Menu
Brasília

Desigualdade social diminui o acesso à cultura, diz pesquisa

A Universidade comprovou que quanto menor a renda, maior a dificuldade de acesso a esse tipo de entretenimento

Mayra Dias

08/05/2023 18h05

Foto: Divulgação

A desigualdade social afeta diretamente o acesso à cultura. Quanto menor a renda, menos as famílias frequentam os teatros, shows e cinemas. É isso que mostra um levantamento realizado pela Universidade de Brasília (UnB).

Na cidade Estrutural, por exemplo, é muito fácil encontrar crianças que nunca foram ao cinema. Essa realidade foi revelada pela Universidade, que comprovou que quanto menor a renda, maior a dificuldade de acesso a esse tipo de entretenimento.

Segundo o levantamento, apenas 6% das famílias com, até, 1 salário mínimo, vão ao teatro, competindo diretamente com os 23% das famílias que recebem mais de 10 salários mínimos.

A frequência no cinema, de acordo com a pesquisa, também é bem desigual. “Uma renda familiar superior a 10 salários mínimos, faz com que as famílias vão ao cinema a cada 2 meses, quase que uma vez por vez. Enquanto isso, pessoas de famílias com rendas mais baixas, vão, no máximo, a cada 7 meses se muito”, confirma Frederico Bertholini, pesquisador do Observa DF e professor na UnB.

Segundo o especialista, as características territoriais do DF contribuem para a desigualdade, até mesmo em festas populares, como, por exemplo, o carnaval de rua. “A gente acha que pode haver uma descentralização, tanto das festas de carnaval, quanto dos equipamentos culturais. Um barateamento e uma descentralização”, explica. “No caso do cinema é um pouco mais complicado, mas em casos como o teatro seria bacana que o governo garantisse essa descentralização”, defende o pesquisador.

Pensando nisso, alguns grupos voltados a atividades sociais tentam promover e democratizar o acesso à cultura. É o do festival Familiarte, idealizado por Dudu Oliveira, que recebe apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Ele percorre as regiões onde o acesso a arte e cultura são mais difíceis. “O eixo estruturante da nossa proposta é exatamente levar a cultura para camadas periféricas. Atividades que contribuem de forma saudável para a vida dessas pessoas”, explica Dudu.

No último fim de semana, a dupla Mandioca Frita e Tapioca levaram para a Estrutural um momento de contação de histórias e palhaços. Levando alegria para as crianças da RA e também para os pais. A ideia, segundo o idealizador, foi abraçar essa comunidade e incentivar os pais a levarem seus filhos para essas atividades.

Depois de passar por Brazlândia, o Festival Familiarte – Educação Artística para as Família aterrissou na Estrutural com uma programação especial. Entre sexta-feira (5) e domingo (7), o público pode conferir, no Galpão Cultural, arte circense, teatro de mamulengos, contação de histórias e apresentações musicais. Houve, ainda, palco aberto para karaokê com músicos ao vivo e encerramento com show da cantora brasiliense Dani Ribeiro.

Como explicou Eli Maselle, oficineira e coordenadora do Festival, em função de um automatismo cotidiano, as famílias estão cada vez mais dissolvidas pela busca por resultados e conquistas pessoais. “O Festival foi um momento de integração e de convívio através da arte, criando oportunidade de aprendizagem e diversão, para um público que não tem muito acesso à cultura e ao entretenimento”, justificou.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado