Isa Stacciarini
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Diante da divulgação do Índice Geral de Cursos (IGC), que mede a qualidade das instituições de Ensino Superior, 13 faculdades do Distrito Federal correm o risco de serem descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC). Elas tiveram nota dois, um dos piores desempenhos na avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) no período de três anos: entre 2008 e 2011. O cálculo do IGC para graduação é composto pelo Conceito Preliminar de Curso, que engloba o resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e das inspeções. Para a pós-graduação, são usados critérios da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
As notas finais podem variar em uma escala de 1 a 5. Para o MEC, uma nota abaixo de três é considerado um rendimento ruim . Das 43 faculdades avaliadas do DF, 13 apresentaram um rendimento insuficiente. Em termos percentuais, o levantamento aponta um universo acima de 30% das instituições que podem ter as portas fechadas pelo Governo Federal. Os centros universitários, todos os quatro submetidos à prova, apresentaram uma nota relativa a três, assim como uma das universidades da capital. A Universidade de Brasília (UnB) ficou com um rendimento de quatro pontos.
Outros quesitos
O diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), Solon Caldas, aponta que o resultado do IGC não condiz com a situação real das instituições. Segundo ele, não se pode tomar como verdade o índice para a avaliação de universidades, centros universitários e faculdades, uma vez que é necessário levar em consideração uma diversidade de quesitos. “É preciso avaliar a condição acadêmica, pedagógica e estrutural. Qualquer processo de avaliação é importante para a melhoria da instituição, desde que os parâmetros e critérios sejam condizentes”, afirma.
Caldas destaca que o objetivo da avaliação é sanar os problemas e não punir as instituições de Ensino Superior. O diretor executivo da Abmes ressalta que a situação se agrava quando o resultado do conceito é importante e o aluno não tem comprometimento com a finalidade da avaliação. “Fazer ou não a prova, para os estudantes não têm peso no diploma ou no mercado de trabalho. O grande problema é a falta de motivação dos alunos para fazer o teste com comprometimento. É diferente do Enem, pois a prova é a porta de entrada para o ingresso e financiamento do curso superior”, explica.
O financiamento conta
Estudante do curso de engenharia civil de uma universidade particular, Gustavo Mendes confessa que escolheu a instituição devido à mensalidade mais baixa e a possibilidade de financiamento. “As outras que procurei não aceitavam o financiamento e a facilidade da que eu faço minha graduação é muito boa”, considera.
Aluna de farmácia da mesma universidade, Glauciene de Moura revela que escolheu a universidade devido ser uma das que teve um melhor desempenho no IGC. “Fiz uma pesquisa na internet e percebi que era uma excelente instituição”, aponta.
Por meio de nota, a faculdade Uneb disse entender que a nota divulgada não representa a qualidade de seus cursos, e muito menos tem condições de espelhar o elevado grau de conhecimento dos alunos. A diretoria da Cecap explicou que a nota que saiu é de uma avaliação de um ciclo de 2009 e que a faculdade já passou por transformações.
A direção da Iesa informou que será montado um plano estratégico para superar esses números e verificar as falhas. A diretoria da Faculdade JK afirmou que depois dos índices, o MEC já visitou a instituição cinco vezes e cedeu um conceito satisfatório a todos os cursos, inclusive aos novos
A diretoria da Promove garantiu que a faculdade tem 24 cursos e a maioria tem um conceito de três e quatro pontos. A Unicerto informou que foram abertos processos para verificar a instituição e para uma nova verificação.
As faculdades Unisaber, Facnet, Fasep, JK (Plano Piloto), Fátima, Fematec e FTB foram procuradas, mas não se pronunciaram.
Ponto de vista
O professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em avaliações de instituições de Ensino Superior e cursos Paulo Henrique Guimarães afirma que, hoje, as empresas do mercado de trabalho já exigem e definem a contratação com base em determinadas universidades, centros universitários e faculdades e ao resultado da avaliação do MEC. “Mesmo que isso não seja divulgado no momento da entrevista, a definição já faz parte do processo interno da instituição”, afirma.
Segundo Guimarães, as instituições de Ensino Superior estão sendo cada vez mais escolhidas pelo resultado do MEC, localização e infraestrutura. Mas o custo-benefício ainda se mantém presente, como a estar dentro do orçamento e de deslocamento.