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Brasília

Desaparecidos: esquecimento, jamais

Arquivo Geral

30/08/2014 8h40

Milhares de pessoas desaparecem todos os dias pelo mundo afora. O sumiço se dá por diversos motivos, entre eles conflitos armados, desastres naturais, migrações e atentados. No Distrito Federal a realidade não é diferente. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, todos os anos são registrados, em média, 2,5 mil casos de desaparecimento.  Acontece que cada pessoa que vai embora deixa para trás inúmeras outras, em especial amigos e familiares, que sofrem com a angústia de não saber o que aconteceu. Por isso, neste Dia Internacional dos Desaparecidos, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) convoca a comunidade a tomar medidas práticas para ajudar a encontrar os desaparecidos e confortar seus entes.

“Quando pessoas somem há dois tipos de vítimas: os desaparecidos e suas famílias, dilaceradas pelo desespero, a incerteza e a dor. Muitos  esperam notícias por décadas”, explica Marianne Pecassou, responsável pelas atividades do CICV em prol das pessoas desaparecidas e de suas famílias.

 A empresária Maria Ivoneide, de 48 anos, conhece bem a dor causada pela incerteza constante. Sua filha, Adriana França, de 24 anos, saiu de casa em 18 de outubro do ano passado e nunca mais voltou.  

Adriana morava em Santa Maria e naquela sexta seguiu a pé, como sempre, até a parada para pegar a condução. “Ela foi para o ponto  de ônibus às 8h30 da manhã e encontrou uma vizinha. Essa foi a última vez que foi vista”, conta Ivoneide.

A jovem, que era recém-separada e tinha um filho, hoje com 8 anos, não morava  na casa dos pais, mas passava por lá todos os dias. 

“Era uma ótima filha, éramos amigas, conversávamos sobre tudo e todos os dias ela passava na minha casa antes de ir para a academia. 

No dia anterior ao sumiço, fez tudo isso normalmente”, lembra. Ivoneide estranhou quando a filha não passou por lá, como de costume. “Ela demorou a chegar e o mais estranho: não avisou. Ela sempre dizia quando não poderia ir ou se atrasaria. Mas imaginei que  pudesse estar em algum lugar onde o celular não pegasse ou tivesse resolvido dormir na casa de alguém, por isso esperei até o outro dia”.

Mãe realiza uma busca incansável

Na manhã seguinte, quando se deu conta de que a filha Adriana realmente não havia voltado para casa, a empresária Maria Ivoneide procurou a delegacia mais próxima e começou uma busca incansável pela filha. “Desde então não tivemos mais notícias dela. Muita gente liga dizendo que a viu na rodoviária, em lanchonetes e até que ela foi encontrada morta em outros estados, mas nada foi confirmado até hoje”, lamenta. 

Segundo Ivoneide, que tem outros cinco filhos, semanas antes a jovem parecia querer contá-la alguma coisa. “Ela me chamou para conversar várias vezes mas fomos interrompidas e eu nunca soube o que ela tinha a dizer”.

Incerteza 

Para a mãe,  o pior de tudo é a incerteza. “A polícia tem nos auxiliado muito e trabalha com alguns suspeitos, por isso temos esperança de que esse caso seja solucionado em breve”, alegra-se.

“Eu não vou esquecer minha filha. Vou até o fim para saber a verdade. Preciso de uma resposta, qualquer que seja, não há nada pior do que viver sem saber o que realmente aconteceu”, completa.

Investigação sigilosa

Segundo o pai de Adriana, o comerciante Adjalma Lourenço, de 52 anos, a filha era trabalhadora. “Ela era muito respeitosa conosco e nunca se envolveu com nada errado. Queremos respostas”, conclui.

Atualmente, o caso continua sendo investigado em sigilo pela 33ª DP, de Santa Maria.

Como ajudar
 
Ajude pessoas que não entendem ou não têm acesso a tecnologia a se cadastrarem no CNPD. Além disso, auxilie no tratamento da imagem para cadastro do CNPD.
 
Se você é web master ou web designer de um site pode colocar um link do cadastro, ajudando a divulgar o CNPD e pessoas que possuem um parente ou um conhecido desaparecidos.
 
Saiba mais
 
No site www.desaparecidos.gov.br, do governo federal, é possível cadastrar e encontrar jovens desaparecidos em todos os estados brasileiros. 
 
Em 17 de dezembro de 2009, foi sancionada a Lei nº 12.127/2009, para criação do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, resultante de uma ampla discussão nacional sobre o tema.
 
Logo depois da aprovação, que aconteceu em fevereiro do ano seguinte, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência 
da República desenvolveu o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. 
 
O cadastro nacional de desaparecidos (www.cnpd.org.br) funciona de forma semelhante. A principal diferença entre os dois portais está no tipo de inclusão que cada um aceita.

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