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Brasília

Deputados tentam em vão convencer dono da Linknet a abrir mão do direito de ficar calado em CPI

Arquivo Geral

06/04/2010 16h29

Mesmo com a insistência de três deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), um do PDT e dois do PT, o empresário Gilberto Lucena, dono da empresa de Informática Linknet, não abriu mão do direito obtido na Justiça de ficar calado e não responder a perguntas, durante depoimento que prestou à Comissão Parlamentar de Inquérito da Codeplan, também conhecida como CPI da Corrupção.

Os parlamentares queriam que Lucena revelasse detalhes sobre a situação da empresa no escândalo que veio a público envolvendo empresários, políticos e o governador cassado José Roberto Arruda, a partir das investigações da Polícia Federal, na Operação Caixa de Pandora.

A Linknet figura no inquérito como repassadora de recursos para pagamento de propina, além de ter participado de contratos superfaturados e de cometer outras irregularidades. Lucena aparece em um dos vídeos gravados pelo ex-secretário de Arruda, Durval Barbosa, reclamando de quantia que lhe estaria sendo cobrada como propina.

O deputado Regufe (PDT) afirmou que, embora reconhecesse o direito do empresário de ficar calado para não se incriminar, conforme previsto na Constituição, ele poderia contribuir “com a cidade e com os cidadãos do Distrito Federal, respondendo as perguntas, em vista da gravidade das denúncias”.

Para Regufe, “o direito individual não pode se sobrepor ao direito coletivo. A coisa mais valiosa da vida é a honra pessoal e o senhor está abrindo mão da oportunidade de defendê-la”, disse o parlamentar.

O deputado Paulo Tadeu (PT) também apelou para que o empresário falasse, lembrando, inclusive, que ele aparece em vídeo gravado por Barbosa. Tadeu lembrou que a Linknet está entre as empresas que, de acordo com informações divulgadas ontem (5) pela Controladoria Geral da União (CGU), participaram de irregularidades recebendo recursos de alto valor da União. Tadeu disse a Lucena que a intenção da CPI “não é crucificar ninguém, mas dar também aos acusados a oportunidade de defesa”.

O outro deputado a tentar obter declarações de Lucena foi Chico Leite, também do PT, que não é membro da comissão. Ele reconheceu que muitas empresas se submetem a “espoliações porque, do contrário, não conseguem trabalhar. Mas isso não as exime da culpa e da responsabilidade civil e penal”. No caso do Distrito Federal (DF), disse, os empresários citados na Operação Caixa de Pandora “não apenas se beneficiavam, mas tinham condições também de influenciar no processo eleitoral, num conluio do setor produtivo com o governo”.

Para o deputado, “está na hora de acabar com a cultura do patrimonialismo, que leva políticos a participarem de corrupção com a iniciativa privada”. A sessão da CPI foi presidida pelo deputado Regufe, pois a titular, Eliana Pedrosa (DEM), não compareceu. Também esteve ausente o deputado Batista das Cooperativas (PRP). O deputado Raimundo Ribeiro (PSDB) não fez perguntas e considerou ser suficiente a presença de Lucena na comissão.

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