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Brasília

Curso vai capacitar 25 mil educadores da rede pública sobre a prevenção ao uso de drogas

Arquivo Geral

19/08/2009 0h00

A escola é o melhor espaço para discutir a prevenção ao uso de drogas. Para garantir que o assunto seja abordado de maneira correta, o Ministério da Educação – em parceria com a Universidade de Brasília e com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) – vai capacitar 25 mil professores dos ensinos fundamental e médio para lidar com o tema em sala de aula. A terceira edição do Curso de Prevenção ao Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas começou esta semana e terá duração de quatro meses. Os educadores receberão certificado de extensão universitária emitido pela UnB.


“Queremos mostrar a visão contemporânea do governo que não aceita mais o reducionismo da condenação. O desafio é retirar o assunto da zona sombria do silêncio e trazer o debate à tona”, ressalta o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro. Na edição de 2009 do curso, participam 4.658 instituições de ensino de todo o país. Ao final da capacitação, cada participante elabora um projeto de prevenção para ser aplicado em sua escola. Até o final do ano, o curso vai ter capacitado 50 mil professores ao longo das três edições.


Para o decano de Extensão da UnB, Wellington de Almeida, as políticas de prevenção devem ter uma abordagem sistêmica: escola, família, sociedade e governo. “A sociedade brasileira acordou tarde para o fenômeno global do avanço das drogas. A participação da UnB no projeto pretende ir além e rediscutir o papel da universidade e quais respostas podem ser dadas à população”, analisa.


A coordenadora-geral do curso, professora Maria Fátima Sudbrack, do Instituto de Psicologia da UnB, explica que a metodologia foi baseada em mais de 20 anos de pesquisas realizadas pelo Programa de Estudos e Atenção à Dependência Química (Prodec), do Laboratório de Psicologia Clínica. “A proposta é priorizar o contexto da escola. O educador que está no dia a dia dos adolescentes é quem deve falar sobre drogas”, aponta.


Mais conteúdo
O curso ministrado na modalidade educação a distância (EAD) teve a carga horária ampliada de 60 para 120 horas, a pedido dos educadores. O conteúdo aborda o papel da escola na proteção aos jovens, os conceitos, tipos de drogas e estratégias de prevenção, como conhecer a família dos alunos e saber seus conflitos. A terceira edição do projeto traz duas inovações: o conteúdo pedagógico todo na web e a participação de um aluno de cada escola inscrita que irá receber bolsa mensal entre R$80 e R$ 90.


A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, destaca que muitas escolas sofrem com o tráfico de drogas e o consumo de entorpecentes pelos alunos. A dificuldade para lidar com a questão, em sua opinião, faz com que as instituições excluam os estudantes, em vez de contribuir para a formação de cidadãos críticos e conscientes. “O curso aponta para o diálogo, a construção do conhecimento e a autonomia do jovem para fazer boas escolhas”, reforça.


O material didático é formado por um livro todo ilustrado, um DVD com 16 vídeo-aulas e a tutoria virtual, que auxilia os educadores na execução das atividades, realiza fóruns de discussão e avalia o desempenho. “Vamos debater o tema sem a pedagogia do terror e sem banalizar o uso de drogas. Vamos discutir com informações sobre o que a ciência diz”, informa a secretária adjunta de Políticas sobre Drogas, Paulina Duarte.


A UnB foi convidada em 2004 para elaborar o plano e a metodologia do curso-piloto. “Na época não havia nem orçamento. Precisávamos provar ao governo que a prevenção de drogas precisava estar na sala de aula”, revela a secretária. O projeto-piloto treinou cinco mil professores das cinco regiões do país e abriu uma grande discussão técnica e acadêmica sobre o tema. Na edição de 2006/2007, o número de educadores capacitados se ampliou para 20 mil.

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