Milhares de pessoas desaparecem todos os dias pelo mundo afora. O sumiço se dá por diversos motivos, entre eles conflitos armados, desastres naturais, migrações e atentados. No Distrito Federal a realidade não é diferente. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, todos os anos são registrados, em média, 2,5 mil casos de desaparecimento. Acontece que cada pessoa que vai embora deixa para trás inúmeras outras, em especial amigos e familiares, que sofrem com a angústia de não saber o que aconteceu. Por isso, neste Dia Internacional dos Desaparecidos, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) convoca a comunidade a tomar medidas práticas para ajudar a encontrar os desaparecidos e confortar seus entes.
“Quando pessoas somem há dois tipos de vítimas: os desaparecidos e suas famílias, dilaceradas pelo desespero, a incerteza e a dor. Muitos esperam notícias por décadas”, explica Marianne Pecassou, responsável pelas atividades do CICV em prol das pessoas desaparecidas e de suas famílias.
A empresária Maria Ivoneide, de 48 anos, conhece bem a dor causada pela incerteza constante. Sua filha, Adriana França, de 24 anos, saiu de casa em 18 de outubro do ano passado e nunca mais voltou.
Adriana morava em Santa Maria e naquela sexta seguiu a pé, como sempre, até a parada para pegar a condução. “Ela foi para o ponto de ônibus às 8h30 da manhã e encontrou uma vizinha. Essa foi a última vez que foi vista”, conta Ivoneide.
A jovem, que era recém-separada e tinha um filho, hoje com 8 anos, não morava na casa dos pais, mas passava por lá todos os dias.
“Era uma ótima filha, éramos amigas, conversávamos sobre tudo e todos os dias ela passava na minha casa antes de ir para a academia.
No dia anterior ao sumiço, fez tudo isso normalmente”, lembra. Ivoneide estranhou quando a filha não passou por lá, como de costume. “Ela demorou a chegar e o mais estranho: não avisou. Ela sempre dizia quando não poderia ir ou se atrasaria. Mas imaginei que pudesse estar em algum lugar onde o celular não pegasse ou tivesse resolvido dormir na casa de alguém, por isso esperei até o outro dia”.
Mãe realiza uma busca incansável
Na manhã seguinte, quando se deu conta de que a filha Adriana realmente não havia voltado para casa, a empresária Maria Ivoneide procurou a delegacia mais próxima e começou uma busca incansável pela filha. “Desde então não tivemos mais notícias dela. Muita gente liga dizendo que a viu na rodoviária, em lanchonetes e até que ela foi encontrada morta em outros estados, mas nada foi confirmado até hoje”, lamenta.
Segundo Ivoneide, que tem outros cinco filhos, semanas antes a jovem parecia querer contá-la alguma coisa. “Ela me chamou para conversar várias vezes mas fomos interrompidas e eu nunca soube o que ela tinha a dizer”.
Incerteza
Para a mãe, o pior de tudo é a incerteza. “A polícia tem nos auxiliado muito e trabalha com alguns suspeitos, por isso temos esperança de que esse caso seja solucionado em breve”, alegra-se.
“Eu não vou esquecer minha filha. Vou até o fim para saber a verdade. Preciso de uma resposta, qualquer que seja, não há nada pior do que viver sem saber o que realmente aconteceu”, completa.
Investigação sigilosa
Segundo o pai de Adriana, o comerciante Adjalma Lourenço, de 52 anos, a filha era trabalhadora. “Ela era muito respeitosa conosco e nunca se envolveu com nada errado. Queremos respostas”, conclui.
Atualmente, o caso continua sendo investigado em sigilo pela 33ª DP, de Santa Maria.