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Brasília

DF Digital leva a informática a comunidades carentes e à terceira idade

Arquivo Geral

18/08/2010 13h44

Os avanços tecnológicos e a evolução da era digital modificam a cada dia o cotidiano da sociedade. Para acompanhar tanta modernidade, é necessário um constante processo de aprendizagem. Mas se muitas crianças dominam com facilidade computadores celulares e outros dispositivos eletrônicos, o mesmo não se pode dizer dos mais velhos, especialmente os que nasceram, cresceram e amadureceram muito antes do advento da informática. Aposentado há dois meses, Enóquio Pereira, de 65 anos, agora tenta se acostumar com o computador. Mas, apesar das dificuldades, o ex-borracheiro afirma que ninguém nasce sabendo e garante: o que ele mais quer é aprender.

 

Enóquio é um dos alunos do projeto DF Digital, que leva inclusão digital e social para comunidades carentes do DF. No total, são 102 pólos espalhados pelo Distrito Federal, com o intuito de oferecer gratuitamente cursos de qualificação profissional, informática e internet. Enóquio, que trabalhou a vida inteira como borracheiro, assegura que está aproveitando a atividade como pode. O idoso, que também está sendo alfabetizado, pratica no computador tudo que aprende na escola. “Tento prestar atenção nas letras do teclado, digito bem devagar ainda, mas o que acho mais complicado é mexer com o mouse”, admite.

 

Criado em 2007, o DF Digital é promovido pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT), em parceria com a Fundação Gonçalves Lêdo (FGL). O subsecretário da SECT, Sivil Sakata, diz que os cursos oferecidos pelo programa visam principalmente à qualificação profissional. “Queremos que todos tenham acesso à internet e que saibam usar os programas do computador”, explica. “Dessa forma terão mais facilidade na inserção no mercado de trabalho.”

 

O programa já atendeu mais de 270 mil pessoas, distribuindo cerca de 560 mil certificados. A meta para 2010 é que 300 mil diplomas sejam entregues. São mais de 40 cursos oferecidos, entre eles os de operador de micro, internet, programador e secretariado. “As pessoas que conhecem o programa sempre fazem mais de um curso”, informa Sakata. “Isso justifica o fato de a quantidade de certificados ser superior à de alunos”.

 

O Governo do Distrito Federal (GDF) tem trabalhado em parceria com a SECT para a ampliação do DF Digital. A primeira medida é a implantação de internet pública sem fio, um projeto que está sendo estudado há mais de dois anos. Ceilândia deverá ser a primeira cidade a contemplada com a medida. A previsão é de que, em outubro, a região administrativa já possa acessar à internet sem fio de forma ilimitada. “Todos que tiverem computador poderão usufruir esse benefício, sem custo nenhum”, assegura Sakata.

Geração III

 

O DF Digital é voltado a pessoas de todas as idades e capacita inclusive idosos por meio do Geração III, curso adaptado à terceira idade. O programa vem mudando a realidade de vários idosos que buscam aprendizado, motivação e alegria.

 

A monitora do curso de informática de um dos pólos do Paranoá, Magda Landim, 22 anos, orgulha-se da sua turma do Geração III. “É gratificante ver a satisfação nos olhos desses alunos”, comemora Magda. “É tudo muito novo para eles, e o empenho deles me surpreende”.

 

 

O pólo do DF Digital onde Magda ministra as aulas de informática fica na área especial quadra 2, bloco D, no Paranoá. O local conta com 30 computadores. Segundo ela, não há um programa de ensino único para todos os alunos: é preciso respeitar o desenvolvimento de cada um, e as aulas são praticamente individuais.

 

Dona Geni Gonçalves, 65 anos, conta que foi até o pólo do DF Digital pela primeira vez acompanhando sua filha, na matrícula para o curso de informática. No local, soube da oportunidade e já fez sua inscrição. Geni conta que passava o dia em casa e diz que encontrou no curso uma nova motivação para a vida. “Aqui eu fiz amigos, me sinto mais alegre”, celebra. “Hoje vou fazer o meu e-mail. Ainda não sei direito o que é, mas estou disposta a aprender.”

 

O curso dura em média dois meses. A senhora Jacy de França, 64 anos, tem interesse em repetir a atividade. Jacy revela que ainda tem dificuldade com a digitação, mas acredita que, com mais treino, é possível aprender mais. “Aqui é meu momento de aprendizagem. Além disso, sempre podemos contar com a ajuda dos amigos, mas sem perder a concentração.”

 

Na próxima sexta-feira (20), cerca de 600 certificados serão entregues para a turma do Geração III. A formatura acontecerá às 15h, no auditório do Museu Nacional, no Plano Piloto.

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