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Brasília

DF é líder em ligações para o Disque 180

Arquivo Geral

21/02/2012 9h15

Gabriela Coelho 

gabriela.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

O Distrito Federal é líder em ligações para a Central de Atendimento à Mulher, o 180, com 13.558 chamados em 2011, levando em consideração a proporção da população feminina. Os dados são da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). O número é bem superior ao registro   na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) no mesmo ano,  que teve 3.171 ocorrências. Somente em janeiro e fevereiro de 2012, já foram registradas 422 denúncias na mesma delegacia. Segundo a Deam, em média,  são  dez casos por dia. 

 

De acordo com a subsecretária de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Cida Gonçalves, a violência física é o tipo de relato mais frequente. “No ano passado, foram registrados 922 casos. O Ligue 180 é majoritariamente procurado por mulheres adultas, em período economicamente produtivo e biologicamente reprodutivo, a maioria entre 30 e 39 anos”, explicou. 

 

Ainda segundo a subsecretária, o perfil das mulheres que recorrem ao serviço varia. “Cerca de 30% têm idades entre 20 e 29 anos; 32%  entre 30 e 39 anos; 17,88%, 40 e 49 anos, e 8,64%, entre 50 e 59 anos. Além disso, os dados do balanço mostram também que 59,51% das vítimas dependem financeiramente do agressor, evidenciando que essas mulheres têm dependência afetiva com eles”, afirma.

 

Denúncias de violência física contra mulheres corresponderam a 61,28% das 74.984 ligações feitas relacionadas à violência na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, no ano passado. O serviço totalizou 667.116 ligações – uma média de 1.828 por dia, segundo balanço da Secretaria de Políticas para a Mulher.

 

Oito anos de tortura

A. sofreu violência doméstica por oito anos. “No começo do casamento, era tudo muito bom. Um marido exemplar. Depois de ter filhos, eu comecei a engordar e ele a me maltratar. Dizia que se eu não emagrecesse, me mataria”, conta.

 

A mulher afirma ainda que chegou a emagrecer, mas começou a apanhar. ”Ele me batia cada vez que eu falava que queria sair para jantar com ele. Teve uma vez que fiquei tão machucada que fui para o hospital. Dei queixa contra ele, mas estou na medida protetiva, que pode demorar até meses. Enquanto isso, ele está solto e continua me ameaçando. Tenho medo de morrer e deixar meus filhos”, diz a mulher. 

 

A assistente técnica da ONG CFêmea, Leila Rebouças, afirma que agora as mulheres têm mais apoio, mas ainda assim têm medo de se expor. “Muitas delas não querem romper o ciclo do casamento, têm dependência financeira, possuem filhos e algumas ainda gostam do companheiro”, afirma.

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