O mistério do duplo assassinato na 210 Norte começa a ser desvendado. O suspeito da morte de Raquel Nascimento, 26 anos, e José Nasciel de Oliveira Sales, 45, foi identificado pela Polícia Civil como Valdson Gama de Oliveira, 24 anos. O homem, que a princípio é investigado por homicídio triplamente qualificado, está foragido desde o dia do crime – a última segunda-feira.
Valdson teria comprado a arma usada para matar o casal, uma faca de cortar legumes, horas antes. A compra custou R$ 5,90, e foi feita a cinco quadras do local do assassinato. Por isso, a 2ª DP (Asa Norte) acredita que se trate de um crime premeditado.
A polícia confirma que Raquel era prostituta, e diz que Valdson tinha o costume pagar por programas. Ele já havia agendado o ato com Raquel, que há pelo menos dois anos utilizava o apartamento na 210, alugado por José Nasciel.
“As qualificantes se configuram em motivo torpe, dificuldade de defesa das vítimas e traição de Raquel, uma vez que Valdson tomou a mulher de surpresa. Ela provavelmente não esperava essa reação de um suposto cliente”, diz o delegado Rodrigo Bonach.
A polícia acredita que possa haver mandantes do crime ou mesmo que o assassino teve ajuda para fugir. O delegado ressalta que Valdson percorreu longos caminhos, desde a compra da faca, a ida ao prédio e até mesmo a fuga com uma TV.
José teria o costume de ficar embaixo da cama durante os programas, para evitar qualquer tipo de violência. Há sinais de luta entre o assassino e José, provavelmente porque o autor do crime se assustou ao vê-lo.
Na última quarta, a polícia já encontrou a casa de Valdson vazia, no Condomínio Privê. No mesmo dia foi expedindo um pedido de prisão temporária.
“A intenção foi matar Raquel e José teria sido pego de surpresa com a presença de José. O suspeito por estar no DF ou ter fugido para São Luís (MA), cidade dele”, diz o delegado Rodrigo Bonach.
Metade do valor que Raquel cobrava pelos programas era dividido com José Nasciel para o custeio de ligações, manutenção do apartamento e anúncios em jornais. Por isso, o homem praticava os crimes de rufianismo – que significa se beneficiar da prostituição alheia – e lenocínio, pois era um dos patrões de Raquel.
Segundo o delegado, Raquel era obrigada a trabalhar de domingo a domingo pelos dois patrões – uma mulher seria a outra chefe. Insatisfeita, a vítima, conhecida pela dedicação aos filhos, já havia tentado deixar o trabalho.