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Brasília

Despedida de José Chaves é marcada por pedidos de justiça

Arquivo Geral

06/04/2013 9h28

O clamor por justiça, atrelado ao sentimento de dor, saudade e tristeza, tomou conta do velório e sepultamento do estudante José Chaves Alves Pereira, de 27 anos. Ele foi morto por engano por um tiro disparado supostamente por Eliano Fernandes, segundo sargento da Polícia Militar. Sob aplausos e gritos de parentes, amigos e familiares, o corpo da vítima deixou a Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança por volta das 17h20. Cartazes e faixas pediam providências contra a fatalidade que tirou a vida do filho mais velho de Mara Santina, 60 anos, e pai de três filhos, um deles ainda não nascido.

 

Amparada por familiares, a mãe do rapaz ficou o tempo todo ao lado do corpo do filho, que chegou à capela por volta das 13h40. 

 

O dia de dor e tristeza estava estampado até mesmo nos carros dos que compareceram ao velório: muitos traziam faixas com palavras de saudades.

 

Músicas

A maioria dos que foram se despedir de Ligeiro, como José Chaves era conhecido, vestia camisetas com foto e frases em memória ao rapaz. Músicas religiosas e até as mais alegres, como gostava o jovem, fizeram parte da despedida, que reuniu aproximadamente 300 pessoas .

 

A filha mais velha do rapaz, Victória Pereira, de sete anos, também acompanhou a despedida do pai. Chorosa e inconformada, a menina teve de sair da capela auxiliada por uma amiga da família.

 

Pedindo justiça, o único irmão do estudante, Welington Chaves Pereira, 22 anos, cobrou providências contra os policiais da guarnição que atendia a ocorrência que resultou na morte do irmão. “Eu perdi meu irmão, perdi a metade da minha vida. Meu pai morreu há um ano e agora era só eu, ele e minha mãe. Esse policial que atirou tem que pagar pelo que ele fez, pela dor sem explicação que ele causou”, afirmou.

 

A cunhada de José Chaves, Adriana Lopes garante que a família vai entrar com processo contra o GDF. “Queremos justiça.  Vamos lutar pela punição do policial que tirou a vida do José”, lamentou.

 

Dinossauros jogam bola em homenagem

Durante o sepultamento, amigos do time de futebol amador cantaram o hino do Dinossauros Futebol Clube e foi difícil segurar a emoção.  Colegas do esporte preferido de José Chaves relembraram a garra do rapaz em campo, e o homenagearam com as jogadas inesquecíveis do companheiro. Amigos de trabalho  também se despediram do estudante com a música Canção da América, de Milton Nascimento. Uma bola de futebol foi assinada pelos jogadores e colocada no túmulo de José Chaves.

 

Policial militar, um dos amigos que faz parte do time de futebol em que José Chaves jogava há 15 anos, Willian Felipe de Sousa, 34 anos, ressalta que o Dinossauros Futebol Clube conta com seis jogadores militares da mesma corporação. “É difícil acreditar em tudo isso. O Ligeiro era um dos líderes do time, agora tudo fica mais triste. Ninguém está conseguindo entender o que aconteceu. Até parece mentira”, aponta.

 

Os amigos de faculdade que também estavam dentro do carro quando José foi baleado, Michael de Oliveira Leal, 21 anos, e Karla Pamplona, 22, foram à despedida do colega.

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