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Brasília

De hospital em hospital, mulher busca tratamento para doença que pode causar cegueira

Arquivo Geral

29/11/2017 7h00

Foto: Kléber Lima

João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

A diarista Antônia Aparecida da Silva, 48, não consegue mais trabalhar nem cumprir os afazeres domésticos com tranquilidade. A mulher foi acometida de uma doença que nem mesmo ela consegue pronunciar o nome direito: físsula da carótida cavernosa. Porém, ela sabe bem do incômodo provocado. São remédios e mais remédios para amenizar as dores.

A Secretaria de Saúde alega que não é possível fazer nenhum procedimento para reverter o inchaço que aumenta a cada dia, apenas cirurgia. “Sinto dor o tempo todo. Se não é no olho, com uma ardência, é na cabeça. É o tempo todo ouvindo um ‘sopro'”, desabafa a mulher.

A filha de Antônia, Andreza da Silva, 22, perdeu as contas das vezes que a mãe teve de sair correndo com um quadro de pressão alta ou dores fortes. Na última tentativa, no Hospital de Base, o médico até avisou que o único meio de melhora seria a cirurgia. Isso foi no fim de outubro. Na prática, o tratamento está parado. “Nós queremos uma resposta para saber o que fazer, pois a cada médico é uma receita de remédio diferente”, afirma.

A doença chegou de surpresa. No dia 14 de agosto, Antônia amanheceu com dor nos olhos e um barulho na cabeça. Ela estranhou, mas continuou o trabalho como diarista normalmente. Com o passar dos dias, um inchaço apareceu na região dos olhos. Primeiro, na parte debaixo, depois nas pálpebras. Até que se fixou no globo ocular.

“Tem horas que preciso colocar um pano molhado com água no rosto, porque fica muito quente e arde muito”, diz a mulher, que afirma não ter muita opção: “Minha esperança é que, com a cirurgia, meus olhos possam voltar ao normal. O médico já disse que eles devem desinchar”.

Artéria rompida

A físsula carótida cavernosa é um mal que, em geral, acomete pessoas que sofreram algum tipo de trauma na cabeça. De acordo com o oftalmologista Rodrigo Durães, ocorre um rompimento parcial da artéria que leva sangue à região da cavidade ocular com as veias. Em resumo, o sangue que sobe para a cabeça não consegue voltar. Assim, ele se acumula, causando inchaço, dores e mal-estar.

Para o especialista da Oftalmed, há duas formas de tratamento. Uma envolve a embolização – quando se joga um produto na artéria –, e a outra é a cirurgia para a desobstrução ou a clipagem da artéria. Porém, os riscos da falta de tratamento são enormes: “A demora pode causar a perda da visão, pois pode comprimir o nervo ótico. O olho e as pálpebras podem perder a movimentação. Se o sangramento for grande, pode sair pelo nariz e até levar à morte”.

Versão oficial

A Secretaria de Saúde informou, por meio de nota, que a paciente foi atendida no pronto-socorro no dia 9 de novembro de 2017 e recebeu diagnóstico de físsula carótida cavernosa. Ela foi medicada e orientada quanto ao procedimento e cuidados clínicos. Desde então, foi inserida na regulação para realização do procedimento em hospital conveniado. Por enquanto, ela terá que aguardar a abertura de vaga, sem data prevista. A regulação avalia cada caso, e aquele mais grave é priorizado.

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