O que era para ser o início de um novo capítulo se transformou em um roteiro confuso e sem perspectiva de fim. Na edição de ontem, o Jornal de Brasília relatou o caso de sete jovens abandonados pela mãe viciada em crack, no Arapoangas em Planaltina. A promessa era que todos seriam encaminhados a um abrigo na manhã de quinta-feira (29), mas não foi o que ocorreu.
Durante cerca de seis horas, a reportagem esperou pelo prometido realocamento dos jovens, mas apenas no início da tarde representantes do Conselho Tutelar apareceram. Entretanto, isso não significou o final feliz.
Após deliberado pela Promotoria de Justiça de Defesa da Criança e do Adolescente, o processo ”estacionou” na Vara da Infância e da Juventude, onde o Juiz deveria determinar a ação. Por isso, mesmo sem a presença do oficial de justiça, os conselheiros foram buscar os jovens em casa e os levaram à Vara, em busca de uma resposta.
Aos jovens, nada foi dito sobre a mudança. Os conselheiros contam que para não causar desespero, disseram que apenas conheceriam outro local.
“Você vai trazer a gente de volta?”, perguntou um dos irmãos, enquanto fechava o portão com um pedaço de arame. Antes de sair, todos fizeram um lanche. A intenção era não retornar, mas até o fechamento desta edição o futuro dos irmãos ainda era incerto. Segundo o Conselho Tutelar, resta aguardar a decisão do juiz para a conclusão do caso.
Sigilo
A Promotoria informou que tudo o que diz respeito do Ministério Público foi concluído e que não se pronunciaria mais sobre o caso. A Vara da Infância e da Juventude afirmou que é determinado pelo ECA que informações processuais envolvendo menores em situação de risco não sejam divulgadas.