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Brasília

DF contará com estrutura reforçada do SUS para enfrentar efeitos do El Niño

Plano do Ministério da Saúde inclui reforço da Força Nacional do SUS, criação de centros de monitoramento e ações de prevenção aos efeitos do El Niño

Guilherme Abarno

01/07/2026 17h36

ministério da saúde

Foto: Erasmo Salomão/MS

O Ministério da Saúde anunciou, ontem (30), um conjunto de ações estratégicas para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante de eventos climáticos extremos e dos impactos do fenômeno El Niño. As medidas foram apresentadas pelo ministro Alexandre Padilha, que destacou atenção especial ao Distrito Federal e aos estados da região Centro-Oeste.

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Foto: Erasmo Salomão/MS

O anúncio ocorreu durante coletiva de imprensa no auditório Emílio Ribas, na sede da pasta, em Brasília, com a participação da secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVS), Mariângela Batista Galvão Simão, do diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Guerino Stabeli, e da diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DVSAT), Agnes Soares da Silva.

Antes de detalhar as ações, a diretora do DVSAT alertou para os riscos previstos. O primeiro boletim oficial do Painel El Niño 2026/2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e parceiros, confirmou a configuração do fenômeno em junho e indica probabilidade superior a 90% de permanência até o início de 2027. A combinação de temperaturas acima da média e chuvas escassas eleva o risco de estresse térmico e de grandes queimadas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

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Foto: Erasmo Salomão/MS – Agnes Soares da Silva, Diretora DVSAT

Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio ministério reforçam a gravidade do cenário: um a cada 12 hospitais brasileiros corre risco de paralisação diante de eventos climáticos extremos. No mundo, uma a cada quatro mortes está associada a fatores ambientais. No Brasil, dados da Fiocruz apontam 120 óbitos por calor extremo entre 2000 e 2019, além do aumento do risco de partos prematuros.

Para antecipar esses impactos, a pasta prevê a implantação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) nas cinco regiões do país. Como parte dessa estratégia, Padilha anunciou a criação de uma unidade em Cuiabá (MT), com funcionamento previsto para 2027. O centro será responsável por monitorar dados meteorológicos e indicadores de saúde pública no Distrito Federal e nos estados do Centro-Oeste, o que permitirá antecipar crises e orientar decisões em tempo real.

O sistema também unificará dados epidemiológicos, demográficos e socioeconômicos para monitoramento contínuo de riscos. A base permitirá a emissão de alertas precoces e o planejamento de ações, desde a mobilização de equipes até o suporte técnico a profissionais de saúde, além de orientações preventivas à população, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.

“Temos atenção redobrada ao Centro-Oeste, onde a principal preocupação são as grandes queimadas e seus efeitos imediatos na qualidade do ar e no aumento de doenças respiratórias”, afirmou o ministro.

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Foto: Erasmo Salomão/MS – Alexandre Padilha

Medidas e ações anunciadas

O Ministério da Saúde ampliará a estrutura da Força Nacional do SUS para oito bases regionais, o que garante cobertura estratégica em todo o país. Com a mudança, as equipes poderão chegar a qualquer local em até 12 horas e iniciar atendimento especializado em até 72 horas.

Em campo, a atuação envolve avaliação de danos, diagnóstico situacional e apoio direto a estados e municípios. Para operações em áreas remotas, as Equipes de Resposta Rápida contarão com viaturas, rádios, sistemas via satélite, drones e equipamentos de reconhecimento.

“O Ministério da Saúde considera a crise climática, antes de tudo, uma crise de saúde pública. Com as bases descentralizadas, ampliamos em até 20 vezes a capacidade de resposta rápida, com equipes e estruturas mais próximas dos territórios”, destacou Padilha.

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Alexandre Padilha – Foto: Erasmo Salomão/MS

Outra iniciativa é o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor. A ferramenta oferece previsões diárias para os 5.570 municípios, com até cinco dias de antecedência, e integra dados climáticos a indicadores de vulnerabilidade social para orientar ações de prevenção.

A formação em saúde também entrou no pacote de ações. O ministério selecionou 197 projetos para a 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), voltada aos impactos das mudanças climáticas. Com R$ 266 milhões e 12,6 mil bolsas, esta é a maior edição do programa.

As iniciativas fazem parte do AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas. A estratégia reúne 27 metas e 93 ações até 2035, com investimento de R$ 9,8 bilhões. Neste ano, o Ministério da Saúde já destinou R$ 16,3 milhões para respostas emergenciais, sendo R$ 12,7 milhões direcionados à assistência em desastres 

Mais informações estão disponíveis no site do Ministério da Saúde.

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