Da Redação
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Crise de pânico na hora de dirigir é mais comum do que se imagina. Pessoas com esse tipo de fobia não conseguem se controlar. Só de pensar em entrar num carro e assumir o volante começam a ter taquicardia, suores nas mãos, sentem as pernas pesadas e a boca seca.
A síndrome do medo de dirigir é tão corriqueira e atinge tantas pessoas que o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran) decidiu intervir no problema. Para ajudar as pessoas neste tipo de situação, está disponibilizando, mensalmente, o curso Iniciação à superação do medo de dirigir. O curso é gratuito e as inscrições são feitas somente pela internet. No site do departamento estão as informações para os interessados.
O curso tem o objetivo de auxiliar as pessoas que possam ter passado por algum trauma e desenvolvido este medo. É um processo inicial para aqueles que procuram superar o medo de dirigir. Segundo a chefe do Núcleo de Formação e Cursos de Trânsito, Ediene Borges, o curso é para identificar o porquê da questão e superá-la.
Os professores são psicólogos e servidores do Detran. Os alunos têm aulas sobre direção defensiva, primeiros socorros e legislação de trânsito.
A psicóloga e analista de trânsito Juliana Paim explica que essas aulas são fundamentais para o andamento do curso e foram baseadas em cinco pilares: psicologia, relações interpessoais, direção defensiva, legislação de trânsito e primeiros socorros. “Se a regra mudou e eu não tenho conhecimento, vou fazer errado. Quanto mais elas erram, mais o medo aumenta,”explica.
A exigência para participar do curso é estar habilitado, possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em qualquer categoria. São 20 vagas em cada turma, divididas nos turnos matutino e noturno. As aulas são teóricas e os alunos recebem material gratuito. Serão sete encontros, que acontecerão no período da manhã: de 8h15 às 11h45 e a noite das 18h30 às 22h.
Trauma após acidente
As aulas começaram semana passada. A maioria das turmas é composta somente por mulheres. E são muitos os motivos e os perfis dos interessados em superar a fobia. O mais comum é encontrar pessoas que sofreram algum trauma devido a um acidente de trânsito.
É também recorrente encontrar pessoas com algum tipo de problema familiar que desencadeou o medo de dirigir. “Múltiplos aspectos pessoais, psicológicos e emocionais levam as pessoas a não dirigir. Geralmente, elas ficam um tempo paradas, sem pegar o carro e só decidem após fazer o curso”.
Medo
É o caso da dona de casa Miriam Costa. Ela adquiriu o bloqueio em uma situação estressante. Ao sair de sua garagem, deixou o carro descer e encostou em outro veículo que passava. Isso significou 10 anos sem pegar no volante.
À época, Míriam morava em Fortaleza e, só quando chegou em Brasília, há cinco anos, decidiu renovar a carteira. Demorou outros cinco para sentir vontade de dirigir novamente. Só agora, pela primeira vez, quer mesmo buscar uma solução para seu trauma. Entrou para o curso, e está dirigindo nos finais de semana, quando o trânsito não é tão pesado.
A psicóloga e analista de trânsito Juliana Paim enfatiza que o curso não é um tratamento. “É uma forma de sensibilização. Serve para eliminar os pontos de bloqueio. Ela explica que, durante o período do curso, as pessoas têm oportunidade de entrar em contato com o problema, entendendo toda a questão e começando a praticar algumas estratégias para resolvê-la”, explicou.