Fabiana Mendes
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Certas coisas são previsíveis quando há polarização no período eleitoral. Uma delas é a pancadaria entre grupos que apoiam candidatos rivais. E ontem, na Esplanada do Ministério, foi exatamente isso o que aconteceu: rorizistas e militantes do PT, que apoiam Agnelo Queiroz, partiram para a briga. Não ganharam coisa alguma, não arrebanharam um único voto de um indeciso. Aliás, ganharam sim: o desprezo do eleitor.
Enquanto a desavença estava no insulto, no palavrão, ainda havia como controlar. Mas tem sempre alguém que resolve se impor pela força e decidir à base de tapas e em socos aquilo que apenas as urnas decidem. E nessa briga física, os rorizistas venceram.
Tudo começou quando o desfile de Sete de Setembro já havia terminado. Em marcha para a Rodoviária do Plano Piloto, os petistas seguiam pacificamente em grandes bicicletas, carregando bandeiras de Agnelo. Todos de azul, os rorizistas tentavam intimidá-los com ofensas: “Dilma sapatão, Agnelo viadão”, além de gritos de “ladrão” e “safado”.
Uma manifestante rorizista carregava um tapete e gritava que para ganhar do Roriz, só no tapetão. Mas mesmo com insultos, os petistas seguiam em frente, sem responder aos insultos.
Foi quando um rorizista colou um adesivo do ex-governador na bandeira do Agnelo. “Estou trabalhando, me deixe em paz”, avisou o petista. Ainda não foi aí que os lados se enfrentaram e a manifestação de apoio seguiu adiante.
Mas quase em frente à Catedral, outro grupo rorizista estava mais exaltado. Ignorando a presença de crianças e de famílias inteiras, protagonizava um festival de xingamentos. Foi quando um petista, em reação às provocações, respondeu também com palavrões.
Resultado: ganhou um chute, levou um soco no rosto e, já caído no chão, recebeu uma cadeirada. Ficou desacordado por alguns minutos. O agressor? Sumiu na multidão. Rapidamente formou-se uma roda de curiosos em volta do rapaz, que segundo informações de uma amiga tem 26 anos e chama-se Diego Dionísio.
A confusão estava armada e fora de controle. Rorizistas continuavam gritando que a briga era coisa dos petistas. Indignados, alguns militantes do PT se juntaram para defender o homem agredido e acabaram detidos por policiais militares, que finalmente apareceram. “É injusto, não sei o motivo que vocês estão me prendendo”, berrou um rapaz aos PMs. Outro aproveitou a confusão e, mesmo depois de algemado, berrava: “Roriz nunca mais”.
Só que a confusão não parou por causa das prisões. O presidente do Diretório do PT do Plano Piloto, Walter Célio, acompanhou todo o conflito e decidiu ficar ao lado dos correligionários. Gritava que também gostaria de ser preso injustamente. Não foi preciso pedir muito: logo em seguida, foi levado ao camburão.
O rapaz machucado foi encaminhado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital de Base, com ferimentos no rosto e dores no corpo. Nada grave.
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