O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil devem ouvir está semana, médicos do Hospital Goiânia Leste, localizado no Setor Universitário, em Goiânia, onde foi realizada a lipoescultura envolvendo abdome, mamas, braços, pernas e costas, em Kelma Macêdo Ferreira Gomes, 33 anos, que morreu na última sexta-feira.
Parentes de Kelma, que era assessora direta do ministro das Cidades, Márcio Fortes, também serão ouvidos. Ainda será interrogado o médico do Hospital São Francisco, em Ceilândia, onde Kelma estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com pneumonia bacteriana, síndrome do desconforto respiratório agudo e insuficiência respiratória.
O promotor Diaulas Costa Ribeiro, da Promotoria da Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde, conversou com parentes e com o marido de Kelma, no sábado, no Instituto Médico-Legal (IML) sob a importância da investigação para saber as causas da morte. Eles disseram que Kelma era saudável. Tinha procurado três médicos em Brasília antes da cirurgia. Um deles teria se recusado a fazer o procedimento argumentando que a paciente não precisava da lipoaspiração no abdome. Outro motivo que a levou a decidir por Goiânia foi o preço mais acessível. Na capital da República, ela pagaria R$ 16 mil, enquanto o médico goiano cobrou R$ 10 mil. Kelma ainda obteve referência do cirurgião que a operou.
Diaulas deve receber, hoje, informações do Hospital Goiânia Leste sobre os procedimentos adotados durante a lipoescultura e as recomendações do cirurgião. Ontem à tarde, representantes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica se reuniram, em Goiânia, para discutir assustos relacionados a cirurgia plástica e casos como o de Kelma.
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Salomão Rodrigues Filho, disse que, por enquanto os hospitais não precisam de autorização especial para realizar lipoaspirações. Basta apenas que atenda os requisitos que o médico e o anestesista exigem para fazer a cirurgia. Mas, o Conselho Federal de Medicina vai divulgar nova determinação, nos próximos meses. Salomão não quis adiantar as alterações, mas disse que haverá exigência para os hospitais que desejarem realizar lipoaspiração, considerada cirurgia de grande porte.