Johnny Braga
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A diferença nas taxas de desemprego total entre negros e não negros diminuiu sensivelmente nos últimos anos, segundo a Pesquisa Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fundação Seade e Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), com base em dados referentes a 2011. No ano passado, 13% da população negra economicamente ativa estava desempregada, contra 11,1% dos não negros. Essa diferença de 2 pontos porcentuais, no entanto, era bem maior há dez anos: 5,8 pontos porcentuais.
A pesquisa, realizada em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra – 20 de novembro –, mostra também que o setor de serviços é responsável por abrigar 63,9% do total de ocupados negros, contra 71,8% de não negros.
Nos demais setores, a situação se inverte, com maior participação dos trabalhadores negros no comércio (16,5% contra 15,2%) e na indústria (4% contra 3,3%). Essa diferença era ainda maior em relação ao emprego doméstico (8,4% contra 4,7% dos não negros) e na construção civil (6,3% e 4,1%).
Não por acaso, serviço doméstico e a construção civil são os dois setores que exigem menos qualificação profissional, um pré-requisito básico cada vez mais exigido no mercado de trabalho. Segundo a economista da Codeplan, responsável pela PED, Iraci Peixoto, a falta de qualificação prejudica não somente os negros. “Há muito tempo a cor deixou de ser um fator optativo na hora de conquistar um emprego, mas é claro que se tal candidato obtiver uma capacidade melhor ele será o escolhido”, diz.
Os dados da PED mostram que os negros representam 69% da população economicamente ativa.