Menu
Brasília

Deputados distritais ouvem secretário sobre licitação dos transportes do DF

Arquivo Geral

19/06/2013 9h06

Durante audiência na Câmara Legislativa para tentar esclarecer as suspeitas de fraude no processo de licitação do transporte público, o secretário de Transportes, José Walter Vazquez Filho, alegou que nada tem de errado o presidente da Comissão de Licitação, Galeno Furtado, ser também dono da Alambique Cambeba. Na avaliação do coordenador de Vazquez, por ser celetista, Galeno pode, sim, exercer comércio. Porém,  no desempenho do papel de presidente da comissão, o coordenador da comissão do certame está atuando como agente administrativo público. O que, para especialistas, o submete a todas as   regras da Lei 8.112, que determina: servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público. 

 

Ou seja, é ilegal e atenta contra a moral o fato de Galeno exercer comércio, mesmo sendo celetista, como salientou,  por várias vezes, José Walter Vazquez. Segundo o especialista em administração pública  José Matias-Pereira, não está em jogo a origem do emprego – neste caso, a Codeplan. 

 

“O que está em jogo é o papel que Galeno desempenha como presidente da comissão. Neste cargo, ele assume as responsabilidades de um agente público. Por isso, está, sim, submetido à Lei 8.112”, disse. Esta legislação proíbe os servidores de participarem de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, e, também, exercer o comércio.

 

Confiança

Durante a audiência pública, promovida após suspeitas de fraude denunciadas pelo JBr, o secretário de Transportes fez questão de salientar que Galeno tem sua profunda confiança. E mais: não vê atos ilícitos no fato de Galeno ser ex-chefe de gabinete de Durval Barbosa e, agora, ser   dono de uma empresa.  “Quem escolheu Galeno fui eu. É um funcionário da Codeplan desde 1982. Um servidor pela CLT. Portanto, não existe um assentamento que o desabone”, disse.

 
Atuação suspeita  de advogado

Ainda sobre as possíveis relações de Sasha Reck, advogado que ajudou a elaborar o edital, com empresas que venceram a licitação, o secretário apenas declarou que “o sr. Sasha Reck tem contrato com a Setrans porque é um advogado extremamente competente. Ele estudou ações de antigos editais para que não se repetissem os mesmos erros. Não tem vínculo com nenhuma empresa ganhadora das bacias”. 
 
Contudo, a distrital Celina Leão (PSD)  classificou a participação do advogado no certame como “imoral”. A resposta de Vazquez à ponderação da deputada: “Moral e lei nem sempre se confundem. Moral é uma coisa muito relativa”. 
Sobre o fato de Viação Pioneira e a Piracicabana serem da mesma família,   Vazquez respondeu: “O fato de uma empresa mudar seus sócios durante o processo não tem   problema”. Durante os esclarecimentos, contudo, o secretário de   salientou que a   licitatação se encerrou para o governo. Na contramão disso, porém, destacou: “Caso o judiciário entenda que alguém deve ser desclassificado, que isso seja feito”.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado