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Deputados discutem caso de PM que ameaçou alunos dentro da escola

O caso foi divulgação por um vídeo gravado na última quinta-feira (5) por estudantes do local

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O caso do Policial Militar que ameaçou alunos do Centro Educacional (CED) 1 da Estrutural, foi repercutido na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta terça-feira, 10. O caso foi divulgação por um vídeo gravado na última quinta-feira (5) por estudantes do local. O PM é visto ameaçando “arrebentar” dois alunos da escola.

O deputado Fábio Félix (PSOL) classificou o ocorrido como inaceitável. “Imaginem uma escola em que os conflitos são resolvidos dentro da delegacia? Isso é inaceitável. A escola é o lugar da pedagogia, da mediação de conflitos. Eles estão tratando nossas escolas como cadeias”, criticou. O distrital, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, garantiu que “a comissão vai atuar com firmeza neste caso”.

Para Arlete Sampaio (PT), o episódio simboliza o fim da gestão democrática das escolas. “Em vez de ficarem ao lado da educação e da pedagogia, os gestores estão ficando ao lado da polícia. Estão tratando estudantes como bandidos. Reproduzir essa lógica truculenta dentro de um espaço educacional é um absurdo”, criticou. Já o deputado Leandro Grass (PV) lembrou que o modelo de gestão compartilhada das escolas não tem sequer o apoio de todos os policiais. “Presto solidariedade aos policiais, pois muitos não querem estar ali. A escola não é o lugar deles. A militarização da educação faliu”, disse.

Educador de formação, o deputado Prof. Reginaldo Veras (PV) também fez críticas ao modelo. “O policial não foi formado para isso. Eu até entendo que o policial perca a paciência, pois os alunos dão trabalho. Mas isso acontece porque ele não foi preparado para isso. Nós, professores, estamos em sala de aula ensinando a cultura da paz e aparece um policial dentro da escola dizendo que vai arrebentar os alunos. Esse modelo tem que ser revisto”, criticou Veras.

Em defesa da Polícia Militar e do modelo de gestão compartilhada das escolas falou o deputado Hermeto (MDB), líder do governo na Casa. “A grande maioria dos pais é a favor do modelo de escola compartilhada. Se a polícia teve que ir trabalhar nas escolas é porque faliu todo o sistema. Aluno nenhum respeitava mais o professor”, defendeu. Além disso, Hermeto também chamou atenção para “as situações que os policiais passam nas escolas, sendo discriminados e afrontados por alunos e professores”. O deputado Delegado Fernando Fernandes (PROS) se declarou “fã de carteirinha” do modelo de gestão compartilhada e ressaltou que “situações extremas pedem medidas extremas”.

O caso discutido ocorreu durante um protesto dos alunos do Centro Educacional 1 contra a exoneração de uma vice-diretora da escola. No vídeo, o policial é visto discutindo com um estudante de 14 anos. O áudio capta o momento em que o agente de segurança afirma que vai “arrebentar” o aluno. Em outro trecho do vídeo, um segundo policial ameaça estudantes de prisão.

*Com informações de Eder Wen – Agência CLDF

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