A UnB possui desde 1986 um dos mais importantes centros de pesquisa de opinião pública do Brasil – o DataUnB. Para se ter uma ideia, story apenas em um dos projetos, que busca fazer um balanço do seguro-desemprego no Brasil, conta com 450 pesquisadores de campo, em todos os estados brasileiros, para realizar 20 mil questionários. Uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República, por exemplo, é feita com apenas 2 mil questionários.
Mesmo tendo que controlar uma logística desse tamanho, o DataUnB dispensa as fundações de apoio para gerir projetos. Desde o início de 2009, todas as pesquisas e prestações de serviços externos são controladas pelo Decanato de Administração (DAF). “O que o DataUnB está fazendo é ressuscitar uma antiga função do Decanato que foi deliberadamente asfixiada por administrações anteriores, que fizeram um uso extensivo das fundações”, conta o decano de Administração, Pedro Murrieta.
REFORMA SOFRIDA – Hoje, apenas dois centros da UnB são independentes de fundações: o DataUnB e a Editora UnB, que cortou de forma abrupta seus projetos via entidades de apoio durante a crise do ano passado. Para conseguir controlar todas as contas, o DataUnB teve que abandonar alguns projetos e rejeitar propostas.
O diretor do centro de pesquisas, José Ângelo Belloni, iniciou uma reforma administrativa, “muito sofrida”, segundo ele, reiventando procedimentos e capacitando a equipe para fazer todos os pagamentos e recebimentos via Decanato de Administração. “Às vezes, temos escrever três ou quatro ofícios para fazer pagamentos de R$ 100, mas mostramos que é possível trabalhar sem as fundações”, diz Belloni.
No DAF, funcionários que cuidam das contas do DataUnB voltaram a fazer atividades contábeis que estavam abandonadas há anos. “O Belloni é pioneiro, e está pagando por isso, perdendo contratos e trabalhando muito, mas é um trabalho notável o que ele está fazendo”, diz o decano Murrieta. “A administração da UnB não tem condições de concorrer em tudo com as fundações, mas a maior parte dos processos pode ser feita pela FUB”, completa.
DESAFIOS – O próximo desafio que o DataUnB vai enfrentar agora é voltar a estrutura para atender aos interesses da comunidade acadêmica. “Nosso projeto é tornar o centro autossustentável por meio de contratos externos, de forma que possamos também oferecer instrumentos complexos e caros para a UnB, de graça”, afirma José Belloni. A ideia é organizar iniciativas que analisem a UnB por dentro, capacitar os estudantes e auxiliar projetos de outros pesquisadores na UnB.
O DataUnB está acostumado a realizar pesquisas de grande porte. Além do trabalho sobre o seguro-desemprego, feito para o Ministério do Trabalho, o centro já produziu o Censo da Reforma Agrária, pesquisas de opinião para a Presidência da República, para o Sistema Único de Saúde, para o PSDB e o Censo das Cooperativas Brasileiras.