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Cultura: quando interesses sobrepõem a arte

Presidente da Fundação Brasileira de Teatro, Gilberto Figueredo Rios Filho. Ele faz acusações graves contra o Sindicato dos Artistas

Por Ary Filgueira 07/12/2021 9h31

O sindicato surgiu no século XVIII, na Europa, com a Revolução Industrial. A maior bandeira dessa reunião de trabalhadores era a defesa dos seus direitos: ora por condição de trabalho mais justa, ora por maiores salários. A ferramenta primordial dessa instituição foi e sempre será a alternância de comando feita a partir do maior instituto democrático já criado pelo homem: o da eleição.

Mas, ao longo de décadas, grupos interessados em se perpetuar no poder (ou chegar até ele) têm investido pesado em método nada republicanos para burlar essa fórmula que bem tem atendido sua função social. Um exemplo recente ocorreu no ano passado, mas que só agora alguém teve coragem de denunciar.

O autor da denúncia é nada menos que o presidente da Fundação Brasileira de Teatro, Gilberto Figueredo Rios Filho. Ele faz acusações graves contra o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculo de Diversões do Distrito Federal, da
região integrada do Distrito Federal e Entorno e dos Estados do Tocantins, Pará e Mato-Grosso, (Sated DF).

As denúncias vão desde fraude eleitoral até falsificação de assinatura que visavam justamente forjar uma eleição que por sua própria natureza já se constitui uma suspeita. No dia 30 de novembro, Gilberto divulgou uma carta rechaçando qualquer afirmação de que havia participado da eleição dessa nova diretoria do Sated. “Não estive presente nas eleições nem da forma presencial e nem da forma virtual”, atestou ele.

Na mesma afirmação feita escrita, Gilberto contou que soube com surpresa que seu nome constava como suplemente na chapa vencedora. “Tomei conhecimento que o meu nome sem a minha consulta constava na Ata de eleição e posse no dia 11 de agosto de 2021 quando enquanto presidente da Fundação Brasileira de Teatro procurava a atual presidência do Sated para firmar parcerias futuras com a FBT. Outrossim, esclareço que o meu nome que consta na Ata Geral de eleição e Apuração assinada pelo Presidente da Mesa Marco Aurélio Gonçalves, do qual não conheço, não condiz com a realidade dos fatos, pois neste período me encontrava em Quarentena na cidade de Foz do Iguaçu (PR)”, afirmou ele.

O Jornal de Brasília teve acesso à cópia da ata. Numa rápida passagem de olho, dá para enxergar esse e outros fatos que corroboram com a acusação de Gilberto. O documento é datado de 22 de abril de 2020 e está descrito como “Ata Geral de Eleição e Apuração”. Na ocasião, o presidente da mesa era Marco Aurélio Gonçalves. Descrito como “ilustre advogado”.

O presidente da Mesa teria sido o responsável pela checagem da urna e contagem dos votos. Ele parece não ter tido muito trabalho no dia, pois dos 606 associados, que conta com nomes famosos, como o do artista renomado Murilo Grossi, apenas 15 se encontravam em condições de votar. Mesmo assim, somente 10 se apresentaram no sufrágio. “(…) e votaram em favor da chapa única”, atestava a ata. “Não houve votos nulos ou qualquer protesto ou anormalidade no período dos trabalhos eleitorais de apuração”, encerrava o documento.

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A Diretoria Efetiva vencedora foi composta de Antônio Arlindo da Cunha, Valmir Ferreira Lima e Liberalino Reis de Oliveira. Já como suplente de Diretoria surgia o nome de Gilberto Rios. Mesmo sem ele ter sequer ficado sabendo. “Declaro também que nunca recebi uma convocatória desta reunião e que não assinei nenhum documento neste sentido e se existe alguma assinatura que se faça apuração criminal e que no mês de agosto da minha estadia propus ao Sated a Banca de Capacitação Profissional na região deste Sated em função da necessidade do projeto da FBT, banca está que foi elaborada por uma parceria indicada do Paraná”, desabafou Rio, ainda na declaração por escrito.

Nossa equipe entrou em contato com o presidente eleito para que ele se explicasse sobre a inclusão do nome de Gilberto e sobre o processo eleitoral do qual ele se sagrou vencedor. Ainda perguntamos o porquê de tanta inadimplência, uma vez que, dos 600 associados, somente 15 reuniam condições de participar do pleito. Os questionamentos foram feito por meio de sua conta no WatsApp. Mas, até o fechamento desta edição, o atual presidente da Sated não havia se manifestado.








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