Brasília. Nascida há 54 anos, a capital do país hoje esbanja beleza. A cidade planejada para 500 mil habitantes cresceu. O sonho de Juscelino Kubitschek tornou-se também o sonho de outros milhões de brasileiros. Pessoas que vieram para ajudar a erguer o projeto de Lúcio Costa e dar vida aos traços de Niemeyer. Cidadãos que, aos poucos, foram firmando seus pés no chão do cerrado: o Homo brasiliensis.
O planalto, um dia considerado inabitável, abriga hoje nada menos do que 2,7 milhões de pessoas. Moradores declaradamente apaixonados pelos dablius, eles, asas e eixos da capital do país. Os pioneiros, aqueles que abriram os caminhos para os sabores e encantos do cerrado, não se cansam das belezas do céu claro e das nuvens baixas da cidade.

Beleza no passado e no presente
Armezildo e Tereza fazem parte do grupo de pessoas que aqui chegaram e foram capturadas pela mística do cerrado. Casaram-se na Catedral Metropolitana, há 42 anos, e a beleza da igreja se tornou um ponto decisivo nas memórias do casal.

Horizonte
“Gosto da imensidão, do horizonte de Brasília. Isso não tem em lugar nenhum. Em Brasília, de qualquer ângulo você vê o sol brilhando, a natureza. Depois que cheguei aqui, nunca tive vontade de morar em outro lugar”, confessa o aposentado Armezildo Amado, 67 anos.
Ele e a esposa Teresa, 61 anos, casaram-se na Catedral Metropolitana de Brasília 42 anos atrás. Até hoje, guardam as fotos do dia 1º de janeiro de 1972. “É inesquecível. Lembro que a gente escolheu casar lá num Congresso Eucarístico que fizemos juntos. A gente gostou do local.
A Catedral já era linda na época. Foi uma cerimônia linda”, lembra Teresa. O casal se conheceu na Granja do Torto, onde a família dela morava. “Meus pais, sim, foram os primeiros pioneiros de Brasília. Nós somos a segunda geração daqui”, ressalta a dona de casa. Armezildo se apaixonou tanto por Brasília, que em 1969 escreveu um samba em homenagem à capital do Brasil. “Brasília, Brasília, Brasília, bela cidade do Planalto Central. Tu foste escolhida por São João Bosco para ser a nossa capital”, canta o senhor de voz rouca. Para escrever a letra, revela, “fiz um apanhado histórico”. O sonho dele é ver uma escola de samba cantando sua composição na avenida.

Evolução das águas
A função era humanitária. Ajuda a amenizar a secura do cerrado. Mas se tornou elitista, separando os ricos dos pobres. A modernidade obrigou um repensar democrático e hoje quer se oferecer a todos.

Um mundo subterrâneo

Não importa se bonita ou feia, com os mármores claros ou grafites desgrenhados. A Rodoviária de Brasília deve ser julgada pelo que ela é por dentro. Um mundo de gente circulando em sua realidade e sonhos.

Deslumbramento atemporal

Quem se vê o Palácio da Alvorada pela primeira vez é invadido por uma sensação de estranhamento. Os arcos pontudos chamando para o céu remetem a uma figura futurista ainda a ser explicada. Ele foi o primeiro edifício inaugurado na capital.

Pirâmide das artes

Parte do maior conjunto arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer em Brasília, o Teatro Nacional de ontem e de hoje abre as portas da Esplanada para o conceito pleno de cidade exposição. É a arte dentro da arte.
