem, além de evitar atitudes que favoreçam a ação de bandidos, como conversar dentro ou fora do carro”, observa Pereira.
Para o especialista em segurança Antônio Flávio Testa, o motivo do aumento dos sequestros relâmpago está na distração das pessoas, e não mais no alto poder aquisitivo. “Esse tipo de delito deixou de ser um crime que acontece na alta sociedade. Isso se dá porque as pessoas estão mais vulneráveis e distraídas”, afirma. Segundo ele, os criminosos preferem abordar pessoas que estão desatentas e sozinhas. “A desatenção é a porta para esse crime”, acrescenta.