Marina Marquez
marina.marquez@jornaldebrasilia.com.br
No dia que os termômetros registraram a temperatura mais alta do ano, 31,5ºC, o fogo voltou a castigar o Cerrado na capital federal. Próximo à Granja do Torto, uma área de cem mil metros quadrados foi devastada pelas chamas e, em toda a cidade, era possível ver a fumaça que tomou conta do céu. Este ano, os prejuízos para o cerrado já são os maiores da história do Distrito Federal. Com 112 dias sem chuva, mais de 10% de todo o território do DF já foi queimado, quase o dobro do ano passado.
O principal foco de incêndio de ontem começou por volta de 14h30, quando cerca de 20 militares foram deslocados para a área próxima à Granja do Torto e ao Parque Nacional. Até o fim da noite eles trabalharam para apagar as chamas altas. “Como a vegetação no local é muito espessa, as chamas atingiram uma altura considerável. Mas às 19h já estava controlado o fogo”, afirmou o major Lindomar Pereira, comandante da operação. Duas viaturas específicas cuidaram do controle do fogo, com abafador e bombas de água, para evitar que as chamas se alastrassem.
Diariamente os bombeiros registram cerca de 35 focos de incêndio diferentes. Nos outros anos, de secas também severas, a média diária não passava de 20 focos. “Com certeza temos a pior seca no que diz respeito a danos para o Cerrado e vegetação. A umidade tem chegado a 11% e até 7%, e com a ação humana é difícil conter o fogo em alguns lugares”, explica o chefe da Comunicação Social do Corpo de Bombeiros do DF, coronel Paulo Roberto.
A umidade baixa e a ausência de chuvas também tem castigado a população. Ontem, a capital federal teve o dia mais quente do ano, com temperatura de 31,5ºC e umidade relativa do ar em 14%. “Tivemos um dia muito quente, praticamente sem vento. E a sensação térmica pra quem está na rua, próxima de asfalto quente, por exemplo, é bem maior. E a previsão é de mais calor e sem chuva para os próximos dias”, revela a chefe da Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Maria das Dores de Azevedo.
Leia mais na edição desta quinta-feira (16) do Jornal de Brasília.