Há mais de cinco décadas, o Jornal de Brasília acompanha as transformações políticas e sociais da capital federal. Se, em 10 de dezembro de 1972, as notícias chegavam aos leitores pelas páginas da primeira edição impressa, em 2026 a cobertura das eleições ganhou novas telas, formatos e formas de contar histórias. Pela primeira vez, o JBr realizou sabatinas com os candidatos ao Governo do Distrito Federal e montou uma operação integrada para acompanhar, ao vivo, a votação e a apuração dos dois turnos.
A mudança acompanha a própria trajetória do veículo. Planejado a partir de 1970, o Jornal de Brasília chegou às ruas dois anos depois com uma redação formada, em cerca de 90%, por estudantes da Universidade de Brasília (UnB) e do Centro Universitário de Brasília (UniCeub). De lá para cá, são mais de 17 mil edições impressas distribuídas em mais de cinco décadas de produção, um acervo que ajuda a contar a história de Brasília e do país.

Nas eleições deste ano, a cobertura começou muito antes da abertura das urnas. Os candidatos ao Palácio do Buriti passaram pelo estúdio do JBr em uma série inédita de sabatinas, que colocou temas de interesse da população no centro das entrevistas. Com a disputa pelo Governo do Distrito Federal avançando para o segundo turno, a iniciativa ganhou uma nova rodada: Leandro Grass (PT) e Celina Leão (PP) foram entrevistados pelo Jornal de Brasília tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Nos dois domingos de votação, a mobilização se estendeu das ruas à redação. Jornalistas, editores, equipe técnica e profissionais do audiovisual participaram de uma cobertura integrada das disputas local e nacional, com entradas ao vivo, informações diretamente dos locais de votação e acompanhamento, em tempo real, da apuração dos resultados.
Os números dão dimensão ao projeto. Somadas as visualizações das sabatinas nas três frentes digitais contabilizadas pelo JBr, Meta – que reúne Facebook e Instagram – TikTok e YouTube, os programas chegaram a 3.864.168 visualizações. Entre os candidatos entrevistados, a sabatina com Celina Leão apresentou o melhor desempenho.
Considerando transmissões, sabatinas, cortes e os demais vídeos relacionados às eleições, a cobertura eleitoral ultrapassou a marca de 27 milhões de visualizações nas plataformas.
Nesta segunda-feira (26), a live no Youtube do primeiro turno registrava mais de 50,4 mil visualizações, enquanto a do segundo turno já ultrapassava 118,6 mil, as transmissões completas também permaneceram disponíveis após o encerramento e continuam acumulando visualizações. Considerando as transmissões nas plataformas TikTok e Youtube, a cobertura eleitoral do JBr somou 370.066 visualizações nos dois turnos. No Meta, que reúne Facebook e Instagram, a dimensão aparece principalmente no alcance: os conteúdos chegaram a mais de 47 milhões de contas durante o período analisado.
Uma redação 360º
Para Lindauro Gomes, editor-chefe da redação on-line e um dos apresentadores das transmissões, a principal mudança esteve justamente na integração das plataformas. Ao lado do jornalista Suzano Almeida, ele comandou as lives enquanto repórteres acompanhavam a movimentação em diferentes pontos do Distrito Federal.

“Pela primeira vez no Jornal de Brasília, a gente conseguiu fazer um movimento 360”, resume. Segundo ele, a informação começava nas redes sociais, avançava para o site e chegava ao impresso já consolidada, com os principais acontecimentos e números do dia.
Editor-chefe do impresso, Ricardo Nobre define as eleições de 2026 como “uma verdadeira virada na cobertura política do JBr”. Para ele, a integração entre as redações permitiu unir a velocidade do digital ao papel de consolidação exercido pelo jornal impresso. “Durante toda a campanha acompanhamos diariamente as agendas dos candidatos, abastecendo o site com informações do momento, ao mesmo tempo que planejávamos o que dali seria relevante para o leitor do impresso”, explica.
Por trás das câmeras
Enquanto a transmissão acontecia, outra operação corria longe dos olhos do público. O estúdio audiovisual foi reservado para a cobertura eleitoral, enquanto repórteres percorriam zonas eleitorais e outros pontos estratégicos do DF. Na redação, profissionais de texto, imagem, operação técnica, direção e tecnologia trabalhavam simultaneamente.
Sob direção audiovisual de Jeferson Legal, os materiais enviados das ruas eram recebidos, selecionados e editados para entrar na programação, muitas vezes poucos minutos depois de terem sido gravados. A operação técnica contou ainda com Rodrigo Lima, Vladimir Filho e Jeyson Gonzaga, além do suporte da equipe de Tecnologia, liderada por Giovanni Giampauli.
O desafio era fazer diferentes peças funcionarem ao mesmo tempo. Enquanto Lindauro e Suzano conduziam o programa no estúdio, chegavam reportagens, entrevistas, registros da votação dos candidatos e informações atualizadas da apuração. Tudo precisava ser avaliado e encaixado em uma transmissão cujo roteiro poderia mudar a qualquer instante.
“Transformamos praticamente toda a estrutura audiovisual em uma central de cobertura eleitoral”, conta Jeferson. A comunicação com os apresentadores era feita em tempo real pelo ponto eletrônico, enquanto a direção mantinha contato com edição e operação técnica para decidir o que entraria no ar.
E o improviso começou antes mesmo da apuração neste segundo turno. A equipe havia estruturado parte da transmissão considerando o encerramento da votação às 17h, mas precisou reorganizar o planejamento após a prorrogação do horário. O roteiro preparado para orientar a cobertura virou, na prática, uma base constantemente modificada conforme novas informações chegavam à redação.
Da rua para o estúdio
A cobertura também ganhou uma espécie de “Marcha da Apuração”. Repórteres foram distribuídos por diferentes pontos para acompanhar a movimentação dos eleitores e os bastidores da votação, além de enviar vídeos e informações para a transmissão.
No Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), o repórter Vitor Ventura acompanhou os dois turnos por lá, e fez entrada ao vivo na segunda votação. Acostumado principalmente ao impresso, ele precisou adaptar o ritmo de apuração à velocidade exigida pelo ao vivo.
“Eu sabia que o tempo para apurar seria bem mais curto do que o que eu tenho normalmente para uma reportagem de jornal impresso”, relata. Para ele, a experiência traduz uma transformação da própria profissão. “Há um tempo, um repórter de mídia impressa igual a mim dificilmente faria uma entrada ao vivo, mas hoje a tecnologia e a internet permitem isso.”
Além de Vitor, o repórter Olavo David também fez entradas ao vivo nos dois turnos, trazendo análises do cenário eleitoral e informações atualizadas ao longo das transmissões. Nas ruas, a cobertura foi dividida em diferentes frentes. Thamires Pinheiro e Amanda Karolyne acompanharam, respectivamente, os dois candidatos ao Governo do Distrito Federal durante o domingo de votação, seguindo as agendas até a definição do resultado. Enquanto isso, os demais jornalistas se distribuíram por diferentes pontos do DF e pela redação, dando suporte à apuração e abastecendo a cobertura com informações em tempo real.
A tecnologia também passou a ocupar espaço na própria leitura dos resultados. A cobertura utilizou uma plataforma de Inteligência Artificial chamada Byline para acompanhar e interpretar os dados da apuração. No segundo turno presidencial, a equipe anunciou uma projeção de vitória de Lula quando cerca de 37% das urnas haviam sido apuradas e Flávio Bolsonaro ainda aparecia à frente na contagem naquele momento. O resultado se confirmou posteriormente.
Para o superintendente do Jornal de Brasília, Renato Matsunaga, a operação reflete uma mudança que vai além das eleições. “A integração entre as equipes foi fundamental para levar ao público informações em tempo real nas plataformas digitais, além de uma cobertura completa no site e na edição impressa”, afirma. Segundo ele, o investimento em tecnologia e audiovisual amplia as possibilidades de apresentação do conteúdo e fortalece o JBr como veículo multiplataforma.
Mais de meio século separa a primeira edição impressa das transmissões de 2026. Nesse intervalo, mudaram o tamanho das páginas, as ferramentas, a velocidade da notícia e até a maneira como o público escolhe se informar. O princípio, porém, continua o mesmo: estar onde a história de Brasília acontece. Desta vez, entre páginas, celulares, câmeras, estúdio e ruas, o Jornal de Brasília acompanhou as urnas enquanto elas próprias escreviam mais um capítulo dessa história.