Luís Augusto Gomes
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Com bilhões de usuários conectados, as redes sociais se transformaram em alvos prediletos dos cibercriminosos. Com perfis falsos, eles aproveitam, principalmente, do excesso de confiança e da exposição de dados pessoais em redes como receita certa para aplicar golpes virtuais e conquistar vítimas no mundo inteiro. O detetive aprendiz Romário Barros Amazonas, de 24 anos, foi uma das mais recentes vítimas desse tipo de golpe.
Morador em Guajará-Mirim, em Rondônia, na divisa com a Bolívia, Romário conheceu num site de relacionamento uma mulher em Brasília. Nos primeiros 30 dias foi só amizade, mas depois desse período, o casal passou a ter um relacionamento amoroso virtual. Seis meses depois, bateu a vontade de conhecer a amada, pessoalmente. Os dois combinaram o encontro que marcaria para sempre a vida dos dois.
Romário decidiu viajar 3.360 quilômetros até a capital da República, mesmo sem conhecer a cidade. Estava apaixonado. Pretendia propor noivado e casamento, no futuro. Para concretizar o plano, juntou R$ 2,8 mil. Desse total, pediu R$ 800 emprestado a um agiota e R$ 300 em uma instituição bancária. Comprou uma passagem aérea e desembarcou às 6h20 do domingo último no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek.
A amada o recebeu. Estava acompanhada com dois homens, apresentados ao namorado – agora de carne e osso –, como primos. Os quatro deixaram o aeroporto em um Gol. O detetive aprendiz contou que pretendia ficar em um hotel entre dez e 15 dias. A namorada retrucou, dizendo que levaria o amado para a casa dela. O motorista, um dos supostos primos, seguiu pelo Lago Sul e possivelmente pela Esplanada dos Ministérios. O rondoniense ficou deslumbrado. Afinal, estava visitando Brasília e conhecendo a beleza da arquitetura de Oscar Niemeyer.
Mas cerca de 30 minutos depois, o encantamento deu lugar ao medo, à angústia e a uma profunda tristeza. O motorista parou o carro e, em seguida, o homem sentado no banco do carona sacou um revólver, apontou para a cabeça de Romário e o surpreendeu com o anúncio do assalto.
Pais e avó pressentiram o drama
O pai e a mãe de Romário bem que tentaram alertar o filho sobre a probabilidade de tudo não passar de uma cilada. Antes de entregar a carteira com R$ 2,8 mil, ele se lembrou dos conselhos recebidos dos pais – um oficial de justiça e uma dona de casa. Eles pediram ao filho para não vir a Brasília. A avó parecia estar adivinhando o destino do neto e foi ainda mais taxativa. Disse que ele seria roubado e teria grandes dificuldades em voltar para Rondônia. Romário se lembrou de tudo isso e pensou: “O amor é cego. Se tivesse ouvido meus familiares não estaria passando por tudo isso. Mas valeu pelo aprendizado”, disse.
Depois do golpe, ele ficou sem nada. Apenas com a roupa do corpo: uma blusa amarela de mangas compridas, uma bermuda jeans e uma sandália. Havia perdido tudo e estava sozinho e em uma cidade desconhecida. Seu drama parecia não ter fim. Seria triste, se não fosse cômico. Ele até pensou em telefonar para os pais e revelar que eles estavam certos sobre o que iria enfrentar. Porém, teve vergonha de revelar o encontro com a namorada virtual. Como ainda era dia quando tudo aconteceu, conseguiu uma carona até a Rodoviária do Plano Piloto. De lá, foi até a 5ª Delegacia de Polícia (Setor Hoteleiro Sul) e revelou sua história.
Sensibilizados com a situação do rapaz, os policiais civis, mesmo em greve há mais de 60 dias, quebraram o protocolo e registraram a ocorrência. O estudante de detetive foi encaminhado ao Albergue Conviver, na QS 9, no Areal, em Taguatinga Sul, onde está morando e espera a solidariedade dos brasilienses para retornar a seu estado de origem.