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Brasília

Cuidados com os rins ajuda a prevenir doenças

Arquivo Geral

13/03/2014 8h20

Juntos, eles compõem um dos órgãos mais importantes do corpo humano. Vitais, os rins têm um trabalho árduo: filtrar até 1,2 litros de sangue por minuto, até 12 vezes por hora. Estes órgãos costumam ser lembrados apenas quando dão sinal de que algo não vai bem. E é por isso que, para alertar sobre a necessidade de prevenção, hoje é celebrado o Dia Mundial do Rim, que neste ano traz o tema  “1 em 10. O rim envelhece, assim como nós”. 

A ideia é chamar a atenção para a alta incidência da Doença Renal Crônica (DRC) e enfatizar os cuidados necessários, sobretudo na terceira idade, pois  o risco de desenvolvimento da doença aumenta com o envelhecimento. 

A DRC é caracterizada pela perda progressiva e irreversível das funções renais. Estima-se que 10% da população adulta já possui a doença em algum grau. Esse percentual aumenta entre 30% e 50% em pessoas acima de 65 anos. Segundo o IBGE,  aproximadamente 10% da população tem 65 anos ou mais.  

Fatores como a hipertensão arterial,   diabetes, obesidade, tabagismo e hereditariedade também podem desencadear a doença renal. Segundo o Governo Federal, considerando a população   maior de 18 anos, mais de 20% têm hipertensão arterial; cerca de 8% têm diabetes; 18% é tabagista e aproximadamente de 50% têm excesso de peso. 

Os desfechos mais alarmantes da DRC são a mortalidade por doença cardiovascular e a necessidade de Terapia Renal Substitutiva (TRS) – que consiste em intervenções como a hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante. Para se ter uma ideia do quanto a DRC afeta a função cardiovascular, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), um homem de 30 anos que esteja em diálise  tem a mesma chance de morrer do coração que um senhor de 80 anos com a função renal esperada para a sua idade. 

Em 2012, havia cerca de cem mil brasileiros em diálise. Destes, 30% tinham mais de 65 anos, uma frequência três vezes mais elevada do que no restante da população. Em relação aos transplantes – feitos em último caso – o DF é líder, com o maior número de doadores de coração, córnea, fígado e rim. 

 O segredo é beber muita água

Entre os problemas renais mais comuns está a litíase renal, mais conhecida como cálculo renal ou pedra nos rins. Ela se caracteriza pela formação de pequenas pedras (do tamanho de um grão de milho), de textura arenosa. As pedras costumam se formar quando a urina contém certas substâncias em excesso. 

O maior fator de risco para a formação dos cálculos  é a desidratação. Eles podem não manifestar sintomas até que comecem a se mover pelos ureteres, tubos pelos quais a urina é levada até a bexiga. Quando isso acontece, porém, bloqueiam o fluxo de urina, o que causa o inchaço e provoca dor. Uma dor muito severa, por sinal, considerada inferior apenas a do parto e a de pacientes com câncer em estágio terminal. 

A psicóloga Priscila Ribeiro,   25 anos, conta os momentos difíceis que viveu antes de descobrir que estava com cálculo renal. “Sentia  dor  a ponto de desmaiar. Ela veio forte durante uns três dias, parou e retornou semanas depois.  Um dia, no auge de uma crise, estava   com a minha mãe em um engarrafamento. O desespero foi tanto que ela parou um caminhão dos  bombeiros e ele foi abrindo caminho entre os carros   até o hospital. Precisei de cirurgia.”

No SUS, o gasto anual com o tratamento de pacientes que tratam problemas renais com hemodiálise chega a R$ 2,2 bilhões aos cofres públicos. 

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