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Brasília

Desigualdades sociais e raciais ainda são obstáculos

Arquivo Geral

21/11/2012 7h00

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br


Em pleno século XXI, a maioria da população do Distrito Federal  ainda sofre com as desigualdades sociais e raciais. O percentual de 54% de pessoas negras na capital é superior aos cidadãos de cor branca e amarela. No entanto, mesmo representando a maioria, entre esta parcela da sociedade  predominam  escolaridade baixa,  áreas de trabalho que exigem pouca qualificação e moradia em cidades menos favorecidas.

 

Os dados são da  Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad), da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), que traça um perfil do negro no DF. Nas áreas mais nobres do DF, os negros são minoria:  nos lagos Norte e Sul, eles são 19% da população. Já na Estrutural, Varjão e Itapoã, representam entre 71% e 76% dos moradores. 

 

“Eles moram essencialmente nos locais de menor poder aquisitivo, e o negro do Lago Sul é essencialmente diferente dos negros de regiões onde o poder aquisitivo é menor, como o rendimento e o grau de escolaridade superiores”, explica a economista e gerente de estudos e pesquisas socioeconômicas da Codeplan, Iraci Peixoto.

 

 Apenas 9,7% dos negros têm nível superior completo e, diante disso, predomina o Ensino Fundamental incompleto, como acontece em 52,6% da população da Estrutural e 49,9% do Itapoã.  A medida em que o grau de instrução é baixo, são ocupados postos de trabalho de menor remuneração. O emprego predominante é a construção civil, onde 69,4% dos funcionários são negros, e na indústria (60,3%).

 

Para o secretário de Igualdade Racial, Viridiano Custódio, desde o fim da escravidão não houve políticas publicas eficazes que incluíssem o negro na economia, educação e trabalho. “Essa consequência reflete até hoje. Temos que trabalhar muito para melhorar isso”, diz.

 

 Moradora do Sol Nascente, a auxiliar de serviços gerais Dejeines de Mendonça, 65 anos, abandonou a escola ainda na 7ª série. “Ainda há muito empecilho quando se trata dos negros. Eu mesma já sofri preconceito no trabalho e em lojas”, aponta.

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