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Brasília

Desigualdade ainda é grande, como mostra emprego doméstico

Arquivo Geral

14/11/2012 7h30

Johnny Braga

redacao@jornaldebrasilia.com.br


A diferença nas taxas de desemprego total entre negros e não negros diminuiu sensivelmente nos últimos anos, segundo a Pesquisa Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fundação Seade e Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), com base em dados referentes a 2011. No ano passado, 13% da população negra economicamente ativa estava desempregada, contra 11,1% dos não negros. Essa diferença de 2 pontos porcentuais, no entanto, era bem maior há dez anos: 5,8 pontos porcentuais.

A pesquisa, realizada em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra – 20 de novembro –, mostra também que o setor de serviços é responsável por abrigar 63,9% do total de ocupados negros, contra 71,8% de não negros. 

Nos demais setores, a situação se inverte, com maior participação dos trabalhadores negros no comércio (16,5% contra 15,2%)  e na indústria (4% contra 3,3%). Essa diferença era ainda maior em relação ao emprego doméstico (8,4% contra 4,7% dos não negros) e na construção civil (6,3% e 4,1%).

Não por acaso, serviço doméstico e  a construção civil são os dois setores que exigem menos qualificação profissional,  um pré-requisito básico cada vez mais exigido no mercado de trabalho. Segundo a economista da Codeplan, responsável pela PED, Iraci Peixoto, a falta de qualificação prejudica não somente os negros. “Há muito tempo a cor deixou de ser um fator optativo na hora de conquistar um emprego, mas é claro que se tal candidato obtiver uma capacidade melhor ele será o escolhido”, diz.

Os dados da PED mostram que os negros representam 69% da população economicamente ativa.

 
No rendimento, discriminação


Os dados da PED mostram também que no setor público os trabalhadores negros mantêm distância desfavorável dos demais assalariados. Enquanto 28,7% do total de ocupados não negros se empregam neste setor, a proporção de negros é de 19,8%.  
 
Em relação ao rendimento, o estudo aponta que as desigualdades ainda prosperam. No setor de serviços, por exemplo, os negros recebem renda média de R$ 12,95 por hora de trabalho contra R$ 19,57 dos não negros. Na média total, a diferença entre os salários é de 17,9%, ficando em 1,17% no trabalho doméstico. 
 
A busca por uma renda maior e pela qualificação é a prioridade de Helena Atanázio de Oliveira, 33 anos, que atualmente está desempregada. Ela conta que se matriculou em um curso técnico para o setor de enfermagem, visando ter melhores oportunidades em adquirir um emprego. Ela só lamenta que o marido não demonstre o mesmo interesse.
 
“Meu marido é pedreiro e nem terminou o ensino fundamental. No meu trabalho anterior eu ganhava mais que ele. O problema é que as oportunidades são poucas e o mercado está exigindo bastante. Por isso, estou correndo atrás de algo melhor e estudando muito”, diz.
 
 

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