As cores de setembro vão além do amarelo, com o Setembro Verde representando o mês da conscientização sobre o câncer de intestino. Uma estimativa do INCA apontou que, no Distrito Federal, a previsão é de 760 novos diagnósticos em 2026. Ao todo, o Brasil deve registrar 53,8 mil novos casos de câncer colorretal por ano entre 2026 e 2028. Ao Jornal de Brasília, um especialista comentou sobre a importância da prevenção e sobre os fatores que podem aumentar o risco da doença, como o consumo frequente de carnes processadas, alimentação pobre em fibras, sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool e tabagismo.
O médico proctologista doutor Danilo Munhóz explicou que o câncer colorretal é uma multiplicação celular, onde um conjunto de células decide se reproduzir de forma desordenada, crescendo para dentro da luz do intestino. “É por isso que a gente se preocupa tanto em fazer os exames de prevenção, para a gente realmente conseguir evitar ao máximo que esse tipo de câncer, que é hoje um dos mais frequentes dentro do Brasil, possa ter o seu índice diminuído.” O especialista afirmou que o câncer de reto e o câncer de cólon são tipos de câncer colorretal.
O doutor afirmou que o Setembro Verde, assim como o Março Azul Marinho, são os dois meses em que se chama a atenção para este diagnóstico. E, desta vez, a campanha sinaliza para uma série de fatores que resultaram no aumento desta doença. “Temos a globalização, onde a gente vê cada vez mais gente comendo mais produtos industrializados, evitando ao máximo comer frutas, verduras e saladas, não fazendo atividade física, ficando mais sedentário, dando preferência para produtos mais calóricos, o envelhecimento da sociedade, tudo isso corroborando para o aumento do índice de câncer no mundo, não só no Brasil, não só no DF, mas no mundo como um todo”, frisou.
Prevenção, rastreio e hábitos saudáveis
O tratamento do câncer colorretal, como Danilo indicou, vai depender principalmente do local do câncer e do momento onde foi feito o diagnóstico. “Quanto mais precoce for, mais eu posso dizer que a jornada tende a ser mais fácil ou menos dolorosa, vamos dizer assim.” Por isso, Danilo ressalta que o essencial nesta campanha de conscientização é frisar a prevenção. “Hoje o câncer de intestino é um câncer totalmente prevenível. A gente consegue através de exames como a colonoscopia fazer o rastreio do câncer, fazer a ressecção dos pólipos, que são lesões pré-malignas, e a gente consegue evitar que um câncer se desenvolva.”
Ele reforçou que, atualmente, a maioria dos cânceres tem cura. Entretanto, lembrou que quanto mais avançado o tumor, mais difícil e mais penoso pode ser o tratamento. “Mas a grande maioria dos tumores hoje de intestino tem cura.” Danilo destacou que alguns deles podem precisar de métodos de tratamento como radioterapia e quimioterapia, a depender da idade do paciente, das comorbidades e do momento em que foi detectado o diagnóstico.
Danilo reforçou que é importante que as pessoas tentem manter uma boa alimentação, rica em frutas, fibras e folhas, manter a hidratação, fazer controle do peso e controlar as outras comorbidades. “E fazer atividade física, além dos exames de rastreio.” Ele apontou que a colonoscopia é o principal exame e deve ser realizada a partir dos 45 anos na maioria da população. “Algumas pessoas precisam adiantar esse exame, mas isso vai depender principalmente da sua história familiar e de todo o passado que envolva câncer na família”, disse.
Esse diagnóstico afeta tanto homens quanto mulheres, e Danilo salientou que quanto mais idoso é o paciente, maior a chance do diagnóstico. “Mas a gente vê cada dia mais os tumores de intestino acometendo a população mais jovem, justamente por conta de as pessoas estarem cada vez mais sedentárias e comendo mal. As pessoas estão cada vez mais desembalando mais e descascando menos os alimentos.” Segundo ele, essa doença tem sido cada vez mais comum em jovens, aparecendo até de certa forma de uma maneira mais agressiva.
Exemplo de superação e fé
O servidor público aposentado e pastor evangélico Jubal Florêncio da Silva, 65 anos, recebeu o diagnóstico da doença seis anos atrás. Desde então ele faz acompanhamento médico e mudou toda sua vida, com uma alimentação mais saudável. Ele contou que descobriu que estava com câncer colorretal depois de ver manchas de sangue nas fezes. Na época, ele fazia medicina fora do país e teve que retornar para o Brasil por conta da pandemia. “Eu cheguei no Brasil e já fui logo marcar o exame da colonoscopia. E aí, após os exames, fiz a biópsia e foi detectado que era realmente um tumor maligno no reto.” Depois disso, ele iniciou todo o processo de tratamento com oncologista, fez radioterapia, quimioterapia e, logo em seguida, passou por uma cirurgia. “E hoje estou curado do câncer, graças a Deus”, disse.

Ele ficou com algumas sequelas como incontinência urinária e fecal, e pratica fisioterapia pélvica na tentativa de melhorar os efeitos colaterais que ficaram ao longo do tratamento. “E assim tem sido a minha vida. Eu continuo trabalhando.” Ele conta que está à frente de três igrejas: uma em Águas Quentes, outra em Santo Antônio do Descoberto, Goiás, e a terceira em Ceilândia. “E trabalho também com recuperação de dependentes químicos, e tenho também um projeto social nas igrejas, com jiu-jitsu e karatê para a comunidade carente. Então, é assim que eu tenho vivido ultimamente.”
Jubal acredita que ainda existe um tabu entre os homens quanto a exames como a colonoscopia. “Na época, eu já estava chegando nos 60 anos de idade e não tinha feito nenhum exame ainda. Mas, pela graça divina, eu ainda consegui detectar logo no início.” Por isso, ele aconselha as pessoas, principalmente os homens que estão chegando em seus 40, 45 anos de idade, que procurem um profissional de saúde e façam os exames preventivos. “E aconselho também que a pessoa tenha fé em Deus, não desista da vida. Que continue acreditando nos propósitos divinos, porque isso também me fortaleceu quando fui diagnosticado.”